{"id":3244,"date":"2026-06-19T05:33:46","date_gmt":"2026-06-19T08:33:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.templolohan.com\/?p=3244"},"modified":"2026-06-19T05:35:16","modified_gmt":"2026-06-19T08:35:16","slug":"lankavatara-sutra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.templolohan.com\/?p=3244","title":{"rendered":"Lankavatara Sutra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" data-start=\"0\" data-end=\"355\">O <strong data-start=\"2\" data-end=\"29\">Lankavatara Sutra (\u695e\u4f3d\u7ecf)<\/strong> \u00e9 uma das escrituras budistas mais importantes para a forma\u00e7\u00e3o do Chan (Zen) na China. Tradicionalmente associado a Bodhidharma e aos primeiros patriarcas, o sutra enfatiza que a verdadeira compreens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada apenas por meio de palavras, estudos ou conceitos, mas pela realiza\u00e7\u00e3o direta da natureza da pr\u00f3pria mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-start=\"357\" data-end=\"609\">Seu ensinamento central afirma que os fen\u00f4menos s\u00e3o percebidos atrav\u00e9s da mente e que o apego \u00e0s distin\u00e7\u00f5es, ideias e julgamentos cria a ilus\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o. Por isso, o praticante deve transcender as dualidades e reconhecer a realidade tal como ela \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-start=\"611\" data-end=\"845\">O Lankavatara tamb\u00e9m desenvolve temas fundamentais do budismo Mahayana, como a Natureza B\u00fadica (Tath\u0101gatagarbha), a consci\u00eancia profunda (Alaya-vijnana), a vacuidade (Shunyata) e a sabedoria que surge al\u00e9m dos pensamentos discursivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-start=\"847\" data-end=\"1254\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Para a tradi\u00e7\u00e3o Chan, o Lankavatara Sutra serviu como uma importante ponte entre a filosofia budista indiana e a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o direta, tornando-se uma das bases doutrin\u00e1rias que influenciaram Bodhidharma, Huike e os primeiros patriarcas do Chan na China. Ele ensina que a liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em buscar algo fora de si, mas em despertar para a verdadeira natureza da mente, que sempre esteve presente.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\">O Lankavatara Sutra<\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o inglesa de Biona<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capitulo I\u00a0A Discrimina\u00e7\u00e3o<br \/>\nCapitulo II\u00a0As Falsas Imagina\u00e7\u00f5es e o Conhecimento das Apar\u00eancias<br \/>\nCapitulo III\u00a0O Conhecimento Correcto e o Conhecimento das Rela\u00e7\u00f5es<br \/>\nCapitulo IV\u00a0O Conhecimento Perfeito e o Conhecimento da Realidade<br \/>\nCapitulo V\u00a0O Sistema Mental<br \/>\nCapitulo VI\u00a0A Intelig\u00eancia Transcendental<br \/>\nCapitulo VII\u00a0A Auto Realiza\u00e7\u00e3o<br \/>\nCapitulo\u00a0VIII A Obten\u00e7\u00e3o da Auto Realiza\u00e7\u00e3o<br \/>\nCapitulo\u00a0IX O Fruto da Auto Realiza\u00e7\u00e3o<br \/>\nCapitulo X\u00a0A Aprendizagem A Linha dos Arhats<br \/>\nCapitulo XI\u00a0O Estado Bodhisattva e as suas etapas<br \/>\nCapitulo XII\u00a0O Estado Thatagata que \u00e9 Sabedoria Nobre<br \/>\nCapitulo XIII\u00a0<a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#Cap%EDtulo_XIII\">O Nirvana<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"Cap\u00edtulo_l_\"><\/a>Cap\u00edtulo l<\/p>\n<p>A Discrimina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Assim eu ouvi:<br \/>\nO Santificado apareceu uma vez no Castelo de Lanka que est\u00e1 no \u00e1pice do Monte Malaya no meio do grande Oceano.<br \/>\nUm grande n\u00famero de Bodhisattvas Mahasattvas tinham-se milagrosamente reunido em assembleia, vindos de todas as terras Buda, e um grande n\u00famero de Bhikkhus reuniram-se l\u00e1. Os Bodhisattvas Mahasattvas, com Mahamati na lideran\u00e7a deles, eram todos, mestres perfeitos nos v\u00e1rios Sam\u00e1dhis, no Autodom\u00ednio d\u00e9cuplo, nos dez Poderes, e nas seis Faculdades Ps\u00edquicas. Tendo sidos ungidos, pelas pr\u00f3prias m\u00e3os do Buda, todos eles compreendiam bem o significado do mundo objectivo; todos eles sabiam como aplicar os v\u00e1rios recursos, ensinamentos e medidas disciplinares, de acordo com as v\u00e1rias mentalidades e comportamentos dos seres; todos eles eram completamente versados nos cinco Dharmas, nos tr\u00eas Svabhavas, nos oito Vijnanas, e na dualidade do n\u00e3o Eu.<br \/>\nO Santificado, sabendo das agita\u00e7\u00f5es mentais, que ia nas mentes dos que se reuniam em assembleia, (como a superf\u00edcie do oceano agitada em ondas pelos ventos que passam), o seu grande cora\u00e7\u00e3o moveu-se atrav\u00e9s da compaix\u00e3o, e sorrindo disse:<\/p>\n<p>&#8220;Outrora os Tathagatas do passado que foram Arhats e completamente iluminados, vieram ao Castelo de Lanka no Monte Malaya e discursaram sobre a Verdade da Nobre Sabedoria, que est\u00e1 al\u00e9m do conhecimento racional dos fil\u00f3sofos, como tamb\u00e9m est\u00e1 al\u00e9m da compreens\u00e3o de disc\u00edpulos e mestres comuns; e que s\u00f3 \u00e9 entendida dentro da consci\u00eancia interna; por isso, eu tamb\u00e9m, discursarei sobre esta mesma Verdade. Tudo aquilo que \u00e9 visto no mundo \u00e9 destitu\u00eddo de esfor\u00e7o e ac\u00e7\u00e3o, porque todas as coisas no mundo s\u00e3o como um sonho, ou como uma imagem milagrosamente projectada. Isto n\u00e3o \u00e9 compreendido pelos fil\u00f3sofos e ignorantes, mas sim por aqueles que assim v\u00eaem as coisas e as v\u00eaem na sua verdadeira realidade. Os que v\u00eaem as coisas de forma diferente entram na discrimina\u00e7\u00e3o, e como dependem dela, agarram-se ao dualismo. O mundo, visto atrav\u00e9s da discrimina\u00e7\u00e3o, \u00e9 como ver a pr\u00f3pria imagem reflectida num espelho, ou a sombra da pessoa, ou da lua reflectida na \u00e1gua, ou como um eco ouvido num vale. As pessoas que se agarram \u00e0s suas pr\u00f3prias sombras de discrimina\u00e7\u00e3o, tornam-se dependentes desta e daquela coisa, e fracassando em abandonar o dualismo, elas v\u00e3o sempre discriminando, e assim nunca atingem a tranquilidade. Por tranquilidade, entende-se Unidade, e a Unidade, faz nascer o Sam\u00e1dhi superior, que \u00e9 alcan\u00e7ado entrando no reino da Nobre Sabedoria, que s\u00f3 \u00e9 realiz\u00e1vel dentro da consci\u00eancia \u00edntima de si mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o todos os Bodhisattvas Mahasattvas levantaram-se dos seus lugares e respeitosamente prestaram-lhe homenagem, e Mahamati o Bodhisattva Mahasattva mantido pelo poder dos Buddhas, puxando o h\u00e1bito para o seu ombro, ajoelhou-se e juntando as m\u00e3os, elogiou-o nos versos seguintes:<\/p>\n<p>\u201cComo analisas o mundo com a tua perfeita intelig\u00eancia e compaix\u00e3o,<br \/>\nele deve parecer-te como uma flor et\u00e9rea, da qual n\u00e3o se pode dizer:<br \/>\n\u2018Isto \u00e9 nascido, isto \u00e9 destru\u00eddo, por os termos, ser e n\u00e3o ser, n\u00e3o se lhe aplicarem.\u2019<br \/>\nComo analisas o mundo com a tua perfeita intelig\u00eancia e compaix\u00e3o,<br \/>\nele deve parecer-te como um sonho, do qual n\u00e3o se pode dizer:<br \/>\n\u2018Isto \u00e9 permanente ou isto \u00e9 destrut\u00edvel, por o ser e n\u00e3o ser, n\u00e3o se lhe aplicarem.\u2019<br \/>\nComo analisas todas as coisas com a tua perfeita intelig\u00eancia e compaix\u00e3o,<br \/>\nele deve parecer-te como pontos de vista al\u00e9m do alcance da mente humana, por o ser e n\u00e3o ser, n\u00e3o se lhe aplicarem.<br \/>\nCom a tua perfeita intelig\u00eancia e compaix\u00e3o, que est\u00e3o al\u00e9m de todos os limites,<br \/>\nTu compreendes a car\u00eancia do n\u00e3o eu, das coisas e das pessoas,<br \/>\nque \u00e9 livre e limpa dos obst\u00e1culos da paix\u00e3o, do saber e do ego\u00edsmo.<br \/>\nTu n\u00e3o desapareces no Nirvana, nem o Nirvana reside em Ti,<br \/>\no Nirvana transcende toda a dualidade do conhecedor e do conhecido, do ser e n\u00e3o ser.<br \/>\nOs que Te v\u00eaem assim, sereno e al\u00e9m da concep\u00e7\u00e3o, est\u00e3o emancipados do apego,<br \/>\nlimpos de todas as corrup\u00e7\u00f5es, neste mundo e mais al\u00e9m no mundo espiritual.<br \/>\nNeste mundo cuja natureza \u00e9 como um sonho, h\u00e1 lugar para o elogio e a culpa,<br \/>\nmas na Realidade Ultima do Dharmakaya, que fica distante, al\u00e9m dos sentidos e da mente discriminativa,<br \/>\no que h\u00e1 para elogiar?<br \/>\n\u00d3 Tu que \u00e9s o mais S\u00e1bio!\u201d<\/p>\n<p>O Bodhisattva Mahasattva Mahamati continuou dizendo:<br \/>\n\u201cO Aben\u00e7oado, o Um, Sugata, Arhat e O Completamente Iluminado, pe\u00e7o-te que nos fales sobre a realiza\u00e7\u00e3o da Nobre Sabedoria que est\u00e1 al\u00e9m do caminho e procedimentos dos fil\u00f3sofos; que \u00e9 destitu\u00edda de todos os predicados como ser e n\u00e3o ser, unidade e diversidade, ambos e n\u00e3o ambos, exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, eternidade e n\u00e3o eternidade; que n\u00e3o tem nada que ver com individualidade ou com generalidade, nem falsa imagina\u00e7\u00e3o, nem qualquer ilus\u00e3o que surge da pr\u00f3pria mente; mas que se manifestam, a si mesmas, como a Verdade da Mais Alta Realidade. Pelo qual, subindo continuamente pelas fases da purifica\u00e7\u00e3o, a pessoa entra na fase final da Budeidade, e que, pelo poder dos seus votos originais, sem qualquer esfor\u00e7o, a pessoa radiar\u00e1 a sua influ\u00eancia para mundos infinitos, como uma pedra preciosa que reflecte as suas cores matizadas, pelo qual me ser\u00e1 permitido, a mim e a outros Bodhisattvas Mahasattvas, trazer todos os seres \u00e0 mesma perfei\u00e7\u00e3o da virtude.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado disse:<br \/>\n\u201cBem feito, bem feito, Mahamati! E novamente, bem feito, realmente! \u00c9 por causa da tua compaix\u00e3o pelo mundo; por causa do benef\u00edcio que trar\u00e1 a muitas pessoas do g\u00e9nero humano e celestial, que tu te apresentas-te perante n\u00f3s, a fazer este pedido. Por isso, Mahamati, escuta bem, e reflicta verdadeiramente no que lhe direi, porque o instruirei.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati e o outros Bodhisattvas Mahasattvas prestaram devota aten\u00e7\u00e3o ao ensinamento do Santificado.<\/p>\n<p>\u201cMahamati, uma vez que o ignorante e o ing\u00e9nuo, n\u00e3o sabem que o mundo, \u00e9 algo, visto unicamente pela pr\u00f3pria mente, que se apega \u00e1 multiplicidade dos objectos externos, que se apega \u00e0s no\u00e7\u00f5es de ser e n\u00e3o ser, unidade e diversidade, ambiguidade e n\u00e3o ambiguidade, exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, eternidade e n\u00e3o eternidade, e pensam que t\u00eam uma natureza do eu por si mesmos, e que tudo nasce das discrimina\u00e7\u00f5es da mente, e que \u00e9 perpetuada pela energia desse h\u00e1bito, e do qual eles est\u00e3o entregues a falsas imagina\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 tudo como uma miragem, no qual as fontes de \u00e1gua s\u00e3o vistas como se fossem reais.<br \/>\nElas s\u00e3o imaginadas por animais, que sedentos pelo calor da esta\u00e7\u00e3o, correm atr\u00e1s delas.<br \/>\nOs animais n\u00e3o sabem, que as fontes s\u00e3o somente alucina\u00e7\u00f5es das suas pr\u00f3prias mentes, e n\u00e3o percebem que n\u00e3o h\u00e1 fontes nenhumas.<br \/>\nDa mesma maneira, Mahamati, os ignorantes e os est\u00fapidos, nas suas mentes queimadas com os fogos da gan\u00e2ncia, raiva e loucura, encontrando deleite num mundo de numerosas formas, em que os seus pensamentos, obcecados com ideias de nascimento, crescimento e destrui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o entendendo bem qual o significado de exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, e sendo impressionados por discrimina\u00e7\u00f5es err\u00f3neas e especula\u00e7\u00f5es, desde o tempo sem principio, caem no h\u00e1bito de agarrar isto e aquilo, ficando assim unidos a eles.<br \/>\n\u00c9 como a cidade de Gandharvas da qual o ignorante toma por real a cidade, quando de facto n\u00e3o \u00e9 assim.<br \/>\nA cidade aparece como uma vis\u00e3o, devido ao apego dele, em memorizar uma cidade preservada na mente, como uma semente;<br \/>\nPode-se dizer assim, que a cidade \u00e9 existente e n\u00e3o existente.<br \/>\nDa mesma maneira, apegando-se \u00e0 mem\u00f3ria de especula\u00e7\u00f5es e doutrinas err\u00f3neas, acumuladas desde o tempo sem principio, eles agarram-se rapidamente a tais ideias como, unidade e diversidade, ser e n\u00e3o ser, e os seus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o totalmente claros acerca do que \u00e9 visto pela mente.<br \/>\n\u00c9 como um homem que sonha com um pa\u00eds, que parece estar cheio de v\u00e1rios homens, mulheres, elefantes, cavalos, carros, pedestres, aldeias, cidades, vilarejos, vacas, b\u00fafalos, mans\u00f5es, bosques, montanhas, rios e lagos, e que se movimenta naquela cidade at\u00e9 que desperta.<br \/>\nCom a mente meio desperta, ele recorda a cidade do sonho e rev\u00ea as experi\u00eancias que teve l\u00e1; o que pensas, Mahamati, \u00e9 este sonhador, que deixa a sua mente enfatizar os v\u00e1rios irrealismos que ele viu no sonho, considerado s\u00e1bio ou tolo?<br \/>\nDa mesma maneira, os ignorantes e est\u00fapidos que s\u00e3o influenciados favoravelmente pelos pontos de vista err\u00f3neos dos fil\u00f3sofos, n\u00e3o reconhecem que os pontos de vista que os est\u00e3o influenciando, s\u00e3o unicamente como ideias sonhadas, originadas nas suas pr\u00f3prias mentes, e por conseguinte eles s\u00e3o rapidamente controlados pelas suas no\u00e7\u00f5es de unidade e diversidade, de ser e n\u00e3o ser.<br \/>\n\u00c9 como a tela de um pintor no qual o ignorante imagina ver as eleva\u00e7\u00f5es e depress\u00f5es das montanhas e vales.<br \/>\nDa mesma maneira h\u00e1 pessoas hoje em dia, que sendo induzidas sob a influ\u00eancia de pontos de vista err\u00f3neos, de unidade e diversidade, igualdade e n\u00e3o igualdade, cuja mentalidade est\u00e1 sendo condicionada pela energia dos h\u00e1bitos dessas falsas imagina\u00e7\u00f5es e que mais tarde, declarar\u00e3o que aqueles que det\u00e9m a verdadeira doutrina do n\u00e3o nascimento, do qual est\u00e3o livres das alternativas do ser e n\u00e3o ser, s\u00e3o niilistas e procedendo assim, conduzir\u00e3o os outros e a si mesmos \u00e0 ru\u00edna.<br \/>\nPela lei natural da causa e efeito esses seguidores de pontos de vista perniciosos, destroem as causas merit\u00f3rias, que de outra forma os conduziriam \u00e0 pureza sem mancha. Eles devem ser evitados por aqueles, cujos desejos tem objectivos mais excelentes.<br \/>\n\u00c9 como os de vis\u00e3o turva, que vendo uma rede de cabelo exclamam um para o outro:<br \/>\n&#8220;\u00c9 maravilhoso! Olhem, Honrados senhores, \u00e9 maravilhoso!&#8221;<br \/>\nMas a rede de cabelo nunca existiu na realidade; n\u00e3o \u00e9 uma entidade, nem uma n\u00e3o entidade, j\u00e1 que foi visto e n\u00e3o foi visto.<br \/>\nDa mesma maneira, aqueles, cujas mentes tem sido viciadas pelas discrimina\u00e7\u00f5es dos pontos de vista err\u00f3neos, apreciados pelos fil\u00f3sofos, que determinam os pontos de vista irreais do ser e n\u00e3o ser, contradir\u00e3o o bom Dharma e acabar\u00e3o na destrui\u00e7\u00e3o deles e dos outros.<br \/>\n\u00c9 como uma roda de fogo feita por um ti\u00e7\u00e3o rotativo que n\u00e3o \u00e9 nenhuma roda, mas que \u00e9 imaginada, pelo ignorante, como sendo.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma n\u00e3o roda, porque n\u00e3o foi visto por algu\u00e9m.<br \/>\nPelo mesmo racioc\u00ednio, os que tem o h\u00e1bito de escutar as discrimina\u00e7\u00f5es e pontos de vista dos fil\u00f3sofos, considerar\u00e3o as coisas nascidas, como n\u00e3o existentes e as destru\u00eddas por causa\u00e7\u00e3o como existentes.<br \/>\n\u00c9 como um espelho que reflecte cores e imagens, determinado por condi\u00e7\u00f5es mas sem qualquer parcialidade.<br \/>\n\u00c9 como o eco do vento que d\u00e1 o som de uma voz humana.<br \/>\n\u00c9 como a miragem do movimento da \u00e1gua vista num deserto. Da mesma maneira a mente discriminativa do ignorante que esteve exaltada por falsas imagina\u00e7\u00f5es e especula\u00e7\u00f5es, \u00e9 agitada em miragens, como ondas, pelos ventos do nascimento, crescimento, e destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 como o m\u00e1gico Pisaca que por interm\u00e9dio dos seus feiti\u00e7os faz uma imagem de madeira ou um corpo morto pulsar com vida, entretanto n\u00e3o tem nenhum poder em si mesmo.<br \/>\nDa mesma maneira o ignorante e o est\u00fapido, se cometerem os pontos de vista filos\u00f3ficos err\u00f3neos, tornam-se completamente dedicados \u00e0s ideias de unidade e diversidade, mas a sua confian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 bem fundamentada.<br \/>\nPor isso, Mahamati, tu e outros Bodhisattvas Mahasattvas devem rejeitar todas as discrimina\u00e7\u00f5es que conduzem \u00e0s no\u00e7\u00f5es de nascimento, perman\u00eancia e destrui\u00e7\u00f5es, de unidade e diversidade, igualdade e n\u00e3o igualdade, de ser e n\u00e3o ser e alcan\u00e7ar assim a liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o da energia do h\u00e1bito (mem\u00f3ria), tornando-se capazes de atingir a realidade, da Nobre Sabedoria, realiz\u00e1vel dentro de si mesmos.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Santificado:<br \/>\n\u201cPorque \u00e9 que o ignorante rende-se \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e o s\u00e1bio n\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201c\u00c9 porque os ignorantes agarram-se a nomes, sinais e ideias;<br \/>\ncomo as suas mentes circulam ao longo destes canais que eles alimentam, na multiplicidade dos objectos, caiem na no\u00e7\u00e3o de um eu alma e no que pertence a isso; eles fazem discrimina\u00e7\u00f5es de bom e mau, entre as apar\u00eancias e unem-se ao agrad\u00e1vel.<br \/>\nComo eles se ligam assim, h\u00e1 uma invers\u00e3o para a ignor\u00e2ncia, e o karma nascido da gan\u00e2ncia, raiva e loucura, \u00e9 acumulado.<br \/>\nCom a continua acumula\u00e7\u00e3o do karma, eles tornam-se cativos num casulo de discrimina\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o desde ent\u00e3o, incapazes de se livrarem do c\u00edrculo do nascimento e morte.<br \/>\nPor causa da estupidez, eles n\u00e3o entendem que todas as coisas s\u00e3o como Maya, como o reflexo da lua na \u00e1gua, que n\u00e3o tem nenhum eu subst\u00e2ncia, para ser imaginado como um eu alma e o que a ele pertence, e que todas as suas ideias definitivas que nascem das suas falsas discrimina\u00e7\u00f5es do que existe, \u00e9 somente o visto pela pr\u00f3pria mente.<br \/>\nEles n\u00e3o percebem que as coisas n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o que qualifica ou com a qualifica\u00e7\u00e3o, nem com o curso do caminho ou nascimento, perman\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o, e ao inv\u00e9s, eles afirmam que nascem de um criador, do tempo, de \u00e1tomos, de algum esp\u00edrito celestial.<br \/>\n\u00c9 por os ignorantes se entregarem \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, que eles circulam no fluxo dos aparecimentos, mas n\u00e3o \u00e9 assim com os s\u00e1bios.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/div>\n<p><a name=\"Capitulo_II_\"><\/a>Capitulo II<\/p>\n<p>Falsas imagina\u00e7\u00f5es e o conhecimento das apar\u00eancias<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o Bodhisattva Mahasattva Mahamati falou para o Santificado, dizendo:<br \/>\n\u201cTu falas dos pontos de vista err\u00f3neos dos fil\u00f3sofos, por favor podias dizer-nos, em que \u00e9 que nos devemos precaver contra eles?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu, dizendo:<br \/>\n\u201cMahamati, o erro nesses ensinamentos err\u00f3neos s\u00e3o regra geral apoiados pelos fil\u00f3sofos no seguinte: eles n\u00e3o reconhecem que o mundo objectivo nasce da pr\u00f3pria mente; eles n\u00e3o entendem que todo o sistema mental tamb\u00e9m surge da pr\u00f3pria mente; mas na depend\u00eancia destas manifesta\u00e7\u00f5es da mente como sendo reais, eles descriminam-nas com a sua falta de subtileza, enquanto cultivam o dualismo disto e daquilo, de ser e n\u00e3o ser, ignorando o facto que h\u00e1 por\u00e9m uma Ess\u00eancia comum.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio o meu ensinamento \u00e9 baseado no reconhecimento que o mundo objectivo, como uma vis\u00e3o, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria mente; ensina a cessa\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, desejo, ac\u00e7\u00e3o e causalidade; ensina a cessa\u00e7\u00e3o do sofrimento que surge das discrimina\u00e7\u00f5es do mundo triplo.<br \/>\nH\u00e1 alguns estudantes Br\u00e2manes que, assumindo algo fora do nada, afirmam que h\u00e1 uma subst\u00e2ncia associada \u00e0 causa e efeito, que sobrevive no tempo e que os elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu ambiente t\u00eam a sua g\u00e9nese e continua\u00e7\u00e3o na causa e efeito e depois de existir deste modo, falece.<br \/>\nDa mesma forma h\u00e1 outros estudantes que t\u00eam uma vis\u00e3o destrutiva e niilista respeitante a assuntos tais como continua\u00e7\u00e3o, actividade, separa\u00e7\u00e3o, exist\u00eancia, Nirvana, o Caminho, karma, realiza\u00e7\u00e3o e Verdade.<br \/>\nPorqu\u00ea?, porque n\u00e3o atingiram uma compreens\u00e3o intuitiva da Verdade em si mesma, e ent\u00e3o eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma vis\u00e3o clara dos fundamentos das coisas.<br \/>\nEles s\u00e3o como um jarro partido aos peda\u00e7os, que n\u00e3o \u00e9 mais capaz de funcionar como jarro; eles s\u00e3o como uma semente queimada que \u00e9 incapaz de germinar.<br \/>\nMas os elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu ambiente, que eles consideram sujeitos \u00e0 mudan\u00e7a, s\u00e3o realmente incapazes de transforma\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. Os seus pontos de vista s\u00e3o baseados em discrimina\u00e7\u00f5es err\u00f3neas do mundo objectivo; eles n\u00e3o s\u00e3o baseados na verdadeira concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, se \u00e9 verdade que algo vem do nada e h\u00e1 o nascimento do sistema mental, por causa das combina\u00e7\u00f5es das tr\u00eas causas efeito produtoras, n\u00f3s poder\u00edamos dizer o mesmo de qualquer coisa n\u00e3o existente: por exemplo, que uma tartaruga possa cultivar cabelos, ou que a areia produza \u00f3leo. Esta proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de proveito nulo; termina n\u00e3o afirmando nada. Assim a ac\u00e7\u00e3o, trabalho e causa das quais eles falam \u00e9 in\u00fatil, e assim tamb\u00e9m \u00e9 a refer\u00eancia deles a ser e n\u00e3o ser, se eles discutem que h\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas efeitos produtores de causas, eles deveriam tamb\u00e9m fazer isso sobre o princ\u00edpio da causa e efeito, quer dizer, que algo sai de algo e n\u00e3o de nada. Como um mundo de relatividade, \u00e9 afirmado, que h\u00e1 uma cadeia sempre recorrendo periodicamente, da causa e efeito que n\u00e3o pode ser negada de forma alguma; ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o podemos falar de nada que termine ou cesse. Enquanto estes estudantes permanecerem nas suas posi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, a sua demonstra\u00e7\u00e3o deve conformar-se \u00e0 l\u00f3gica dos seus livros de ensino, e o h\u00e1bito de mem\u00f3ria de intelectualiza\u00e7\u00e3o err\u00f3neo agarrar-se-\u00e1 a eles. Para piorar as coisas, os que t\u00eam falta de discernimento, envenenados por esta vis\u00e3o err\u00f3nea, declarar\u00e3o que este modo incorrecto de pensar ensinado pelo ignorante, \u00e9 a mesma apresentada pelo Todo Conhecedor. Mas a forma de instru\u00e7\u00e3o apresentada pelos Tath\u00e2gatas n\u00e3o est\u00e1 baseada em afirma\u00e7\u00f5es e refuta\u00e7\u00f5es por meio de palavras e l\u00f3gica. H\u00e1 quatro formas de afirma\u00e7\u00e3o que podem ser feitas relativas a coisas n\u00e3o existentes, isto \u00e9: afirma\u00e7\u00f5es feitas sobre sinais individuais que n\u00e3o s\u00e3o existentes; sobre objectos que n\u00e3o s\u00e3o existentes; sobre uma causa que \u00e9 n\u00e3o existente; e sobre pontos de vista filos\u00f3ficos que s\u00e3o err\u00f3neos. Refuta\u00e7\u00e3o significa que por causa da ignor\u00e2ncia, algu\u00e9m n\u00e3o examinou correctamente o erro que est\u00e1 na base destas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o sobre os sinais individuais que realmente n\u00e3o t\u00eam nenhuma exist\u00eancia, diz respeito aos sinais distintivos como s\u00e3o percebidos pelo olho, orelha, nariz, etc., como indicando individualidade e generalidade nos elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo externo; e ent\u00e3o, tomando estes sinais por realidade e prendendo-se a eles, criar o h\u00e1bito de afirmar que as coisas s\u00e3o assim e n\u00e3o o caso contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o sobre os objectos que s\u00e3o n\u00e3o existentes \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que vem do apego a estes sinais associados de individualidade e generalidade. Os objectos em si mesmos nem s\u00e3o existentes nem n\u00e3o existentes e est\u00e3o destitu\u00eddos da alternativa de ser e n\u00e3o ser; e s\u00f3 devem ser pensados como quem pensa nos chifres de uma lebre, de um cavalo, ou de um camelo, que nunca existiram. Os objectos s\u00e3o discriminados pelo ignorante que \u00e9 viciado em afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es, porque a intelig\u00eancia dele n\u00e3o foi suficientemente aguda para penetrar na verdade, de que n\u00e3o h\u00e1 nada mais do que o que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de uma causa que \u00e9 n\u00e3o existente assume o nascimento sem causa do primeiro elemento do sistema mental que mais tarde vem a ter, somente uma n\u00e3o exist\u00eancia semelhante a Maya. Quer dizer, h\u00e1 fil\u00f3sofos que afirmam que um sistema mental n\u00e3o nascido originalmente, come\u00e7a a funcionar debaixo das condi\u00e7\u00f5es do olho, forma, luz e mem\u00f3ria, funciona por um tempo e depois cessa. Este \u00e9 um exemplo de uma causa que \u00e9 n\u00e3o existente.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o da n\u00e3o exist\u00eancia por parte dos pontos de vista filos\u00f3ficos relativos aos elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo envolvente, assumem a exist\u00eancia de um ego, um ser, uma alma, um ser vivo, um &#8220;alimentador&#8221;, ou um esp\u00edrito. Este \u00e9 um exemplo de pontos de vista filos\u00f3ficos que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros. \u00c9 esta combina\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o de sinais imagin\u00e1rios de individualidade, que agrupando-os e dando-lhes um nome, fixam-se a elas como objectos, por causa da energia do h\u00e1bito que foi acumulada desde o tempo sem principio, que se construiu os pontos de vista err\u00f3neos cuja base \u00e9 somente as falsas imagina\u00e7\u00f5es. Por isto os Bodhisattvas devem evitar todas as discuss\u00f5es relativas a afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es, cuja base \u00e9 somente as palavras e a l\u00f3gica.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o com as palavras, continua actuando pela coordena\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, t\u00f3rax, nariz, garganta, paladar, l\u00edngua, dentes e l\u00e1bios. As palavras n\u00e3o s\u00e3o diferentes nem n\u00e3o diferentes da discrimina\u00e7\u00e3o. As palavras surgem da discrimina\u00e7\u00e3o tendo estas como origem; se as palavras fossem diferentes da discrimina\u00e7\u00e3o, elas n\u00e3o podiam inferir discrimina\u00e7\u00e3o pela sua causa; assim, por outro lado, se as palavras n\u00e3o s\u00e3o diferentes, elas n\u00e3o podem ter e expressar significado. Portanto as palavras s\u00e3o produzidas atrav\u00e9s de causa e efeito e s\u00e3o condicionadas entre si, mutuamente cambi\u00e1veis e iguais \u00e0s coisas, est\u00e3o sujeitas ao nascimento e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro classes de discrimina\u00e7\u00e3o de palavras, todas elas devendo ser evitadas, porque s\u00e3o igualmente irreais.<br \/>\nPrimeiro h\u00e1 palavras que indicando sinais individuais, que surgem das formas e sinais como sendo reais em si mesmos e ent\u00e3o, fixam-se a eles. H\u00e1 palavras que se memorizam e que surgem das imedia\u00e7\u00f5es irreais, que aparecem diante da mente quando recorda algumas experi\u00eancias pr\u00e9vias. H\u00e1 palavras que crescem da liga\u00e7\u00e3o \u00e0s distin\u00e7\u00f5es e especula\u00e7\u00f5es err\u00f3neas dos processos mentais.<br \/>\nE finalmente, h\u00e1 palavras que crescem dos preconceitos herdados como sementes da energia do h\u00e1bito, acumuladas desde os tempos sem principio, ou que teve a sua origem em alguns desejos esquecidos, agarrados a falsas imagina\u00e7\u00f5es e especula\u00e7\u00f5es err\u00f3neas.<br \/>\nAssim, h\u00e1 palavras onde n\u00e3o h\u00e1 nenhum objecto correspondente, como por exemplo, os chifres da lebre, a crian\u00e7a de uma mulher est\u00e9ril, etc., n\u00e3o h\u00e1 tal coisa, mas n\u00f3s temos as palavras igualmente. As palavras s\u00e3o uma cria\u00e7\u00e3o artificial; h\u00e1 terras Buda onde n\u00e3o h\u00e1 palavras. Em algumas terras Buda as ideias s\u00e3o indicadas olhando continuamente, noutras por gestos e noutras ainda por um franzir de testa, por um movimento dos olhos, rindo, bocejando, aclarando a garganta, ou tremelicando. Por exemplo, na terra Buda do Tath\u00e1gata Samantabadra, os Bodhisattvas, por um Dhyana que transcende as palavras e ideias, atingem o reconhecimento de todas as coisas, como n\u00e3o nascidas e eles tamb\u00e9m experimentam os mais variados e excelentes Sam\u00e1dhis que transcende as palavras. At\u00e9 mesmo neste mundo, seres especializados como formigas e abelhas, executam as suas actividades muito bem sem recurso \u00e0s palavras.<br \/>\nN\u00e3o, Mahamati, a validade das coisas \u00e9 independente da validade das palavras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 outras coisas que pertencem \u00e0s palavras, especificamente, o corpo s\u00edlaba das palavras, o corpo nome das palavras, e o corpo ora\u00e7\u00e3o das palavras. Por corpo s\u00edlaba queremos dizer, o que, pelas palavras e pelas ora\u00e7\u00f5es, indicam ou mostram que h\u00e1 uma raz\u00e3o para algumas s\u00edlabas, algumas s\u00e3o mnem\u00f3nicas, e outras s\u00e3o escolhidas arbitrariamente. Atrav\u00e9s do corpo nome queremos dizer o objecto pelo qual a palavra nome obt\u00e9m o seu significado, ou por outras palavras o corpo nome \u00e9 a &#8220;subst\u00e2ncia&#8221; de uma palavra nome.<\/p>\n<p>Por corpo ora\u00e7\u00e3o queremos fazer refer\u00eancia \u00e0 determina\u00e7\u00e3o de um significado, atrav\u00e9s do qual expressamos as palavras mais explicitas e completamente numa ora\u00e7\u00e3o. O nome para este corpo ora\u00e7\u00e3o \u00e9 sugerido pelas pegadas deixadas na estrada por elefantes, cavalos, pessoas, cervos, gado, cabras, etc. Mas nem as palavras nem as ora\u00e7\u00f5es podem expressar exactamente significado, porque as palavras s\u00e3o somente sons doces, que s\u00e3o escolhidas para representar coisas arbitrariamente, elas n\u00e3o s\u00e3o as coisas, s\u00e3o em troca, somente as manifesta\u00e7\u00f5es da mente. A discrimina\u00e7\u00e3o do significado \u00e9 baseada na falsa imagina\u00e7\u00e3o de que estes sons doces, que n\u00f3s chamamos palavras, s\u00e3o dependentes de qualquer objecto que \u00e9 suposto elas significarem e que tamb\u00e9m \u00e9 suposto que existam por elas mesmas, pelo qual tudo est\u00e1 baseado no erro. Os disc\u00edpulos devem estar de guarda perante as sedu\u00e7\u00f5es das palavras, ora\u00e7\u00f5es e os seus significados ilus\u00f3rios e errados, porque por tudo isso o ignorante e o n\u00e9scio ficam emaranhados e desamparados como um elefante que trope\u00e7a sobre a lama funda.<\/p>\n<p>As palavras e as ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas pela lei de causa e efeito e est\u00e3o mutuamente condicionadas, elas n\u00e3o podem expressar a Realidade Superior. Al\u00e9m disso, na Realidade Superior n\u00e3o h\u00e1 nenhuma diferencia\u00e7\u00e3o a ser discriminada e n\u00e3o h\u00e1 nada para ser proclamado ou afirmado com respeito a Ela. A Realidade Superior \u00e9 um estado se \u00eaxtase sublime de felicidade, n\u00e3o \u00e9 um estado de palavra discrimina\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se pode entrar nesse estado por meras declara\u00e7\u00f5es respeitantes a ela. Os Tathagatas t\u00eam uma forma melhor de ensinar, isto \u00e9, por auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<\/p>\n<p>Mahamati perguntou ao Santificado:<br \/>\n\u201cTe rogamos que nos fales sobre a causa e efeito de todas as coisas, por meio do qual eu e outros Bodhisattvas possam ver dentro da natureza dessa rela\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que ela surja e gradual ou simultaneamente n\u00e3o as discriminar mais.\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 dois factores de causa e efeito por meio dos quais todas as coisas chegam \u00e0 exist\u00eancia aparente: factores externos e internos. Os factores externos s\u00e3o um peda\u00e7o de barro, uma vara, uma roda, uma linha, \u00e1gua, um trabalhador, o trabalho dele, e a combina\u00e7\u00e3o destes produzem um jarro. Assim como um jarro \u00e9 feito de um peda\u00e7o de barro, ou um peda\u00e7o de linha faz um pano, ou a erva fragrante faz uma esteira, ou um rebento que cresce de uma semente, ou a manteiga fresca feita do leite azedo por um homem que a agita; assim \u00e9 com todas as coisas que aparecem uma depois da outra em sucess\u00e3o cont\u00ednua. Quanto aos factores internos de causa e efeito, eles s\u00e3o do g\u00e9nero da ignor\u00e2ncia, do desejo e do objectivo, onde todos entram na ideia de causa e efeito. Nascido destes dois factores h\u00e1 a manifesta\u00e7\u00e3o da personalidade e as coisas individuais que comp\u00f5em o seu ambiente, mas elas n\u00e3o s\u00e3o coisas individuais e distintas: elas s\u00f3 s\u00e3o discriminadas assim pelo ignorante.<\/p>\n<p>A causa e efeito pode ser dividida em seis elementos: causa indiferente, causa dependente causa poss\u00edvel, causa agente causa objectiva e causa manifesta.<br \/>\nA causa indiferente significa que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o presente, que n\u00e3o h\u00e1 poder de combina\u00e7\u00e3o presente e portanto nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o tem lugar, ou se est\u00e1 presente h\u00e1 uma dissolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA causa dependente, significa que os elementos devem estar presentes.<br \/>\nA causa poss\u00edvel significa que quando uma causa chega a ser efectiva, deve haver uma reuni\u00e3o apropriada das duas condi\u00e7\u00f5es, internas e externas.<br \/>\nA causa agente significa que deve haver um princ\u00edpio investido de autoridade, afirmado por si mesmo e com autoridade suprema, tal como um rei soberano.<br \/>\nA causa objectiva significa que para ser parte do mundo objectivo o sistema mental deve estar em exist\u00eancia e tem que estar em actividade cont\u00ednua.<br \/>\nA causa manifesta significa que \u00e0 medida que a faculdade discriminativa do sistema mental se mant\u00e9m ocupada, os sinais individuais ser\u00e3o revelados como as formas que s\u00e3o reveladas pela luz de uma l\u00e2mpada.<\/p>\n<p>Todas as causas s\u00e3o vistas, como sendo o resultado da discrimina\u00e7\u00e3o, levadas a cabo pelo ignorante e pelo ing\u00e9nuo, e portanto n\u00e3o h\u00e1, ent\u00e3o, tal coisa como o surgir gradual ou simult\u00e2neo da exist\u00eancia. Se uma tal coisa, como o surgir gradual da exist\u00eancia \u00e9 afirmada, esta pode ser desaprovada, mostrando que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma subst\u00e2ncia b\u00e1sica para unir os sinais individuais, o que faz o surgir gradual imposs\u00edvel. Se o surgimento simult\u00e2neo da exist\u00eancia \u00e9 afirmado, n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre causa e efeito e n\u00e3o haver\u00e1 nada que caracterize uma causa como tal. Enquanto uma crian\u00e7a n\u00e3o tenha nascido, o termo pai n\u00e3o tem nenhum significado. Os l\u00f3gicos argumentam que h\u00e1 o que nasce e o que d\u00e1 o nascimento pela interac\u00e7\u00e3o m\u00fatua de tais factores causais como causa, subst\u00e2ncia, continuidade, acelera\u00e7\u00e3o, etc., e assim eles concluem que h\u00e1 um surgimento gradual da exist\u00eancia; mas este surgimento gradual n\u00e3o se obt\u00e9m, unicamente por causa do apego \u00e0 no\u00e7\u00e3o de uma natureza pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Quando as ideias do corpo, propriedade e resid\u00eancia, s\u00e3o vistas, discriminadas e apreciadas, no fim de contas nada \u00e9 mais do que, o que \u00e9 concebido pela pr\u00f3pria mente, e um mundo externo \u00e9 percebido debaixo do aspecto de individualidade e generalidade, que por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 realidade, nem um surgimento gradual nem um surgimento simult\u00e2neo das coisas \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9 ent\u00e3o somente quando o sistema mental entra em actividade e discrimina as manifesta\u00e7\u00f5es da mente, que a exist\u00eancia por assim dizer torna-se percebida. Por estas raz\u00f5es, Mahamati, deves libertar-te das no\u00e7\u00f5es de valor e simultaneidade na combina\u00e7\u00e3o das actividades causais.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati perguntou:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado: Que tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e a que tipo de pensamentos deve ser aplicado o termo, falsa imagina\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cEnquanto as pessoas n\u00e3o entenderem a verdadeira natureza do mundo objectivo, elas sempre entrar\u00e3o na vis\u00e3o dual\u00edstica das coisas. Elas imaginam a multiplicidade dos objectos externos como sendo reais e s\u00e3o presas a eles e alimentadas pela sua energia do h\u00e1bito. Por causa deste sistema de actividade mental, e o que a ele pertence, tudo \u00e9 discriminado e \u00e9 pensado como sendo real; isto conduz \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de um ego alma e o que a ele pertence, e assim o sistema move-se, funcionando. Dependendo do apego aos h\u00e1bitos dual\u00edsticos da mente, elas aceitam as pontos de vista dos fil\u00f3sofos, apoiadas nestas distin\u00e7\u00f5es err\u00f3neas, de ser e n\u00e3o ser, exist\u00eancia, e n\u00e3o exist\u00eancia, e l\u00e1 evolui o que n\u00f3s chamamos, falsas imagina\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas Mahamati, a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o evolui nem \u00e9 posta de lado, porque, quando tudo aquilo que \u00e9 visto \u00e9 reconhecido como nada e vemos que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o verdadeiramente a manifesta\u00e7\u00e3o da mente, como pode a discrimina\u00e7\u00e3o evoluir dessa maneira em ser e n\u00e3o ser?.<br \/>\n\u00c9 por causa dos ignorantes, que s\u00e3o viciados nas discrimina\u00e7\u00f5es e multiplicidade das coisas, que pertencem \u00e0 sua pr\u00f3pria mente, que eu digo que a discrimina\u00e7\u00e3o surge devido ao apego do aspecto da multiplicidade que \u00e9 caracter\u00edstico dos objectos.<br \/>\nComo pode, em caso contr\u00e1rio o ignorante e o ing\u00e9nuo reconhecer que n\u00e3o h\u00e1 nada mais, do que o que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente, e como caso contr\u00e1rio podem eles ganhar um discernimento dentro na verdadeira natureza da mente e serem capazes de se livrarem das concep\u00e7\u00f5es erradas da causa e efeito?<br \/>\nComo podem eles adquirir uma concep\u00e7\u00e3o clara das fases do Bodhisattva , alcan\u00e7ar e &#8220;inverter&#8221; o intimo profundo das suas consci\u00eancias, e finalmente atingir uma auto realiza\u00e7\u00e3o interna da Sabedoria Nobre que transcende os cinco Dharmas, as tr\u00eas Ego naturezas, e a ideia inteira de uma Realidade discriminada?<br \/>\nPor isto eu digo que a discrimina\u00e7\u00e3o surge da mente apegada \u00e0 multiplicidade das coisas que n\u00e3o s\u00e3o reais em si mesmas e que a emancipa\u00e7\u00e3o vem de entender completamente o significado da Realidade como ela verdadeiramente \u00e9.<br \/>\nAs falsas imagina\u00e7\u00f5es nascem das considera\u00e7\u00f5es das apar\u00eancias; as coisas s\u00e3o discriminadas tanto na forma, como nos sinais e na forma; como ter cor, calor, humidade, mobilidade ou rigidez. A falsa imagina\u00e7\u00e3o consiste em ficar apegado a essas apar\u00eancias e aos seus nomes. Por apego aos objectos queremos dizer, o apegar-se \u00e0s coisas internas e externas como se fossem reais. Por apego aos nomes queremos significar, o reconhecimento nestas coisas internas e externas dos sinais caracter\u00edsticos da individualidade e generalidade, e os considerar como definitivamente pertencendo aos nomes dos objectos.<br \/>\nA falsa imagina\u00e7\u00e3o ensina que, como todas as coisas est\u00e3o afectas com causas e condi\u00e7\u00f5es da energia do h\u00e1bito que se foi acumulando desde os tempos sem principio, o facto de n\u00e3o reconhecer que o mundo externo \u00e9 a pr\u00f3pria mente, faz com que todas as coisas sejam compreens\u00edveis debaixo dos aspectos da individualidade e generalidade. Por causa de se agarrar a essas falsas imagina\u00e7\u00f5es h\u00e1 um sem numero de apar\u00eancias, que s\u00e3o imaginadas como reais mas que s\u00e3o s\u00f3 imagina\u00e7\u00f5es.<br \/>\nUma ilustra\u00e7\u00e3o: quando um m\u00e1gico utiliza a erva, a mata, os arbustos e as trepadeiras, para exercer a sua arte, muitas formas e seres que s\u00e3o somente criados magicamente tomam forma; \u00e0s vezes elas igualam figuras que t\u00eam corpos, que se movimentam e agem como seres humanos; elas s\u00e3o por diversas formas imaginadas e discriminadas, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma realidade nelas; todos, menos as crian\u00e7as e os ing\u00e9nuos, sabem que elas n\u00e3o s\u00e3o reais. Igualmente com base na no\u00e7\u00e3o da falsa imagina\u00e7\u00e3o da relatividade, percebemos uma variedade de apar\u00eancias que a mente discrimina e desenvolve, objectivando-as e dando-lhes um nome, e apegando-se a elas, a mem\u00f3ria e a energia<br \/>\nh\u00e1bito perpetuam-nas. Isto \u00e9 tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para constituir uma natureza do eu de falsas imagina\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPodem ser distinguidas v\u00e1rias caracter\u00edsticas de falsa imagina\u00e7\u00e3o como se segue: em rela\u00e7\u00e3o a palavras, significados, sinais individuais, propriedade, natureza do eu, causa, pontos de vista filos\u00f3ficos, racioc\u00ednio, nascimento, n\u00e3o nascimento, depend\u00eancia, escravid\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o das palavras \u00e9 o apego \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sons que cont\u00eam significados familiares.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o do significado, vem, quando a pessoa imagina que a formula\u00e7\u00e3o das palavras, surgem dependendo de qualquer tema que se quer expressar e que tais temas s\u00e3o considerados como existentes em si mesmos.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o dos sinais individuais, \u00e9 imaginar que tudo o que \u00e9 denotado em palavras, relativas \u00e0s multiplicidades dos sinais individuais (o qual elas s\u00e3o como uma miragem) \u00e9 verdadeiro, e apegando-se tenazmente a elas, separar todas as coisas de acordo com tais categorias como calor, fluidez, mobilidade, e solidez.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o da propriedade \u00e9 desejar um estado de riqueza, tal como ouro, prata, e v\u00e1rias pedras preciosas.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o da natureza pr\u00f3pria \u00e9 fazer discrimina\u00e7\u00f5es de acordo com as pontos de vista dos fil\u00f3sofos, em refer\u00eancia \u00e0 natureza pr\u00f3pria de todas as coisas, que eles imaginam e de forma decisiva mant\u00eam como ser verdade, enquanto dizem: &#8220;Isto \u00e9 o que \u00e9 e n\u00e3o pode ser de outra forma.&#8221;<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o da causa \u00e9 distinguir a no\u00e7\u00e3o de causa e efeito em refer\u00eancia a ser e a n\u00e3o ser e imaginar que h\u00e1 tais coisas como &#8220;sinais de causa.&#8221;<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o dos pontos de vista filos\u00f3ficos significa considerar pontos de vista diferentes, relativos \u00e0s no\u00e7\u00f5es de ser e n\u00e3o ser, unidade e diferen\u00e7a, ambos e n\u00e3o ambos, exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, todos dos quais s\u00e3o err\u00f3neos, e apegar-se a esses pontos de vista espec\u00edficos.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio refere-se ao ensinamento cujo argumento \u00e9 baseado no apegar-se \u00e0 no\u00e7\u00e3o e subst\u00e2ncia do eu e o que pertence a ele.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o do nascimento apegando-se \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que as coisas chegam \u00e0 exist\u00eancia e diluem-se nela de acordo com a causa e efeito.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o do n\u00e3o nascimento \u00e9 ver aquelas subst\u00e2ncias sem causa, que n\u00e3o eram, virem \u00e0 exist\u00eancia, por causa, da causa e efeito.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia significa a m\u00fatua depend\u00eancia do ouro e dos fios (colares) feitos dele.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00f5es da escravid\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 como imaginar que h\u00e1 algo ligado por alguma coisa obrigat\u00f3ria, como no caso de um homem que faz um n\u00f3 e depois o desata.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as v\u00e1rias caracter\u00edsticas da falsa imagina\u00e7\u00e3o, \u00e0 qual todos os ignorantes e tolos se agarram. Os que se agarram \u00e0 no\u00e7\u00e3o de relatividade, ficam apegados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de variedade das coisas que surgem da falsa imagina\u00e7\u00e3o. \u00c9 como ver as variedades de objectos que dependem de Maya, mas estas variedades que se revelam assim, s\u00e3o discriminadas pelo ignorante pelo seu pr\u00f3prio modo de pensar, \u00e9 algo diferente da pr\u00f3pria Maya. A verdade \u00e9 que Maya e a variedade dos objectos, nem s\u00e3o diferentes, nem n\u00e3o diferentes; se eles fossem diferentes, a variedades dos objectos teriam a caracter\u00edstica n\u00e3o Maya; se eles fossem n\u00e3o diferentes, n\u00e3o haveria nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre eles. Mas como \u00e0 uma distin\u00e7\u00e3o entre os dois, Maya e a variedade de objectos, nem s\u00e3o diferentes nem n\u00e3o diferentes, por uma boa raz\u00e3o: eles s\u00e3o uma s\u00f3 coisa.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati perguntou ao Santificado:<br \/>\n\u201c\u00c9 o erro uma entidade ou n\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cO erro n\u00e3o tem nenhuma natureza nem traz apego; se o erro tivesse tal caracter\u00edstica, nenhuma liberta\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel do seu apego \u00e0 exist\u00eancia, e a corrente original s\u00f3 seria entendida no sentido da cria\u00e7\u00e3o como os fil\u00f3sofos a apoiam. O erro \u00e9 como Maya, e tamb\u00e9m como Maya, \u00e9 incapaz de produzir outra Maya, assim o erro em si mesmo n\u00e3o pode produzir erro; \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o e o apego que produzem os maus pensamentos e as faltas. Al\u00e9m disso, Maya n\u00e3o tem nenhum poder de discrimina\u00e7\u00e3o em si mesmo; s\u00f3 nasce quando invocado pelo charme do m\u00e1gico. O erro n\u00e3o tem em si mesmo nenhuma energia do h\u00e1bito; a energia do h\u00e1bito s\u00f3 nasce da discrimina\u00e7\u00e3o e do apego. O erro em si mesmo n\u00e3o tem nenhuma falta; as faltas s\u00e3o devidas \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es confusas apreciadas pelo ignorante relativas ao ego alma e \u00e0 sua mente. O s\u00e1bio n\u00e3o tem nada que ver com Maya ou com o erro. Por\u00e9m, Maya n\u00e3o \u00e9 uma irrealidade porque s\u00f3 tem a apar\u00eancia de realidade; todas as coisas t\u00eam a natureza de Maya. N\u00e3o \u00e9 porque todas as coisas s\u00e3o imaginadas e nos apegamos a elas, pelos numerosos sinais individuais, que elas s\u00e3o como Maya; \u00e9 porque elas s\u00e3o igualmente irreais, t\u00e3o depressa aparecem e desaparecem. Estando presos a pensamentos err\u00f3neos eles confundem e contradizem-se a si mesmos e aos outros. Como eles, n\u00e3o constatam claramente o facto, que o mundo \u00e9 n\u00e3o mais que a pr\u00f3pria mente, eles imaginam e prendem-se \u00e0 causa e efeito, trabalho, nascimento, sinais individuais e os seus pensamentos s\u00e3o caracterizados pelo erro e falsas imagina\u00e7\u00f5es. O ensinamento diz que todas as coisas s\u00e3o caracterizadas pela natureza pr\u00f3pria de Maya e que o sonho \u00e9 a forma de fazer com que o ignorante e o ing\u00e9nuo ignorem a ideia de uma natureza pr\u00f3pria em todas as coisa.<br \/>\nA falsa imagina\u00e7\u00e3o ensina que coisas tais como luz e sombra, grande e pequeno, preto e branco s\u00e3o diferentes e devem ser discriminadas; mas elas n\u00e3o s\u00e3o independentes uma da outra; elas s\u00e3o s\u00f3 aspectos diferentes da mesma coisa, elas s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de realidade. As condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o de car\u00e1cter mutuamente exclusivo; em ess\u00eancia as coisas n\u00e3o s\u00e3o dois mas um. At\u00e9 mesmo o Nirvana e o mundo do Samsara da vida e da morte s\u00e3o aspectos da mesma coisa, porque n\u00e3o h\u00e1 Nirvana excepto onde h\u00e1 Samsara, nem Samsara excepto onde h\u00e1 Nirvana. Toda a dualidade \u00e9 imaginada falsamente.<\/p>\n<p>Mahamati, tu, e todos os Bodhisattvas devem-se disciplinar na realiza\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o paciente das verdades do vazio, n\u00e3o nascimento, n\u00e3o natureza pr\u00f3pria e n\u00e3o dualidade de todas as coisas. Este ensinamento \u00e9 encontrado em todos os sutras de todos os Buddhas e \u00e9 apresentado para se adequar \u00e1s variadas inclina\u00e7\u00f5es de todos os seres, mas n\u00e3o \u00e9 a Verdade em si mesma. Estes ensinamentos s\u00e3o s\u00f3 um dedo que aponta para a Sabedoria Nobre. Eles s\u00e3o como uma miragem, com as suas fontes de \u00e1gua, que os cervos tomam como real e que depois perseguem.<br \/>\nAssim com respeito aos ensinamentos em todos os sutras: Eles s\u00e3o destinados \u00e0 considera\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o das mentes discriminativas de todas as pessoas, mas eles n\u00e3o s\u00e3o a Verdade em si que s\u00f3 pode ser percebida pelo pr\u00f3prio dentro da consci\u00eancia profunda da pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n<p>Mahamati, tu e todos os Bodhisattvas t\u00eam que procurar este entendimento de auto realiza\u00e7\u00e3o interna da Sabedoria Nobre, e n\u00e3o serem seduzidos pelo ensinamento das palavras.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_III_\"><\/a>Cap\u00edtulo III<\/p>\n<p>O Conhecimento Correcto ou o Conhecimento das Rela\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado, pedimos-te que nos fales, sobre o ser e o n\u00e3o ser de todas as coisas.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cAs pessoas deste mundo s\u00e3o dependentes do seu pensamento numa de duas coisas: na no\u00e7\u00e3o de ser, pelo qual elas adquirirem prazer no realismo, ou na no\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser por meio do qual elas adquirem prazer no niilismo; em ambos os casos, elas imaginam emancipa\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 nenhuma emancipa\u00e7\u00e3o. Os que s\u00e3o dependente das no\u00e7\u00f5es do ser, consideram o mundo como surgindo de uma causa e efeito que \u00e9 realmente existente, e que este existindo de facto, n\u00e3o toma o seu aparecimento de uma causa e efeito que \u00e9 n\u00e3o existente. Esta \u00e9 a vis\u00e3o real\u00edstica como \u00e9 apoiada por algumas pessoas. Ent\u00e3o h\u00e1 outras pessoas que s\u00e3o dependente da no\u00e7\u00e3o do n\u00e3o ser de todas as coisas. Estas pessoas admitem a exist\u00eancia da gan\u00e2ncia, raiva e loucura, e ao mesmo tempo negam a exist\u00eancia das coisas que produzem a gan\u00e2ncia, a raiva e a loucura. Isto n\u00e3o \u00e9 racional, porque a gan\u00e2ncia, a raiva e a loucura n\u00e3o s\u00e3o consideradas mais reais, do que s\u00e3o as coisas; elas n\u00e3o t\u00eam subst\u00e2ncia nem sinais individuais. Onde h\u00e1 um estado de depend\u00eancia, h\u00e1 obriga\u00e7\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es para as manter; mas onde h\u00e1 emancipa\u00e7\u00e3o, como no caso dos Buddhas, Bodhisattvas, mestres e disc\u00edpulos que deixaram de acreditar em ser e n\u00e3o ser, n\u00e3o h\u00e1 escravid\u00e3o, obriga\u00e7\u00f5es, nem condi\u00e7\u00f5es para obrigar.<br \/>\n\u00c9 melhor apreciar a no\u00e7\u00e3o de um eu subst\u00e2ncia, do que manter em mente a no\u00e7\u00e3o de vazio derivado do ponto de vista do ser e n\u00e3o ser, porque os que assim acreditam, n\u00e3o entendem o facto fundamental que o mundo externo, n\u00e3o \u00e9 nada mais que uma manifesta\u00e7\u00e3o da mente. Porque eles v\u00eaem as coisas como passageiras, como surgidas de causa e desaparecendo de causa, ora divididas, ora combinadas nos elementos que comp\u00f5em os agregados da personalidade e o seu mundo externo, ora desaparecendo, eles s\u00e3o sentenciados a sofrer cada momento das mudan\u00e7as que se seguem uma depois da outra, e finalmente s\u00e3o sentenciados \u00e0 ru\u00edna.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati pediu ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cDiga-nos Aben\u00e7oado, como todas as coisas podem ser vazias, n\u00e3o nascidas, e n\u00e3o ter nenhuma natureza pr\u00f3pria, de forma que n\u00f3s possamos despertar e depressa perceber o esclarecimento mais elevado.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cO que \u00e9 na realidade o vazio? \u00c9 um termo cuja natureza em si \u00e9 uma falsa imagina\u00e7\u00e3o, mas por causa do apego \u00e0 falsa imagina\u00e7\u00e3o n\u00f3s somos obrigados a falar do vazio, do n\u00e3o nascimento, e da n\u00e3o natureza pr\u00f3pria.<br \/>\nH\u00e1 sete tipos de vazio:<br \/>\nVazio de reciprocidade que \u00e9 n\u00e3o exist\u00eancia.<br \/>\nVazio de sinais individuais.<br \/>\nVazio de natureza pr\u00f3pria.<br \/>\nVazio de n\u00e3o trabalho, vazio de trabalho.<br \/>\nVazio de todas as coisas no sentido de que elas s\u00e3o imprevis\u00edveis, e vazio no sentido mais elevado da Realidade \u00daltima.<br \/>\nPor vazio de reciprocidade que \u00e9 n\u00e3o existente significa que, quando uma coisa \u00e9 omitida aqui, a pessoa fala dela como estando vazia aqui. Por exemplo: No corredor de confer\u00eancias de Mrigarama n\u00e3o h\u00e1 elefantes presente, nem touros, nem ovelhas; mas h\u00e1 muitos monges presente. N\u00f3s podemos falar justamente do corredor, como estando vazio dos animais a que nos referimos. N\u00e3o \u00e9 afirmado que o corredor de confer\u00eancias est\u00e1 vazio das suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, ou que os monges est\u00e3o vazios do que os faz ser monges, nem que, em algum outro lugar, n\u00e3o h\u00e1 elefantes, touros, nem ovelhas. Neste caso n\u00f3s estamos falando de coisas, no aspecto da sua individualidade e generalidade, mas do ponto de vista da reciprocidade n\u00e3o existem coisas em lugar algum. Esta \u00e9 a mais baixa forma de vazio e deve ser diligentemente posta de lado.<br \/>\nPor vazio de sinais individuais significa que todas as coisas n\u00e3o t\u00eam nenhum sinal distinto de individualidade e generalidade. As rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e as interac\u00e7\u00f5es das coisas s\u00e3o discriminadas superficialmente, mas quando elas s\u00e3o mais cuidadosamente investigadas e analisadas elas s\u00e3o vistas como n\u00e3o existentes e nada sobre individualidade e generalidade podem ser ditas delas. Assim quando j\u00e1 n\u00e3o podem ser vistos sinais individuais, ideias do eu, do outro e de ambos, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o ben\u00e9ficas. Assim deve ser dito que todas as coisas s\u00e3o vazias de sinais pr\u00f3prio.<br \/>\nPor vazio de natureza pr\u00f3pria, significa que todas as coisas na sua natureza pr\u00f3pria s\u00e3o n\u00e3o nascidas; ent\u00e3o, diz-se que as coisas s\u00e3o vazias de natureza pr\u00f3pria.<br \/>\nPor vazio de \u2019 n\u00e3o trabalho &#8216; significa que o agregado dos elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo externo \u00e9 o pr\u00f3prio Nirvana e desde o princ\u00edpio n\u00e3o h\u00e1 actividade neles; ent\u00e3o, fala-se de vazio de &#8216; n\u00e3o trabalho &#8216;.<br \/>\nPor vazio de trabalho significa que os agregados sendo destitu\u00eddos de um eu e o que a ele pertence, continuam a funcionar automaticamente porque h\u00e1 uma conjuga\u00e7\u00e3o m\u00fatua de causas e condi\u00e7\u00f5es; assim fala-se de vazio de trabalho.<br \/>\nPor vazio de todas as coisas no sentido em que elas s\u00e3o imprevis\u00edveis, significa que, como a sua particular natureza de falsa imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 inexprim\u00edvel, assim todas as coisas s\u00e3o imprevis\u00edveis, e, ent\u00e3o, s\u00e3o vazias naquele sentido.<br \/>\nPor vazio no sentido mais alto de vazio da Realidade \u00daltima, significa que no alcan\u00e7ar a auto realiza\u00e7\u00e3o interna da Sabedoria Nobre, n\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os alguns de energia do h\u00e1bito gerados por concep\u00e7\u00f5es err\u00f3neas; assim a pessoa fala do vazio mais elevado da Realidade \u00daltima.<br \/>\nQuando as coisas s\u00e3o examinadas pelo conhecimento correcto, n\u00e3o h\u00e1 sinais obtidos, que os possam caracterizar como sinais de individualidade e generalidade, ent\u00e3o, diz-se que eles n\u00e3o t\u00eam natureza pr\u00f3pria. Porque estes sinais de individualidade e generalidade s\u00e3o ambos vistos como existindo e no entanto, s\u00e3o conhecidos como n\u00e3o existentes, s\u00e3o como existindo, e conhecidos como n\u00e3o existindo, eles nunca s\u00e3o aniquilados.<br \/>\nPorque \u00e9 isto verdade?<br \/>\nPor isto; porque os sinais individuais que comp\u00f5em a natureza pr\u00f3pria de todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o existentes.<br \/>\nAssim as coisas na sua natureza pr\u00f3pria s\u00e3o eternas e n\u00e3o eternas. As coisas n\u00e3o s\u00e3o eternas porque os sinais de individualidade aparecem e desaparecem, isto \u00e9, os sinais da natureza pr\u00f3pria s\u00e3o caracterizadas pelo n\u00e3o eterno. Por outro lado, porque as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas e s\u00f3 s\u00e3o feitas pela mente, elas s\u00e3o num sentido profundo eternas. Quer dizer, as coisas s\u00e3o eternas pela sua n\u00e3o eternidade .<br \/>\nAssim, al\u00e9m de entender o vazio de todas as coisas, com respeito \u00e0 subst\u00e2ncia e \u00e0 natureza pr\u00f3pria, \u00e9 necess\u00e1rio que os Bodhisattvas entendam claramente que todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas. N\u00e3o \u00e9 afirmado que as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas num sentido superficial, mas que num sentido profundo elas s\u00e3o n\u00e3o nascidas delas mesmas. Tudo aquilo que pode ser dito, \u00e9 isto: relativamente falando, h\u00e1 um fluxo constante de chegar a ser, uma mudan\u00e7a moment\u00e2nea e ininterrupta de um estado de aparecimento para outro. Quando \u00e9 reconhecido que o mundo tal como se apresenta, n\u00e3o \u00e9 mais que uma manifesta\u00e7\u00e3o da mente, ent\u00e3o o nascimento \u00e9 visto como n\u00e3o nascimento, e todos os objectos existentes, relacionados com a discrimina\u00e7\u00e3o que afirma que eles s\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o existente e, ent\u00e3o, n\u00e3o nascidos; sendo destitu\u00eddas de causa e ac\u00e7\u00e3o as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas.<\/p>\n<p>Se as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas de ser e de n\u00e3o ser, mas s\u00e3o simplesmente manifesta\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria mente, elas n\u00e3o t\u00eam realidade, nem natureza pr\u00f3pria: elas s\u00e3o como os chifres da uma lebre, de um cavalo, de um burro, ou de um camelo. Mas o ignorante e o ing\u00e9nuo, que s\u00e3o dados \u00e0s suas falsas e err\u00f3neas imagina\u00e7\u00f5es, discriminam coisas onde elas n\u00e3o existem. Para o ignorante os sinais caracter\u00edsticos da natureza pr\u00f3pria de resid\u00eancia e propriedade corporal parecem ser fundamentais e est\u00e3o enraizadas na natureza da mente em si, assim ele discrimina as suas numerosas entidades e torna-se como sendo elas.<br \/>\nH\u00e1 dois tipos de apegos:<br \/>\nApego aos objectos como tendo uma natureza pr\u00f3pria, e apego \u00e0s palavras como tendo uma natureza pr\u00f3pria.<br \/>\nO primeiro acontece por n\u00e3o saberem que o mundo externo \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria mente; e o segundo surge do apegar-se a palavras e nomes por causa do h\u00e1bito energia. No ensinamento do n\u00e3o nascimento, a causa e efeito est\u00e1 fora de causa, porque, vendo que todas as coisas s\u00e3o como Maya e um sonho, a pessoa n\u00e3o separa os sinais individuais. Que todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas e n\u00e3o t\u00eam natureza pr\u00f3pria porque elas s\u00e3o como Maya \u00e9 ir ao encontro dos pontos de vista dos fil\u00f3sofos em que o nascimento acontece por causa e efeito. Eles nutrem a no\u00e7\u00e3o que o nascimento de todas as coisas \u00e9 derivado do conceito de ser e n\u00e3o ser, e n\u00e3o consideram isso como verdadeiramente \u00e9, como causado pelo apego \u00e0s numerosas discrimina\u00e7\u00f5es que surgem da pr\u00f3pria mente.<br \/>\nOs que acreditam no nascimento de algo que nunca existiu e, que vindo \u00e0 exist\u00eancia, desaparece, s\u00e3o obrigados a afirmar que as coisas v\u00eam \u00e0 exist\u00eancia e desaparecem, atrav\u00e9s da causa e efeito &#8211; tais pessoas n\u00e3o encontram uma posi\u00e7\u00e3o segura nos meus ensinamentos. Quando percebem que n\u00e3o h\u00e1 nada nascido, e nada que falece, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 forma de admitir o ser e o n\u00e3o ser, e a mente torna-se tranquila.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cOs fil\u00f3sofos declaram que o mundo surge dos agentes causais de acordo com as leis de causa e efeito; eles declaram que a sua causa \u00e9 n\u00e3o nascida e n\u00e3o aniquilada. Eles mencionam nove elementos prim\u00e1rios: Ishvara o Criador, a Cria\u00e7\u00e3o, \u00e1tomos, etc., os quais sendo elementares s\u00e3o n\u00e3o nascidos e n\u00e3o h\u00e1 aniquila\u00e7\u00e3o. O Aben\u00e7oado, ensina que todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas e que n\u00e3o h\u00e1 aniquila\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m declara que o mundo surje da ignor\u00e2ncia, da discrimina\u00e7\u00e3o, do apego, da ac\u00e7\u00e3o, etc., funcionando de acordo com a lei de causa e efeito. Embora os dois grupos de elementos possam diferir em forma e nome, n\u00e3o parece existir qualquer diferen\u00e7a essencial entre as duas posi\u00e7\u00f5es. Se h\u00e1 qualquer coisa que \u00e9 distinta e superior nos ensinamentos do Aben\u00e7oado pedimos-te que nos digas, o que \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cO meu ensinamento de n\u00e3o nascimento e n\u00e3o aniquila\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como o dos fil\u00f3sofos, nem \u00e9 como a sua doutrina de nascimento e imperman\u00eancia. O que os fil\u00f3sofos designam como caracter\u00edstica de n\u00e3o nascimento e n\u00e3o aniquila\u00e7\u00e3o \u00e9 a natureza pr\u00f3pria de todas as coisas que os fazem entrar no dualismo do ser e n\u00e3o ser. O meu ensinamento transcende a concep\u00e7\u00e3o completa do ser e n\u00e3o ser; n\u00e3o tem nada que ver com o nascimento, a continuidade e a destrui\u00e7\u00e3o; nem com exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia. Eu ensino que a numerosidade dos objectos n\u00e3o t\u00eam realidade em si mesmos, s\u00e3o somente vistos pela mente e, portanto, s\u00e3o da natureza de Maya e de um sonho. Eu ensino a n\u00e3o exist\u00eancia das coisas porque elas n\u00e3o tem sinal algum de qualquer natureza pr\u00f3pria inerente a elas. \u00c9 verdade que num sentido, s\u00e3o vistas e discriminadas pelos sentidos como objectos individuais; mas por outro lado, por causa da aus\u00eancia de qualquer sinal caracter\u00edstico da natureza pr\u00f3pria, elas n\u00e3o s\u00e3o vistas, mas somente imaginadas. Num certo sentido eles s\u00e3o compreens\u00edveis, mas noutro, eles n\u00e3o s\u00e3o compreens\u00edveis.<br \/>\nQuando \u00e9 claramente compreendido que n\u00e3o h\u00e1 nada no mundo, a n\u00e3o ser o que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente, a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o surgir\u00e1 mais, e o s\u00e1bio residir\u00e1 no seu verdadeiro domic\u00edlio que \u00e9 o reino de quietude. O ignorante discrimina e trabalha, tentando-se ajustar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es externas, e \u00e9 constantemente perturbado pela mente; as irrealidades s\u00e3o imaginadas e discriminadas, enquanto as realidades n\u00e3o s\u00e3o vistas e s\u00e3o ignoradas. Isto n\u00e3o \u00e9 assim com o s\u00e1bio.<br \/>\nUma ilustra\u00e7\u00e3o desta ideia: O que o ignorante v\u00ea \u00e9 como a cidade magicamente criada dos Gandharvas onde s\u00e3o mostradas as crian\u00e7as, as ruas, as casas, os comerciantes fantasma, e as pessoas, entrando e saindo. Esta cidade imagin\u00e1ria com as suas ruas e casas e as pessoas entrando e saindo, n\u00e3o s\u00e3o pensadas como nascidas ou aniquiladas, porque neste caso, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma duvida sobre a sua exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia. Da mesma forma, eu ensino, que n\u00e3o h\u00e1 nada feito nem n\u00e3o feito; que n\u00e3o h\u00e1 nada que tenha conex\u00e3o com o nascimento e a destrui\u00e7\u00e3o, excepto, como o ignorante gosta falsamente de imaginar, no\u00e7\u00f5es como as da realidade do mundo externo.<br \/>\nQuando os objectos n\u00e3o s\u00e3o vistos e julgados, como eles verdadeiramente s\u00e3o em si mesmos, h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o e apego \u00e0s no\u00e7\u00f5es de ser e n\u00e3o ser, e \u00e0 individualidade da natureza pr\u00f3pria, e enquanto estas no\u00e7\u00f5es de individualidade e natureza pr\u00f3pria persistirem, os fil\u00f3sofos encontram-se limitados para explicar o mundo externo por uma lei de causa e efeito. Esta posi\u00e7\u00e3o levanta a pergunta de uma causa primeira, \u00e0 qual os fil\u00f3sofos respondem afirmando que a sua primeira causa, Ishvara e os elementos primitivos, s\u00e3o n\u00e3o nascidos e n\u00e3o aniquilados; tal posi\u00e7\u00e3o \u00e9 sem evid\u00eancia e \u00e9 irracional.<br \/>\nAs pessoas ignorantes e os fil\u00f3sofos mundanos apreciam um g\u00e9nero de n\u00e3o nascimento, mas n\u00e3o \u00e9 esse g\u00e9nero de n\u00e3o nascimento que eu ensino. Eu ensino o n\u00e3o nascido da ess\u00eancia do n\u00e3o nascimento de todas as coisas, ensinamento que est\u00e1 institu\u00eddo nas mentes dos s\u00e1bios pela sua auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre. Uma concha, a argila, um recipiente, uma roda, ou sementes, ou elementos, estas s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es externas; ignor\u00e2ncia, discrimina\u00e7\u00e3o, apego, h\u00e1bito, karma, &#8211; estas s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es internas. Quando este universo inteiro \u00e9 considerado como concatena\u00e7\u00e3o e nada mais que uma concatena\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a mente, por sua aceita\u00e7\u00e3o paciente da verdade que todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas, ganha tranquilidade.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_IV_\"><\/a>Cap\u00edtulo IV<\/p>\n<p>O Conhecimento Perfeito ou o Conhecimento da Realidade<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Santificado:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado, pedimos-te que nos fales sobre os cinco Dharmas, de forma a que possamos compreender completamente o conhecimento perfeito.\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cOs cinco Dharmas s\u00e3o: a apar\u00eancia, o nome, a discrimina\u00e7\u00e3o, o conhecimento correcto, e a Realidade.<br \/>\nPor apar\u00eancia, significa que o que se revela aos pr\u00f3prios sentidos e \u00e0 mente discriminativa e \u00e9 percebido como forma, som, odor, gosto, e toque. Destas apar\u00eancias, formam-se as ideias, como barro, \u00e1gua, jarro, etc., pelo que se pode dizer: isto \u00e9 assim e assim e n\u00e3o outra coisa, tal como \u00e9 chamado. Quando s\u00e3o contrastadas as apar\u00eancias e os nomes comparados, como quando n\u00f3s dizemos: isto \u00e9 um elefante, isto \u00e9 um cavalo, um carro, um pedestre, um homem, uma mulher, ou, esta \u00e9 a mente e o que a ela pertence, as coisas assim chamadas, diz-se que s\u00e3o discriminadas. Como estas discrimina\u00e7\u00f5es s\u00e3o reciprocamente condicionadas, vazias de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, n\u00e3o nascidas, e assim s\u00e3o vistas como verdadeiramente s\u00e3o, isso \u00e9, como manifesta\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria mente, este \u00e9 o conhecimento correcto. Por isso o s\u00e1bio deixa de considerar as apar\u00eancias e os nomes como realidades.<\/p>\n<p>Quando as apar\u00eancias e os nomes s\u00e3o afastados e toda a discrimina\u00e7\u00e3o cessa, o que resta \u00e9 a verdade e a natureza essencial das coisas e, como nada pode ser dito sobre a natureza da ess\u00eancia, \u00e9 chamada a &#8220;Qualidade Essencial&#8221; da Realidade.<br \/>\nEsta universal, indiferenciada, inescrut\u00e1vel, &#8220;Qualidade Essencial&#8221; \u00e9 a \u00fanica Realidade, mas ela \u00e9 variavelmente caracterizada e descrita como a Verdade, A Ess\u00eancia da Mente, Intelig\u00eancia Transcendental, Sabedoria Nobre, etc.<br \/>\nEste Dharma sem imagem da Natureza Essencial da \u00daltima Realidade \u00e9 o Dharma que foi proclamado por todos os Buddhas, e quando todas as coisas forem completamente compreendidas de acordo com isto, a pessoa est\u00e1 na posse do Conhecimento Perfeito e est\u00e1 a caminho de alcan\u00e7ar a Intelig\u00eancia Transcendental dos Tath\u00e1gatas.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Santificado:<br \/>\n\u201cS\u00e3o as tr\u00eas naturezas pr\u00f3prias das coisas, as ideias, e a Realidade, consideradas como exclu\u00eddas nos Cinco Dharmas, ou como tendo as suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas completas nelas mesmas?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cAs tr\u00eas naturezas pr\u00f3prias, o sistema mental \u00f3ctuplo, e o n\u00e3o eu dual\u00edstico, todos est\u00e3o inclu\u00eddos nos Cinco Dharmas. As naturezas pr\u00f3prias das coisas, das ideias, e do sistema mental s\u00eaxtuplo, correspondem com os Dharmas da apar\u00eancia, do nome e da discrimina\u00e7\u00e3o; a natureza pr\u00f3pria da Mente Universal e da Realidade corresponde aos Dharmas do conhecimento correcto e da &#8220;Qualidade Essencial.&#8221;<br \/>\nQuando nos apegamos ao que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente, \u00e9 despertada uma actividade que \u00e9 perpetuada pela energia do h\u00e1bito, e que se manifesta no sistema mental; das atividades do sistema mental surge a no\u00e7\u00e3o de um ego alma e de posse; as discrimina\u00e7\u00f5es, apegos, e a no\u00e7\u00e3o de um ego alma, nascem simultaneamente como o sol e os seus raios de luz.<br \/>\nPor n\u00e3o eu das coisas, significa que os elementos que comp\u00f5em os agregados da personalidade e do seu mundo objectivo, s\u00e3o caracterizados pela natureza de Maya e destitu\u00eddos de qualquer coisa que possa ser chamada subst\u00e2ncia pr\u00f3pria; s\u00e3o portanto n\u00e3o nascidos e n\u00e3o t\u00eam nenhuma natureza pr\u00f3pria.<br \/>\nComo pode ser dito que as coisas t\u00eam um ego alma?<br \/>\nPor n\u00e3o ego das pessoas, significa que nos agregados que comp\u00f5em a personalidade n\u00e3o h\u00e1 nenhum ego subst\u00e2ncia, nem qualquer coisa que seja como um ego subst\u00e2ncia nem nada que lhe perten\u00e7a. O sistema mental que \u00e9 o sinal mais caracter\u00edstico da personalidade, tem origem na ignor\u00e2ncia, discrimina\u00e7\u00e3o, desejo e ac\u00e7\u00e3o; e as suas atividades s\u00e3o perpetuadas por; entender, agarrar, e apegar-se a objectos como se eles fossem reais. A mem\u00f3ria destas discrimina\u00e7\u00f5es, desejos, apegos e ac\u00e7\u00f5es, est\u00e1 armazenada na Mente Universal desde o tempo sem principio, e ainda est\u00e1 sendo acumulado onde ela condiciona a apar\u00eancia da personalidade e o seu meio ambiente e provoca mudan\u00e7as constantes e destrui\u00e7\u00e3o, de momento para momento. As manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o como um rio, uma semente, uma l\u00e2mpada, uma nuvem, o vento; a mente Universal na sua voracidade para acumular tudo, \u00e9 como um macaco que nunca repousa, como uma mosca \u00e0 procura de comida e sem prefer\u00eancias, como um fogo que nunca est\u00e1 satisfeito, como uma nora sempre a girar. A mente Universal quando est\u00e1 suja pela energia do h\u00e1bito, \u00e9 como um m\u00e1gico que faz coisas fantasmag\u00f3ricas com pessoas a aparecer e a se moverem. Uma total compreens\u00e3o destas coisas \u00e9 necess\u00e1ria para compreender o n\u00e3o ego das pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro tipos de Conhecimento:<br \/>\nO conhecimento das apar\u00eancias, o conhecimento relativo, o conhecimento perfeito, e a Intelig\u00eancia Transcendental.<br \/>\nO conhecimento das apar\u00eancias pertence ao ignorante e ao ing\u00e9nuo que s\u00e3o viciados na no\u00e7\u00e3o do ser e n\u00e3o ser, e que s\u00e3o atemorizados pelo pensamento de ser n\u00e3o nascido. Isto \u00e9 produzido pela concord\u00e2ncia da combina\u00e7\u00e3o tripla e apego \u00e0 multiplicidade de objectos; \u00e9 caracterizado pela acessibilidade e acumula\u00e7\u00e3o; est\u00e1 sujeito ao nascimento e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO conhecimento das apar\u00eancias pertence aos que utilizam uma linguagem descuidada ou pretensiosa de pouco ou nenhum respeito, e que se divertem em discrimina\u00e7\u00f5es, afirma\u00e7\u00f5es, e nega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O conhecimento relativo pertence ao mundo mental dos fil\u00f3sofos. Nasce da habilidade da mente para considerar as rela\u00e7\u00f5es que surgem de cada um e \u00e0 mente que as considera, nasce da habilidade das mentes para organizar, combinar, e analisar estas rela\u00e7\u00f5es, pelos seus poderes de l\u00f3gica discursiva e imaginativa, pela raz\u00e3o de que t\u00eam capacidade de vislumbrar a import\u00e2ncia e o valor das coisas.<\/p>\n<p>O conhecimento Perfeito (jnana) pertence ao mundo dos Bodhisattvas que reconhecem que todas as coisas s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es da mente; que entendem claramente o vazio, o n\u00e3o nascido, o n\u00e3o ego de todas as coisas; e que entraram na compreens\u00e3o dos Cinco Dharmas, o duplo n\u00e3o ego, e na verdade da n\u00e3o imagem. O conhecimento Perfeito diferencia as etapas do Bodhisattva, e \u00e9 o caminho e a entrada no estado exaltado da auto realiza\u00e7\u00e3o de Sabedoria Nobre.<br \/>\nO conhecimento Perfeito pertence aos Bodhisattvas que s\u00e3o completamente livres dos dualismos do ser e n\u00e3o ser, n\u00e3o nascimento e n\u00e3o aniquila\u00e7\u00e3o, de todas as afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es, e que, por causa da auto realiza\u00e7\u00e3o, ganharam uma perspic\u00e1cia nas verdades do n\u00e3o ego e n\u00e3o imagem. Eles j\u00e1 n\u00e3o discriminam o mundo como sujeito a causa e efeito: eles consideram a causa e efeito que rege o mundo como alguma coisa como a cidade lend\u00e1ria dos Gandharvas. Para eles o mundo \u00e9 como uma vis\u00e3o e um sonho, \u00e9 como o nascimento e morte de uma crian\u00e7a de uma mulher est\u00e9ril; para eles n\u00e3o h\u00e1 nada evoluindo e nada que desaparece.<br \/>\nOs s\u00e1bios que apreciam o conhecimento Perfeito, podem ser divididos em tr\u00eas classes, disc\u00edpulos, mestres e Arhats.<br \/>\nOs disc\u00edpulos comuns s\u00e3o separados dos mestres como disc\u00edpulos comuns, porque continuam a cultivar a no\u00e7\u00e3o de individualidade e generalidade; os mestres surgem dos disc\u00edpulos comuns quando, abandonando os erros da individualidade e generalidade, eles ainda se agarram \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um ego alma, do qual eles saiam por si mesmos em retiros e solid\u00e3o.<br \/>\nOs Arhats surgem quando o erro de toda a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 entendido. O erro sendo discriminado pelo s\u00e1bio transforma-se em Verdade pela virtude da &#8220;invers\u00e3o&#8221; que toma lugar dentro da consci\u00eancia profunda. A mente assim emancipada, entra na auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre.<\/p>\n<p>Mas, Mahamati, se tu afirmas que h\u00e1 uma tal coisa como a Sabedoria Nobre, isso n\u00e3o \u00e9 bom, porque qualquer coisa que seja afirmada, participa atrav\u00e9s disso da natureza do ser e \u00e9 assim caracterizada com a qualidade do nascimento.<br \/>\nA afirma\u00e7\u00e3o: &#8220;Todas as coisas s\u00e3o n\u00e3o nascidas destr\u00f3i a veracidade disto.<br \/>\nO mesmo \u00e9 verdade das declara\u00e7\u00f5es: &#8220;Todas as coisas s\u00e3o vazias&#8221;, e &#8220;Todas as coisas n\u00e3o t\u00eam natureza pr\u00f3pria&#8221;, ambas s\u00e3o insustent\u00e1veis quando postas na forma de afirma\u00e7\u00f5es. Mas quando \u00e9 indicado que todas as coisas s\u00e3o como um sonho e uma vis\u00e3o, significa isso que de um modo elas s\u00e3o percebidas, e de outro modo n\u00e3o s\u00e3o percebidas; quer dizer, na ignor\u00e2ncia elas s\u00e3o percebidas, mas no conhecimento Perfeito elas n\u00e3o s\u00e3o percebidas. Todas as afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es que s\u00e3o constru\u00eddas pelo pensamento, s\u00e3o n\u00e3o nascidas. At\u00e9 mesmo a afirma\u00e7\u00e3o que a Mente Universal e a Sabedoria Nobre s\u00e3o a Realidade Ultima, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do pensamento e portanto \u00e9 n\u00e3o nascida. Como &#8220;coisa&#8221; n\u00e3o h\u00e1 Mente Universal, n\u00e3o h\u00e1 Sabedoria Nobre nem h\u00e1 Realidade Ultima. A perspic\u00e1cia do s\u00e1bio que se move no reino de n\u00e3o imagem e da sua solid\u00e3o \u00e9 pura. Quer dizer; para o s\u00e1bio todas as &#8220;coisas&#8221; s\u00e3o remov\u00edveis e at\u00e9 o estado de n\u00e3o imagem deixa de existir.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_V_\"><\/a>Cap\u00edtulo V<\/p>\n<p>O Sistema Mental<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Santificado:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado suplicamos te que nos digas: o que se entende por mente (citta)?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cTodas as coisas deste mundo, sejam elas aparentemente boas ou ruins, defeituosas ou sem defeito, produtoras de efeito ou n\u00e3o produtoras de efeito, receptivas ou n\u00e3o receptivas, podem ser divididas em duas classes: as m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es e as boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es. Os cinco elementos do apego que comp\u00f5em os agregados da personalidade, denominados, forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, e consci\u00eancia, e que se imagina ser bom ou ruim, t\u00eam o seu aparecimento na energia do h\u00e1bito do sistema mental, s\u00e3o as m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es da vida. As realiza\u00e7\u00f5es espirituais e as alegrias dos Sam\u00e1dhis e a frutifica\u00e7\u00e3o dos Samapatis inerente ao s\u00e1bio, atrav\u00e9s da sua auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre e que culmina no seu regresso e participa\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es do mundo triplo, s\u00e3o chamadas as boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O sistema mental que \u00e9 a fonte das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es, consiste nos \u00f3rg\u00e3os dos cinco sentidos e da sua acompanhante, a mente dos sentidos (Vijnanas), sendo todos eles unificados na mente discriminativa (manovijnana). H\u00e1 uma sucess\u00e3o intermin\u00e1vel de conceitos sensoriais que fl\u00faem nesta discrimina\u00e7\u00e3o ou mente pensante, que os combinam, os separam e os julgam pela sua bondade ou maldade. Ent\u00e3o segue-se a avers\u00e3o ou o desejo deles, para o apego e a ac\u00e7\u00e3o; e assim os movimentos do sistema completo, movem-se cont\u00ednua e firmemente unidos. Mas fracassa em ver e entender, que o que v\u00ea, discrimina e se apega \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria actividade e que n\u00e3o t\u00eam qualquer fundamento, e assim a mente vai percebendo erradamente, separando diferen\u00e7as de formas e qualidades, sem permanecer calma e uniforme durante um minuto.<\/p>\n<p>No sistema mental distinguem-se tr\u00eas modelos de actividade: as mentes sensoriais que funcionam enquanto permanecem na sua natureza original, as mentes sensoriais como produtoras de efeitos, e as mentes sensoriais como desenvolvimento.<br \/>\nNo seu normal funcionamento, as mentes sensoriais apegam-se aos elementos apropriados do seu mundo externo, pelo qual, a sensa\u00e7\u00e3o e a percep\u00e7\u00e3o surgem imediatamente e por extens\u00e3o, em todos os \u00f3rg\u00e3os e em todas as mentes sensoriais, nos poros da pele, e at\u00e9 mesmo nos \u00e1tomos que comp\u00f5em o corpo pelo qual o campo inteiro \u00e9 apreendido como um espelho que reflecte objectos, e n\u00e3o percebendo que o pr\u00f3prio mundo externo \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o de mente<\/p>\n<p>O segundo modelo de actividade, produz efeitos pelos quais estas sensa\u00e7\u00f5es reagem na mente discriminativa, produzindo percep\u00e7\u00f5es, atrac\u00e7\u00f5es, avers\u00f5es, apegos, ac\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>O terceiro modelo de actividade, tem que ver com o crescimento, desenvolvimento e transcurso do sistema mental, quer dizer, o sistema mental est\u00e1 sujeito \u00e0 sua pr\u00f3pria energia do h\u00e1bito acumulada desde o tempo sem princ\u00edpio, como por exemplo: o &#8220;olhar&#8221; no olhar que predisp\u00f5e ao apego e que se prende a m\u00faltiplas formas e apar\u00eancias. Deste modo as actividades do sistema mental evoluindo por causa da sua energia do h\u00e1bito incita as ondas da objectividade, diante da Mente Universal, o qual uma ap\u00f3s outra, condicionam as actividades e o desenvolvimento do sistema mental.<br \/>\nApar\u00eancia, percep\u00e7\u00e3o, atrac\u00e7\u00e3o, apego, ac\u00e7\u00e3o, h\u00e1bito, reac\u00e7\u00e3o, condicionam-se uns aos outros incessantemente, e assim o funcionamento das mentes sensoriais, a mente discriminativa e a Mente Universal, s\u00e3o desta forma entrela\u00e7adas. Assim, por causa desta discrimina\u00e7\u00e3o que por natureza \u00e9 como Maya, a falsa imagina\u00e7\u00e3o irreal e o racioc\u00ednio err\u00f3neo acontecem, a ac\u00e7\u00e3o progride e a sua energia do h\u00e1bito acumula-se, poluindo atrav\u00e9s disso a face pura da Mente Universal, e como consequ\u00eancia o sistema mental entra em funcionamento e o corpo f\u00edsico tem a sua g\u00e9nese. Mas a mente discriminativa n\u00e3o pensa que pelas suas discrimina\u00e7\u00f5es e apegos est\u00e1 condicionando todo o corpo e assim as mentes sensoriais e a mente discriminativa v\u00e3o-se mutuamente relacionando e mutuamente condicionam-se de uma forma cada vez mais \u00edntima e construindo um mundo de rela\u00e7\u00f5es fora das atividades da sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. Como um espelho que reflecte as formas, os sentidos da percep\u00e7\u00e3o, percebem as apar\u00eancias que a mente discriminativa conjuntamente recolhe, e procede \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, nomeando as (dando-lhes nomes) e pegando-se a elas. Entre estas duas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 nenhum espa\u00e7o, n\u00e3o obstante, elas surgem mutuamente condicionantes.<br \/>\nOs sentidos da percep\u00e7\u00e3o apegam-se ao que eles t\u00eam afinidade, e h\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o que tem lugar na sua estrutura pelo qual a mente tem como resultado; combinar, discriminar, notificar, e actuar; ent\u00e3o prosseguir\u00e1 na sua energia do h\u00e1bito institucionalizando a mente e a sua continuidade.<\/p>\n<p>A mina de onde \u00e9 extra\u00edda a discrimina\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua capacidade para discriminar, julgar, seleccionar e argumentar sobre, tamb\u00e9m \u00e9 chamada a mente pensante, ou a mente intelectual.<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas divis\u00f5es da sua actividade mental: o pensamento que funciona em rela\u00e7\u00e3o ao apego a objectos e ideias, o pensamento que funciona em rela\u00e7\u00e3o a ideias gerais, e o pensamento que examina a validade destas ideias gerais.<\/p>\n<p>O pensamento que funciona em rela\u00e7\u00e3o ao apego, a objectos e ideias derivadas da discrimina\u00e7\u00e3o, separa a mente dos seus processos mentais e aceita as suas ideias como sendo reais e apega-se a elas. Chega-se assim a uma variedade de falsos julgamentos sobre multiplicidade, individualidade, valor, etc., e um forte apego toma lugar, o qual \u00e9 perpetuado pela energia do h\u00e1bito e assim a discrimina\u00e7\u00e3o vai-se afirmando a ela mesma.<br \/>\nEstes processos mentais, d\u00e3o origem a concep\u00e7\u00f5es gerais de calor, fluidez, mobilidade e solidez, como caracterizando os objectos de discrimina\u00e7\u00e3o, enquanto a tenaz sustenta\u00e7\u00e3o para estas ideias gerais, d\u00e1 origem \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 raz\u00e3o, \u00e0 defini\u00e7\u00e3o e ilustra\u00e7\u00e3o, todos os quais conduzem \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es de conhecimento relativo e ao estabelecimento da confian\u00e7a no nascimento, natureza pr\u00f3pria, e um eu alma.<\/p>\n<p>Por pensamento como uma fun\u00e7\u00e3o examinadora, significa o acto intelectual de examinar essas conclus\u00f5es gerais sobre a sua validade, significa\u00e7\u00e3o, e veracidade. Esta \u00e9 a faculdade que conduz ao entendimento, conhecimento correcto e aponta o caminho \u00e0 auto realiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Santificado:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado, imploramos-te que nos digas que rela\u00e7\u00e3o da ego personalidade produz o sistema mental?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cPara explicar isso, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio falar da natureza pr\u00f3pria, dos cinco agregados da avareza que comp\u00f5em a personalidade, embora como mostrei, eles sejam vazios, n\u00e3o nascidos, e sem natureza pr\u00f3pria. Estes cinco agregados de avareza s\u00e3o: forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia. Destes, a forma pertence ao que \u00e9 feito dos assim chamados elementos prim\u00e1rios, seja o que for que sejam. Os quatro agregados restantes s\u00e3o sem forma e n\u00e3o devem ser considerados como quatro, porque eles fundem se imperceptivelmente uns nos outros. S\u00e3o como o espa\u00e7o que n\u00e3o pode ser quantificado; \u00e9 s\u00f3 devido \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o que eles s\u00e3o discriminados e compar\u00e1veis ao espa\u00e7o. Porque as coisas est\u00e3o dotadas com a apar\u00eancia de ser, sinais caracter\u00edsticos, perceptibilidade, domic\u00edlio e trabalho, a pessoa pode dizer que elas nascem de causas que produzem efeitos, mas isto n\u00e3o pode ser dito destes quatro agregados intang\u00edveis, porque eles s\u00e3o sem sinais e sem marcas. Estes quatro agregados mentais que comp\u00f5em a personalidade, est\u00e3o al\u00e9m do c\u00e1lculo, al\u00e9m das quatro proposi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode dizer que existam ou que n\u00e3o existam, mas juntos, eles constituem o que \u00e9 conhecido como, a mente mortal . Eles s\u00e3o parecidos com Maya e a um sonho que s\u00e3o coisas, n\u00e3o obstante, como a mente mortal discriminat\u00f3ria, eles obstruem a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nMas \u00e9 s\u00f3 pelo ignorante que s\u00e3o enumerados e que os considera como uma personalidade pr\u00f3pria; o s\u00e1bio n\u00e3o faz isso.<br \/>\nEsta discrimina\u00e7\u00e3o dos cinco agregados que constitui a personalidade e que serve de base e fundamento a um ego alma e aos seus desejos e ego\u00edsmos, deve ser renunciada, e no seu lugar a verdade da n\u00e3o imagem e o isolamento devem ser estabelecidos.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Santificado:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado imploramos-te que nos fales sobre a Mente Universal e a sua rela\u00e7\u00e3o com o sistema mental inferior.\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cAs mentes sensoriais e a sua mente discriminativa, est\u00e3o relacionadas com o mundo externo, que \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de si mesmo e \u00e9 dado a perceber, discriminar, e apegar-se \u00e0s suas apar\u00eancias, da mesma forma que Maya. A Mente Universal (Alaya Vijnana) transcende toda a individualiza\u00e7\u00e3o e limites. A Mente Universal \u00e9 completamente pura na sua natureza essencial, conservando-se inalterada e livre de faltas de imperman\u00eancia, imperturb\u00e1vel pelo ego\u00edsmo, livre de emo\u00e7\u00f5es, agita\u00e7\u00f5es ou tens\u00f5es nervosas, distin\u00e7\u00f5es, desejos ou avers\u00f5es.<br \/>\nA Mente Universal \u00e9 como um grande oceano, a sua superf\u00edcie \u00e9 agitada por ondas e pelo aumento repentino destas, mas as suas profundezas permanecem sempre impass\u00edveis. Em si mesma \u00e9 destitu\u00edda de personalidade e de tudo aquilo que a esta pertence, mas por causa da constante polui\u00e7\u00e3o, a sua face \u00e9 como um actor que representa uma variedade de papeis entre os quais, uma mutua fun\u00e7\u00e3o toma lugar e o sistema mental nasce. O princ\u00edpio do pensamento torna-se dividido e as fun\u00e7\u00f5es mentais da mente, as m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es da mente, assumem a individualidade. Os sete passos graduais da mente aparecem: isto \u00e9, auto realiza\u00e7\u00e3o intuitiva, pensamento desejo discriminativo, vista, ouvido, gosto, cheiro, tacto, e todas as suas interac\u00e7\u00f5es e reac\u00e7\u00f5es levam ao seu aumento.<br \/>\nA mente discriminativa \u00e9 a causa das mentes sensoriais e \u00e9 quem as mant\u00e9m, quem com elas preserva o seu funcionamento como descrito e torna-se presa ao mundo dos objectos, e por onde atrav\u00e9s da sua energia do h\u00e1bito a Mente Universal se conspurca. Assim a Mente Universal torna-se o armaz\u00e9m e o \u00f3rg\u00e3o centralizador de todos os produtos acumulados do processo do pensamento e da ac\u00e7\u00e3o desde o tempo sem principio.<br \/>\nEntre a Mente Universal e a mente discriminativa individual est\u00e1 a mente intuitiva (manas) que \u00e9 dependente da Mente Universal para as sua causas e manuten\u00e7\u00e3o, e na rela\u00e7\u00e3o com ambas. Participa da universalidade da Mente Universal, compartilha a sua pureza, e como ela, est\u00e1 al\u00e9m da forma e dos momentos fugazes. \u00c9 pela mente intuitiva que a m\u00e1 emana\u00e7\u00e3o emerge, \u00e9 manifestado e \u00e9 percebido.<br \/>\nAfortunadamente essa intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 moment\u00e2nea, porque se o esclarecimento que vem da intui\u00e7\u00e3o fosse moment\u00e2neo, o s\u00e1bio perderia a sua &#8220;sabedoria&#8221;, coisa que n\u00e3o acontece. Mas a mente intuitiva entra em rela\u00e7\u00f5es com o sistema mental, compartilha as suas experi\u00eancias e reflecte-se nas suas atividades.<br \/>\nA mente intuitiva \u00e9 una com a Mente Universal por causa da sua participa\u00e7\u00e3o na Intelig\u00eancia Transcendental (Arya jnana), e \u00e9 una com o sistema mental pela sua compreens\u00e3o do conhecimento diferenciado (Vijnana). A mente intuitiva n\u00e3o tem corpo pr\u00f3prio, nem qualquer sinal pela qual possa ser diferenciada. A Mente Universal \u00e9 a sua causa e suporte, mas ela evolu\u00ed juntamente com a no\u00e7\u00e3o de um eu e o que a ele pertence, ao qual se agarra e no qual se reflecte. Pela mente intuitiva, pela faculdade de intui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um entrosamento de identidade e percep\u00e7\u00e3o, a inconceb\u00edvel sabedoria da Mente Universal \u00e9 revelada e realiz\u00e1vel.<br \/>\nComo a Mente Universal ela n\u00e3o pode ser a fonte do erro.<br \/>\nA mente discriminativa \u00e9 uma dan\u00e7arina e um m\u00e1gico com a actualidade do mundo objectivo. A mente\u2013intuitiva \u00e9 a s\u00e1bia boba da corte que viaja com o m\u00e1gico e reflecte a sua vacuidade e fugacidade. A Mente Universal mant\u00e9m o registro e sabe o que deve e o que pode ser. \u00c9 por causa das actividades da mente discriminativa que o erro surge e o mundo objectivo evolui e o reino de um ego alma \u00e9 estabelecido. Quando a mente discriminativa poder adquirir liberdade, todo o sistema mental deixar\u00e1 de funcionar e a Mente Universal permanecer\u00e1 s\u00f3. A aquisi\u00e7\u00e3o de liberdade por parte da mente discriminativa, remover\u00e1 a causa de todo o erro.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Santificado: \u201cAben\u00e7oado, imploramos te que nos digas: qual \u00e9 o significado da cessa\u00e7\u00e3o do sistema mental?\u201d<br \/>\nO Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cAs cinco fun\u00e7\u00f5es sensoriais e as suas fun\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias e pensantes, surgem e terminam completamente, momento a momento. Elas nascem com a discrimina\u00e7\u00e3o como causa, com forma, apar\u00eancia e objectividade unidas intimamente como condi\u00e7\u00e3o. O \u201cviverei\u201d \u00e9 a m\u00e3e e a ignor\u00e2ncia \u00e9 o pai.<br \/>\nDeterminando nomes, o desejo de posse da forma \u00e9 multiplicado e assim a mente vai condicionar e mutuamente ser condicionada. Ficando fixa a nomes e formas, n\u00e3o percebendo que elas n\u00e3o t\u00eam nenhuma base, que s\u00e3o as atividades da pr\u00f3pria mente, o erro e a falsa imagina\u00e7\u00e3o crescem, e o prazer e a dor surgem, e o caminho para a emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 bloqueado. O sistema inferior das mentes sensoriais e da mente discriminativa, realmente n\u00e3o sofrem prazer e ou dor elas somente imaginam isso. Prazer e dor s\u00e3o as reac\u00e7\u00f5es enganosas da mente mortal, como apego a um mundo objectivo imagin\u00e1rio.<br \/>\nH\u00e1 duas formas pelas quais a interrup\u00e7\u00e3o do sistema mental pode acontecer: considerando a forma, e considerando a continuidade. Os \u00f3rg\u00e3os dos sentidos funcionam considerando a forma pela interac\u00e7\u00e3o do contacto e apego; e eles deixam de funcionar quando este contacto se interromper.<br \/>\nQuanto \u00e0 considera\u00e7\u00e3o da continuidade, quando estas interac\u00e7\u00f5es da forma, contacto e apego cessarem, n\u00e3o h\u00e1 mais continuidade do ver, ouvir e outras fun\u00e7\u00f5es dos sentidos; com a interrup\u00e7\u00e3o destas fun\u00e7\u00f5es dos sentidos, as discrimina\u00e7\u00f5es, avidez e apegos da mente discriminativa cessam; e com o seu acto de interrup\u00e7\u00e3o, a ac\u00e7\u00e3o e a sua energia do h\u00e1bito cessam tamb\u00e9m, e n\u00e3o h\u00e1 mais acumula\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o karmica na apar\u00eancia da Mente Universal.<br \/>\nSe a evolu\u00e7\u00e3o da mente mortal fosse da mesma natureza da Mente Universal, a cessa\u00e7\u00e3o do sistema mental inferior significaria a cessa\u00e7\u00e3o da Mente Universal, mas elas s\u00e3o diferentes da Mente Universal porque esta n\u00e3o \u00e9 a causa da mente mortal.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nenhuma cessa\u00e7\u00e3o de Mente Universal na sua pura ess\u00eancia natureza. O que deixa de funcionar n\u00e3o \u00e9 a Mente Universal na sua ess\u00eancia natureza, mas a cessa\u00e7\u00e3o dos efeitos produtores das corrup\u00e7\u00f5es na sua superf\u00edcie, causadas pela acumula\u00e7\u00e3o da energia do h\u00e1bito das atividades da discrimina\u00e7\u00e3o e pensamentos da mente mortal.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 cessa\u00e7\u00e3o da Mente Divina que em si mesma, \u00e9 o domic\u00edlio da Realidade e a Matriz da Verdade.<br \/>\nPor cessa\u00e7\u00e3o das mentes sensoriais, significa, n\u00e3o a cessa\u00e7\u00e3o das suas fun\u00e7\u00f5es de percep\u00e7\u00e3o, mas a cessa\u00e7\u00e3o das actividades discriminativas e da identifica\u00e7\u00e3o que est\u00e3o centralizadas na mente mortal discriminativa.<br \/>\nPor cessa\u00e7\u00e3o do sistema mental completo, significa, a cessa\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o, a renuncia os v\u00e1rios apegos, e, ent\u00e3o, a renuncia \u00e0s corrup\u00e7\u00f5es da energia do h\u00e1bito na face da Mente Universal que tem se acumulado desde os tempos sem come\u00e7o, por causa destas discrimina\u00e7\u00f5es, apegos, racioc\u00ednios err\u00f3neos, e os consequentes actos.<br \/>\nPela cessa\u00e7\u00e3o da continua\u00e7\u00e3o do aspecto do sistema mental chamada, a mente mortal discriminativa, o mundo inteiro de Maya e os desejos desaparecem ao libertarem-se da mente mortal discriminativa. Com a cessa\u00e7\u00e3o da mente mortal, o mundo inteiro de Maya e o desejo desaparecem. Libertar-se da mente mortal discriminativa \u00e9 o Nirvana.<br \/>\nMas a cessa\u00e7\u00e3o da mente discriminativa n\u00e3o poder\u00e1 acontecer at\u00e9 haver uma &#8220;invers\u00e3o&#8221; no lugar mais intimo da consci\u00eancia. O h\u00e1bito mental da mente discriminativa de olhar superficialmente o mundo objectivo externo, deve ser abandonado, e um novo h\u00e1bito de perceber a Verdade dentro da mente intuitiva, tornando-a una com a Verdade em si mesma, deve ser estabelecido.<br \/>\nAt\u00e9 esta auto realiza\u00e7\u00e3o intuitiva de Sabedoria Nobre ser atingida, o sistema mental ir\u00e1 evoluindo. Mas quando o discernimento nos cinco Dharmas, nas tr\u00eas ego naturezas, e o n\u00e3o eu dualista for alcan\u00e7ado, ent\u00e3o o caminho ser\u00e1 aberto para esta &#8220;invers\u00e3o&#8221; acontecer.<br \/>\nCom o fim do prazer e da dor, de ideias contradit\u00f3rias, dos interesses ego\u00edstas perturbadores, ser\u00e1 atingido um estado de tranquilidade, no qual ser\u00e3o entendidas as verdades completas da emancipa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o haver\u00e1 nenhumas m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es do sistema mental a interferir com a perfeita auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"Cap\u00edtulo_VI_\"><\/a>Cap\u00edtulo VI<\/h3>\n<p>A Intelig\u00eancia Transcendental<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse: \u201cAben\u00e7oado, imploramos-te que nos digas, o que constitui a Intelig\u00eancia Transcendental?\u201d<br \/>\nO Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cA Intelig\u00eancia Transcendental \u00e9 o estado interno de auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre. \u00c9 percebida de repente e intuitivamente como uma \u201cinvers\u00e3o\u201d que tem lugar no mais intimo da consci\u00eancia; n\u00e3o entra nem sai, \u00e9 como a lua vista na \u00e1gua. A Intelig\u00eancia Transcendental n\u00e3o est\u00e1 sujeita ao nascimento nem \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o; n\u00e3o tem nada que ver com a combina\u00e7\u00e3o ou a concord\u00e2ncia; \u00e9 destitu\u00edda de apego e acumula\u00e7\u00e3o; transcende todos os conceitos de dualismo.<br \/>\nQuando a Intelig\u00eancia Transcendental \u00e9 considerada, quatro coisas devem ser mantidas em mente: palavras, significados, ensinamentos e a Sabedoria Nobre (Arya Prajna).<br \/>\nAs palavras s\u00e3o empregues para expressar significados, mas elas s\u00e3o dependentes das discrimina\u00e7\u00f5es e da mem\u00f3ria como causa, e no emprego de sons ou letras pelas quais uma transfer\u00eancia m\u00fatua de significado \u00e9 poss\u00edvel. Palavras s\u00e3o s\u00f3 s\u00edmbolos e podem ou n\u00e3o podem clara e completamente expressar o significado pretendido e, al\u00e9m disso, podem ser entendidas palavras bastante diferentes das que eram planeadas pelo orador. As palavras n\u00e3o s\u00e3o diferentes nem n\u00e3o diferentes do significado e do significado que substitui a mesma rela\u00e7\u00e3o para as palavras.<br \/>\nSe o significado \u00e9 diferente das palavras, ele n\u00e3o p\u00f4de ser manifestado por meio de palavras; mas o significado \u00e9 iluminado atrav\u00e9s das palavras como as coisas s\u00e3o atrav\u00e9s da luz. As palavras s\u00e3o como um homem que leva uma luz para localizar a sua propriedade pela qual ele pode dizer: esta \u00e9 a minha propriedade.<br \/>\nAssim, por meio das palavras e do discurso originados na discrimina\u00e7\u00e3o, o Bodhisattva pode entrar no significado dos ensinamentos dos Tath\u00e1gatas e pelo significado ele pode entrar no estado exaltado da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre que, em si mesma, \u00e9 livre de palavras discriminativas. Mas se um homem est\u00e1 preso ao significado literal das palavras e se apega \u00e0 ilus\u00e3o de que as palavras est\u00e3o em acordo, especialmente em tais coisas como o Nirvana que \u00e9 n\u00e3o nascido e n\u00e3o morre, ou sobre as distin\u00e7\u00f5es dos Ve\u00edculos, os cinco Dharmas e as tr\u00eas ego naturezas, ele ent\u00e3o n\u00e3o entender\u00e1 o verdadeiro significado e ser\u00e1 emaranhado em afirma\u00e7\u00f5es e refuta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nExactamente como a variedade de objectos s\u00e3o vistos e discriminados em sonhos e em vis\u00f5es, assim s\u00e3o discriminadas as ideias e as declara\u00e7\u00f5es erroneamente, e o erro vai-se multiplicando.<br \/>\nO ignorante e o ing\u00e9nuo declaram que o significado n\u00e3o \u00e9 outra coisa que palavras e como s\u00e3o as palavras, assim \u00e9 o significado.<br \/>\nEles pensam que, como o significado n\u00e3o tem corpo pr\u00f3prio n\u00e3o pode ser diferente das palavras e, ent\u00e3o, declaram ser o significado id\u00eantico \u00e0s palavras. Nisto, eles s\u00e3o ignorantes da natureza das palavras que est\u00e3o sujeitas ao nascimento e morte, apesar do significado n\u00e3o ser; as palavras s\u00e3o dependentes das letras mas o significado n\u00e3o est\u00e1; o significado, est\u00e1 fora de exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, n\u00e3o tem substrato, \u00e9 n\u00e3o nascido. Os Tath\u00e1gatas n\u00e3o ensinam um Dharma que \u00e9 dependente de letras. Qualquer um que ensine uma doutrina que \u00e9 dependente de letras e palavras \u00e9 um mero palrador, porque a Verdade est\u00e1 al\u00e9m das letras, das palavras e dos livros.<br \/>\nIsto n\u00e3o significa que as letras e os livros nunca declarem o que est\u00e1 em conformidade com o significado e a verdade, mas significa que as palavras e os livros s\u00e3o dependentes das discrimina\u00e7\u00f5es, enquanto o significando e a verdade n\u00e3o s\u00e3o; al\u00e9m disso, as palavras e os livros est\u00e3o sujeitos \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es das mentes individuais, enquanto o significando e a verdade n\u00e3o est\u00e3o.<br \/>\nMas se a Verdade n\u00e3o fosse expressa em palavras e livros, as escrituras que cont\u00eam o significado da Verdade desapareceriam, e quando as escrituras desaparecerem n\u00e3o haver\u00e1 mais disc\u00edpulos, mestres, Bodhisattvas e Buddhas, e n\u00e3o haver\u00e1 nada para ensinar.<br \/>\nMas ningu\u00e9m deve tornar-se prisioneiro das palavras das escrituras, porque at\u00e9 mesmo os textos can\u00f3nicos, \u00e0s vezes divergem no seu caminho inequ\u00edvoco, devido ao funcionamento imperfeito das mentes sencientes.<\/p>\n<p>Os discursos religiosos que s\u00e3o dados por mim e outros Tath\u00e1gatas em resposta \u00e0s variadas necessidades e f\u00e9s de todos os g\u00e9neros de seres, para os livrar da depend\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o do sistema-mental-pensamento, n\u00e3o s\u00e3o dados para tomarem o lugar da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre. Quando h\u00e1 o reconhecimento, que n\u00e3o h\u00e1 nada no mundo, mas o que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente, todas as discrimina\u00e7\u00f5es de dualismo ser\u00e3o descartadas e a verdade sem imagens ser\u00e1 entendida, e ser\u00e1 vista como estando em conformidade com o significado, e n\u00e3o com as palavras e as letras.<\/p>\n<p>O ignorante e o n\u00e9scio que est\u00e3o fascinados com as suas pr\u00f3prias imagina\u00e7\u00f5es e racioc\u00ednios err\u00f3neos, continuam dan\u00e7ando e saltando, mas s\u00e3o incapazes de entender o discurso atrav\u00e9s das palavras, sobre a verdade da auto realiza\u00e7\u00e3o, muito menos s\u00e3o eles capazes de entender a Verdade em si mesma. Agarrando-se ao mundo externo, eles agarram-se ao estudo de livros, que s\u00e3o s\u00f3 os meios, e n\u00e3o sabem averiguar a verdade da auto realiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a Verdade n\u00e3o minada pelas quatro proposi\u00e7\u00f5es. A auto realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um estado exaltado de realiza\u00e7\u00e3o interna que transcende todo o pensamento dual\u00edstico e que est\u00e1 alem do sistema mental com a sua l\u00f3gica, argumenta\u00e7\u00e3o, teoriza\u00e7\u00e3o, e ilustra\u00e7\u00f5es. Os Tath\u00e1gatas persuadem o ignorante, e encorajam os Bodhisattvas porque eles procuram a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, deixemos que cada disc\u00edpulo tome boa aten\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o se prenda \u00e0s palavras como estando em conformidade perfeita com o significado, porque a Verdade n\u00e3o est\u00e1 nas letras. Quando um homem com o seu dedo, aponta para alguma coisa ou algu\u00e9m, o dedo pode ser confundido com a coisa apontada; da mesma maneira que as crian\u00e7as, os ignorantes e os ing\u00e9nuos, s\u00e3o incapazes, at\u00e9 mesmo, no dia das suas mortes, abandonar a ideia, de que o dedo que aponta as palavras \u00e9 onde est\u00e1 o significado.<br \/>\nEles n\u00e3o podem perceber a Realidade \u00daltima por causa das suas inten\u00e7\u00f5es em se apegarem \u00e0s palavras, o qual era pretendido n\u00e3o ser mais que um dedo apontando. As palavras e a discrimina\u00e7\u00e3o delas, ligam a pessoa ao c\u00edrculo triste dos renascimentos no mundo do nascimento e morte; o significado mant\u00eam-se s\u00f3 e \u00e9 um guia para o Nirvana. O significado \u00e9 alcan\u00e7ado por muita aprendizagem, e esta \u00e9 obtida, tornando-se familiarizada com o significado e n\u00e3o com as palavras; ent\u00e3o, deixemos que os investigadores da verdade reverentemente venham at\u00e9 aos que s\u00e3o s\u00e1bios e evitem os defensores das palavras particulares.<\/p>\n<p>Quanto aos ensinamentos: h\u00e1 monges e pregadores populares que s\u00e3o dados a rituais e a cerim\u00f3nias e que s\u00e3o qualificados nos v\u00e1rios encantamentos e na arte da eloqu\u00eancia; eles n\u00e3o devem ser honrados, nem devemos reverenciar a sua presen\u00e7a, porque o que as pessoas ganham deles \u00e9 excita\u00e7\u00e3o emocional e prazer mundano; n\u00e3o \u00e9 o Dharma. Tais monges, pela sua manipula\u00e7\u00e3o inteligente de frases, palavras, v\u00e1rios racioc\u00ednios e encantamentos, sendo uns meros palradores como as crian\u00e7as, at\u00e9 algu\u00e9m reconhecer que n\u00e3o est\u00e3o em total acordo com a verdade, nem em harmonia com o significado, s\u00f3 servem para despertar os sentimentos e as emo\u00e7\u00e3o, enquanto estupidificam as mente.<br \/>\nComo eles n\u00e3o entendem o significado de todas as coisas, eles s\u00f3 confundem as mentes dos ouvintes com as vis\u00f5es dualistas deles. N\u00e3o entendendo, que n\u00e3o h\u00e1 nada mais que o que \u00e9 visto pela mente, e apegados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de uma ego natureza das coisas externas, e incapazes de conhecer o seu pr\u00f3prio caminho, eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma liberdade para oferecer aos outros. Assim, estes monges e pregadores populares, versados em v\u00e1rios encantamentos e qualificados na arte da eloqu\u00eancia, eles que nunca se emanciparam de tais calamidades como o nascimento, velhice, doen\u00e7a, tristeza, lamenta\u00e7\u00e3o, dor e desespero, conduzem o ignorante na confus\u00e3o, por meio das suas v\u00e1rias palavras, frases, exemplos, e conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 os fil\u00f3sofos materialistas. Nenhum respeito nem reconhecimento ser-lhes-\u00e3o mostrados, porque os seus ensinamentos apesar de poderem ser explicados por centenas de milhares de palavras e frases, n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m das preocupa\u00e7\u00f5es deste mundo e deste corpo que no fim conduzem ao sofrimento. Como os materialistas n\u00e3o reconhecem nenhuma verdade como existindo por si mesma, eles dividem-se em v\u00e1rias escolas cada uma das quais se apega ao seu pr\u00f3prio modo de argumentar.<br \/>\nMas h\u00e1 os que n\u00e3o pertencem ao materialismo e que n\u00e3o est\u00e3o sujeitos ao conhecimento dos fil\u00f3sofos que se agarram a falsas discrimina\u00e7\u00f5es e aos seus racioc\u00ednios err\u00f3neos, porque eles n\u00e3o v\u00eaem que, fundamentalmente, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma realidade nos objectos externos.<br \/>\nQuando \u00e9 reconhecido que n\u00e3o h\u00e1 nada, para al\u00e9m do que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente, a discrimina\u00e7\u00e3o de ser e n\u00e3o ser cessa e, assim n\u00e3o h\u00e1 um mundo externo de percep\u00e7\u00e3o de objectos, nada permanece, somente a Realidade.<br \/>\nIsto n\u00e3o pertence aos fil\u00f3sofos materialistas; \u00e9 o dom\u00ednio dos Tath\u00e1gatas.<\/p>\n<p>Se s\u00e3o imaginadas tais coisas como a vinda e ida do sistema mental, desaparecendo e aparecendo, solicita\u00e7\u00f5es, apegos, afectos intensos, uma hip\u00f3tese filos\u00f3fica, uma teoria, um lugar, um conceito sensorial, a atrac\u00e7\u00e3o at\u00f3mica, um organismo, o crescimento, a sede, essas coisas que pertencem ao materialismo, elas n\u00e3o s\u00e3o minhas. Isto s\u00e3o coisas, que s\u00e3o o objecto do interesse mundano, para serem sentidas, controladas e provadas; estas s\u00e3o as coisas que seduzem, aquelas que prendem ao mundo externo; estas s\u00e3o as coisas que aparecem nos elementos que comp\u00f5em os agregados da personalidade, onde, devido \u00e0 for\u00e7a reprodutora da lux\u00faria, surgem todos os tipos de desastres, nascimentos, tristezas, lamenta\u00e7\u00f5es, dores, desesperos, doen\u00e7as, velhices, e mortes. Todas estas coisas dizem respeito aos interesses e prazeres mundanos; elas mentem, no percurso do caminho dos fil\u00f3sofos, que n\u00e3o \u00e9 o caminho do dharma.<br \/>\nQuando o verdadeiro n\u00e3o ego das coisas e das pessoas \u00e9 compreendido, a discrimina\u00e7\u00e3o deixa de se afirmar; o sistema mental inferior deixa de funcionar; as v\u00e1rias fases do Bodhisattva s\u00e3o seguidas umas ap\u00f3s outras; o Bodhisattva pode proferir os dez votos inesgot\u00e1veis e \u00e9 ungido por todos os Buddhas. O Bodhisattva torna-se o mestre de si mesmo e de todas as coisas, em virtude de uma vida sem esfor\u00e7o espont\u00e2nea e brilhante. Assim o Dharma, que \u00e9 a Intelig\u00eancia Transcendental, transcende todas as discrimina\u00e7\u00f5es, todo o falso racioc\u00ednio, todos os sistemas filos\u00f3ficos, e todo o dualismo.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Santificado:<br \/>\n\u201c\u00c9 feita men\u00e7\u00e3o nas Escrituras \u00e0 Matriz envolvente do Tath\u00e1gata e \u00e9 ensinado que, o que nasce dela \u00e9 por natureza luminoso e puro, originalmente imaculado e dotado com as trinta duas marcas da excel\u00eancia. \u00c9 descrito como uma pedra preciosa, embrulhada numa pe\u00e7a de vestu\u00e1rio, suja pela gan\u00e2ncia, raiva, loucura e falsas imagina\u00e7\u00f5es. Somos instru\u00eddos de que esta natureza B\u00fadica imanente em todo o mundo, \u00e9 eterna, inalter\u00e1vel e auspiciosa. N\u00e3o \u00e9 isto que nasce da Matriz envolvente do Tathagata, o mesmo que a alma subst\u00e2ncia que \u00e9 ensinado pelos fil\u00f3sofos? O Divino Atman como ensinado por eles tamb\u00e9m \u00e9 reivindicado ser eterno, inescrut\u00e1vel, imut\u00e1vel, e imperec\u00edvel. H\u00e1, ou n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a?\u201d<\/p>\n<p>O Santificado respondeu:<br \/>\n\u201cN\u00e3o, Mahamati, a minha Matriz que abrange a Perfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 igual ao Divino Atman como \u00e9 ensinado pelos fil\u00f3sofos. O que eu ensino \u00e9 a Perfei\u00e7\u00e3o no sentido do Dharmakaya, a \u00daltima Unidade, o Nirvana, a vacuidade, o n\u00e3o nascido, o inqualific\u00e1vel, destitu\u00eddo de esfor\u00e7o. O motivo porque eu ensino a doutrina da Perfei\u00e7\u00e3o, \u00e9 provocar o ignorante e o ing\u00e9nuo, para que se afastem dos seus medos enquanto ouvem os ensinamentos do n\u00e3o ego e voltem ao estado de compreens\u00e3o da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e sem imagens.<br \/>\nO ensino religioso dos Tath\u00e1gatas \u00e9 como o de um oleiro que faz v\u00e1rios recipientes com uma massa de barro, pela habilidade das suas pr\u00f3prias m\u00e3os, com a ajuda da vara, \u00e1gua, e cordel; assim os Tath\u00e1gatas pelo seu comando de meios h\u00e1beis que emitem da Sabedoria Nobre, por v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, express\u00f5es, e s\u00edmbolos, pregam os v\u00e1rios aspectos do n\u00e3o ego para remover o \u00faltimo rasto de discrimina\u00e7\u00e3o que est\u00e1 impedindo os disc\u00edpulos de atingir a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<\/p>\n<p>A doutrina da Matriz do Tathagata, \u00e9 revelada, para despertar os fil\u00f3sofos que se apegam \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um Divino Atman, como personalidade transcendental, de forma que as suas mentes que foram presas \u00e0 no\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de &#8220;alma&#8221;, como sendo algum ego existente, possam ser rapidamente despertas para o estado do esclarecimento perfeito.<br \/>\nTodas estas no\u00e7\u00f5es como causa e efeito, sucess\u00e3o, \u00e1tomos, elementos prim\u00e1rios que comp\u00f5em a personalidade e a alma pessoal, Esp\u00edrito Supremo, Deus Soberano, Criador, \u00e9 tudo inven\u00e7\u00f5es da imagina\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es de mente.<br \/>\nN\u00e3o, Mahamati, a doutrina do Tathagata, da Matiz da Perfei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 igual ao Atman dos fil\u00f3sofos.<\/p>\n<p>\u00c9 dito que o Bodhisattva tem apreendido bem o ensinamento dos Tath\u00e1gatas, quando, completamente s\u00f3, num espa\u00e7o n\u00e3o frequentado pelos outros, atrav\u00e9s da sua Intelig\u00eancia Transcendental, percorre o caminho que conduz ao Nirvana. Nisto, a sua mente abrir-se-\u00e1, percebendo, pensando, meditando, e, n\u00e3o perecendo na pr\u00e1tica da concentra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que atinja a \u201cinvers\u00e3o\u201d da fonte da energia do h\u00e1bito, ele conduzir\u00e1 desde ent\u00e3o, uma vida de excelentes ac\u00e7\u00f5es. Com a mente concentrada no estado de Budidade, ele tornar-se-\u00e1 completamente familiarizado com a verdade nobre da auto realiza\u00e7\u00e3o; ele tornar-se-\u00e1 o mestre perfeito da sua pr\u00f3pria mente; ele ser\u00e1 como uma pedra preciosa que irradia muitas cores; ele poder\u00e1 assumir corpos de transforma\u00e7\u00e3o; ele poder\u00e1 entrar nas mentes de todos e ajud\u00e1-los; e finalmente, ascendendo gradualmente em todas as fases, ele residir\u00e1 na Intelig\u00eancia Transcendental perfeita dos Tath\u00e1gatas.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a Intelig\u00eancia Transcendental (Arya jnana) n\u00e3o \u00e9 a Sabedoria Nobre (Arya praj\u00f1a) mesma, \u00e9 somente uma consci\u00eancia intuitiva dela. A Sabedoria Nobre \u00e9 um estado perfeito sem imagens; \u00e9 a Matriz das &#8220;coisas como elas s\u00e3o&#8221;; \u00e9 a toda conservadora Mente Divina (Alaya Vijnana), que na sua pura Ess\u00eancia eternamente permanece em perfeita paci\u00eancia e tranquilidade imperturb\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"Cap\u00edtulo_VII_\"><\/a>Cap\u00edtulo VII<\/h3>\n<p>A Auto Realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse: \u201cAben\u00e7oado, diz nos, qual \u00e9 a natureza da Auto Realiza\u00e7\u00e3o pela qual seremos capazes de alcan\u00e7ar a Intelig\u00eancia Transcendental?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cA Intelig\u00eancia Transcendental, surge quando a mente intelectual alcan\u00e7a o seu limite e, se as coisas s\u00e3o para serem entendidas na sua verdadeira natureza e ess\u00eancia, os seus processos da actividade mental, que s\u00e3o baseados em ideias particularizadas, discriminat\u00f3rias e ju\u00edzos, devem ser transcendidas por um apelo a uma faculdade mais elevada da cogni\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que existe uma tal elevada faculdade. Na faculdade da mente intuitiva (Manas), que como vimos \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre a mente intelectual e a Mente Universal, temos essa faculdade. Embora ela n\u00e3o seja um \u00f3rg\u00e3o individualizado como a mente intelectual, ela tem algo muito melhor; depende directamente da Mente Universal. Enquanto a intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o que pode ser analisada e discriminada, ela d\u00e1 alguma coisa que \u00e9 mais superior, a auto realiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o. \u201c<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o perguntou ao Aben\u00e7oado, dizendo: \u201cPor favor diz-nos, Aben\u00e7oado, que compreens\u00f5es claras um disc\u00edpulo s\u00e9rio deve ter, para ser bem sucedido na disciplina que leva \u00e0 auto realiza\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 quatro coisas pelas quais um disc\u00edpulo sincero pode ganhar a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre e passar a ser um Bodhisattva Mahasattva:<br \/>\nPrimeiro, ele deve ter uma compreens\u00e3o clara, que todas as coisas, s\u00e3o s\u00f3 manifesta\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria mente;<br \/>\nem segundo lugar, ele deve descartar a no\u00e7\u00e3o de nascimento, perman\u00eancia e desaparecimento;<br \/>\nterceiro, ele deve entender claramente o n\u00e3o eu das coisas e das pessoas;<br \/>\ne quarto, ele deve ter uma verdadeira concep\u00e7\u00e3o do que constitui a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, com a condi\u00e7\u00e3o de que, com estas quatro compreens\u00f5es, os disc\u00edpulos s\u00e9rios podem ser Bodhisattvas e alcan\u00e7ar a Intelig\u00eancia Transcendental.<\/p>\n<p>Quanto ao primeiro; ele deve reconhecer e estar totalmente convencido, que este mundo triplo \u00e9 apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o complexa das atividades mentais do pr\u00f3prio; que est\u00e1 destitu\u00eddo de individualidade e do que a ela pertence; que n\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o, nenhuma chegada nem nenhuma partida. Ele deve reconhecer e aceitar o facto que este mundo triplo, \u00e9 manifestado e imaginado como verdadeiro, somente debaixo da influ\u00eancia da energia do h\u00e1bito, que foi acumulada desde o passado sem principio, pela mem\u00f3ria, falsa imagina\u00e7\u00e3o, falso racioc\u00ednio, e apegos \u00e0 multiplicidade dos objectos e reac\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas e em conformidade com as ideias de corpo propriedade e resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto ao segundo; ele deve reconhecer e estar convencido, que todas as coisas s\u00e3o para ser consideradas como formas vistas numa vis\u00e3o e num sonho, vazias de subst\u00e2ncia, n\u00e3o nascidas e sem natureza pr\u00f3pria; que todas as coisas existem somente pelo motivo de uma complicada rede de causa e efeito, que deve o seu surgimento \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e apego e que resulta no surgimento do sistema mental, possess\u00f5es e desenvolvimentos.<\/p>\n<p>Quanto ao terceiro; ele deve reconhecer e pacientemente aceitar o facto que a sua pr\u00f3pria mente e personalidade, tamb\u00e9m s\u00e3o constru\u00eddas pela mente, que \u00e9 vazia de subst\u00e2ncia, n\u00e3o nascida e sem ego. Com estas tr\u00eas coisas, claramente em mente, o Bodhisattva ser\u00e1 capaz de estabelecer a verdadeira n\u00e3o imagem.<\/p>\n<p>Quanto ao quarto; ele deve ter um conceito verdadeiro do que constitui a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nPrimeiro, n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com a percep\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada pela mente dos sentido, e nem \u00e9 compar\u00e1vel com a cogni\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o e da mente intelectual. Ambas pressup\u00f5em uma diferen\u00e7a entre ego e n\u00e3o ego e o conhecimento assim alcan\u00e7ado \u00e9 caracterizado pela individualidade e generalidade. A auto realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada na identidade e unidade; n\u00e3o h\u00e1 nada para ser discriminado nem declarado acerca dela. Mas estabelece que o Bodhisattva deve estar livre de todas as pressuposi\u00e7\u00f5es e apegos a coisas, a ideias e \u00e0 pr\u00f3pria identidade.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado: \u201cAben\u00e7oado, por favor diga-nos, acerca das caracter\u00edsticas dos apegos profundos \u00e0 exist\u00eancia, como podemos tornar-nos separados da exist\u00eancia?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cQuando cada um tenta entender a significa\u00e7\u00e3o das coisas por meio das palavras e discrimina\u00e7\u00f5es, segue-se um imensur\u00e1vel numero de opini\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es apegadas \u00e0 exist\u00eancia. Por exemplo: h\u00e1 apegos profundos a sinais da individualidade, \u00e0 causa e efeito, \u00e0 no\u00e7\u00e3o de ser e n\u00e3o ser, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o do nascimento e morte, da realiza\u00e7\u00e3o e da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o, do h\u00e1bito da pr\u00f3pria discrimina\u00e7\u00e3o da qual os fil\u00f3sofos dependem tanto.<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas apegos que s\u00e3o especialmente profundos nas mentes de todos: a gan\u00e2ncia, a raiva e a obsess\u00e3o, que s\u00e3o baseados na lux\u00faria, medo e orgulho. Estes s\u00e3o apoiados pela discrimina\u00e7\u00e3o, mentiras e desejos, que s\u00e3o procriadoras e acompanhadas pela excita\u00e7\u00e3o, avareza, e o amor ao conforto e o desejo da vida eterna; a consequ\u00eancia, \u00e9 uma sucess\u00e3o de renascimentos nos cinco caminhos da exist\u00eancia e a continua\u00e7\u00e3o aos apegos. Mas se esses apegos forem interrompidos, nenhum sinal de apego nem de desapego permanecer\u00e1, porque eles s\u00e3o baseados em coisas que s\u00e3o n\u00e3o existentes; quando esta verdade \u00e9 claramente entendida a rede do apego \u00e9 limpa.<\/p>\n<p>Mas dependendo da liga\u00e7\u00e3o \u00e0 combina\u00e7\u00e3o tripla que trabalha em un\u00edssono, h\u00e1 o surgimento e a continua\u00e7\u00e3o do sistema mental funcionando incessantemente, e que por causa dele, h\u00e1 a profunda convic\u00e7\u00e3o e a cont\u00ednua afirma\u00e7\u00e3o da vontade de viver. Quando a combina\u00e7\u00e3o tripla que causa o funcionamento do sistema da mente deixa de existir, h\u00e1 emancipa\u00e7\u00e3o tripla e n\u00e3o h\u00e1 apoio para o surgimento de qualquer outra combina\u00e7\u00e3o. Quando a exist\u00eancia e a inexist\u00eancia do mundo externo s\u00e3o reconhecidas como surgindo da pr\u00f3pria mente, ent\u00e3o o Bodhisattva est\u00e1 preparado para estabelecer o estado sem imagens e nisto, ver a vacuidade que caracteriza toda a discrimina\u00e7\u00e3o e todos os apegos profundos resultantes dele. Ali, ele n\u00e3o ver\u00e1 nenhum sinal enraizado de apego, nem de interesse nem desinteresse; ali ele n\u00e3o ver\u00e1 algu\u00e9m na escravid\u00e3o nem na emancipa\u00e7\u00e3o, esperar\u00e1 por aqueles, que eles mesmos t\u00eam prazer na escravid\u00e3o e na emancipa\u00e7\u00e3o, porque em todas as coisas n\u00e3o h\u00e1 &#8220;subst\u00e2ncia&#8221; a que se possa apegar.<br \/>\nMas enquanto estas discrimina\u00e7\u00f5es forem estimadas pelo ignorante e o ing\u00e9nuo, eles continuar\u00e3o ligados a si mesmos como os bichos da seda, desfiando os seus fios de discrimina\u00e7\u00f5es e envolvendo-se a si mesmos e aos outros, e estar\u00e3o encantados com a sua pris\u00e3o. Mas para o s\u00e1bio n\u00e3o h\u00e1 sinais de apego nem de desapego; todas as coisas s\u00e3o vistas como permanecendo num lugar solit\u00e1rio, onde n\u00e3o h\u00e1 nenhum desenvolvimento de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mahamati, tu e todos os Bodhisattvas devem permanecer de forma a poderem ver todas as coisas do ponto de vista da solid\u00e3o.<br \/>\nMahamati, quando tu e os outros Bodhisattvas entenderem bem, a distin\u00e7\u00e3o entre apego e desapego, voc\u00eas estar\u00e3o na posse dos meios h\u00e1beis para evitarem ficar atados \u00e0s palavras segundo as quais possam agarrar-se a significados. Livres da domina\u00e7\u00e3o das palavras voc\u00eas ser\u00e3o capazes de estabelecer onde haver\u00e1 uma \u201cinvers\u00e3o&#8221; no lugar mais profundo da consci\u00eancia por meio da qual alcan\u00e7ar\u00e3o a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre e ser\u00e3o capazes de entrar em todas as assembleias e terras Buda.<br \/>\nL\u00e1 ser\u00e3o selados com o selo dos poderes, do auto dom\u00ednio, das faculdades ps\u00edquicas, e dotados da sabedoria e do poder dos dez inexaur\u00edveis votos, e ficar\u00e3o radiantes nos raios variegados dos Corpos de Transforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCom isto voc\u00eas brilhar\u00e3o sem esfor\u00e7o como a lua, o sol, a j\u00f3ia de desejo m\u00e1gica, e em cada etapa ver\u00e3o coisas como sendo a unidade perfeita em si mesma, n\u00e3o contaminadas por qualquer auto consci\u00eancia.<br \/>\nVendo que todas as coisas se parecem com um sonho, ser\u00e3o capaz de entrar no est\u00e1gio do Tath\u00e1gatas sedo capazes de entregar os discursos no Dharma ao mundo dos seres, conforme as suas necessidades e ser\u00e3o capazes de libert\u00e1-los de todas as no\u00e7\u00f5es dual\u00edsticas e discrimina\u00e7\u00f5es falsas.<\/p>\n<p>Mahamati, h\u00e1 duas formas de considerar a auto realiza\u00e7\u00e3o, a saber; os ensinamentos acerca dela, e a realiza\u00e7\u00e3o em si mesma. Os diversos ensinamentos dados nas nove divis\u00f5es dos trabalhos doutrinais, para as instru\u00e7\u00f5es daqueles que est\u00e3o inclinados a segui-los, fazendo uso de expedientes e meios h\u00e1beis, s\u00e3o destinados, a despertar em todos os seres uma percep\u00e7\u00e3o verdadeira do Dharma. Os ensinamentos s\u00e3o projectados para manter afastadas todas as no\u00e7\u00f5es dual\u00edsticas de ser e n\u00e3o ser, unidade e diversidade.<br \/>\nA realiza\u00e7\u00e3o em si mesma est\u00e1 dentro da consci\u00eancia interior. Ela \u00e9 uma experi\u00eancia interior que n\u00e3o tem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o sistema mental inferior e as suas discrimina\u00e7\u00f5es de palavras, ideias e especula\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. Ela brilha com a sua pr\u00f3pria luz clara para revelar o erro e a loucura dos ensinamentos constru\u00eddos pela mente, tornar impotentes as influ\u00eancias mal\u00e9ficas vindas do exterior, e guiar-nos infalivelmente ao reino das boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMahamati, quando o disc\u00edpulo s\u00e9rio e o Bodhisattva est\u00e3o aprovisionados destas exig\u00eancias, o caminho est\u00e1 aberto \u00e0 obten\u00e7\u00e3o perfeita da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, e a receber o prazer m\u00e1ximo dos frutos que surgem da\u00ed.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Aben\u00e7oado, dizendo: \u201cPor favor diz-nos, qual o Ve\u00edculo que caracteriza a obten\u00e7\u00e3o da auto realiza\u00e7\u00e3o interior da Sabedoria Nobre?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cPara descartar mais facilmente as discrimina\u00e7\u00f5es e os racioc\u00ednios err\u00f3neos, o Bodhisattva deve retirar-se sozinho para um lugar tranquilo e isolado, onde ele possa reflectir interiormente, sem confiar em mais algu\u00e9m, e ali exercitar-se para executar os sucessivos desenvolvimentos ao longo das etapas; esta solid\u00e3o \u00e9 a caracter\u00edstica da obten\u00e7\u00e3o interior da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nChamo a isto o Ve\u00edculo \u00danico, n\u00e3o porque ele seja o Ve\u00edculo \u00danico, mas porque \u00e9 s\u00f3 na solid\u00e3o que cada um \u00e9 capaz de reconhecer e perceber o caminho do Ve\u00edculo \u00danico. Enquanto a mente estiver distra\u00edda e fazendo um esfor\u00e7o consciente, n\u00e3o pode haver nenhuma ac\u00e7\u00e3o conclusiva quanto aos v\u00e1rios ve\u00edculos; \u00e9 s\u00f3 quando a mente est\u00e1 sozinha e tranquila, que \u00e9 capaz de renunciar \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es do mundo externo e procurar a realiza\u00e7\u00e3o de um reino interior, onde n\u00e3o h\u00e1 nem ve\u00edculo, nem aquele que se faz transportar nele.<br \/>\nFalo dos tr\u00eas ve\u00edculos para guiar o ignorante. N\u00e3o falo demasiado acerca do Ve\u00edculo \u00danico, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum caminho pelo qual os disc\u00edpulos s\u00e9rios e os mestres, possam entender o Nirvana, sem ajuda. Segundo os discursos dos Tath\u00e1gatas, os disc\u00edpulos sinceros devem estar isolados, ser disciplinados, e treinados na medita\u00e7\u00e3o Dhyana, tendo como resultado que ser\u00e3o ajudados por muitos dispositivos e expedientes, para entenderem a emancipa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 por os disc\u00edpulos s\u00e9rios e os mestres n\u00e3o terem destru\u00eddo totalmente a energia do h\u00e1bito do carma e as obstru\u00e7\u00f5es do conhecimento discriminativo e da paix\u00e3o humana, que eles s\u00e3o muitas vezes incapazes de aceitar o n\u00e3o ego dual\u00edstico e a incompreens\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o da morte, que prego o ve\u00edculo triplo e n\u00e3o o Ve\u00edculo \u00danico.<br \/>\nQuando os disc\u00edpulos s\u00e9rios se livrarem de toda a sua m\u00e1 energia do h\u00e1bito e forem capazes de entender o n\u00e3o ego dual\u00edstico, ent\u00e3o eles n\u00e3o ser\u00e3o intoxicados pela felicidade do Sam\u00e1dhis e despertar\u00e3o no reino das boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es. Sendo despertados no reino das boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es, eles ser\u00e3o capazes de reunir todos os requisitos da obten\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, que est\u00e1 al\u00e9m do conceito e pertence ao poder soberano.<br \/>\nMas realmente, Mahamati, n\u00e3o h\u00e1 Ve\u00edculos, e assim eu falo do Ve\u00edculo \u00danico.<br \/>\nMahamati, o total reconhecimento do Ve\u00edculo \u00danico nunca foi alcan\u00e7ado por disc\u00edpulos s\u00e9rios, mestres, ou at\u00e9 pelo grande Brahma; foi alcan\u00e7ado s\u00f3 pelos pr\u00f3prios Tath\u00e1gatas. Esta \u00e9 a raz\u00e3o por que \u00e9 conhecido como Ve\u00edculo \u00danico. N\u00e3o falo muito dele porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum caminho, pelo qual os disc\u00edpulos s\u00e9rios possam entender o Nirvana sem serem ajudados. \u201c<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Aben\u00e7oado, dizendo: \u201cQuais s\u00e3o os passos que conduzir\u00e3o um disc\u00edpulo desperto, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\nO in\u00edcio, parte do reconhecimento que o mundo externo \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o das actividades da pr\u00f3pria mente, e que a mente agarra-se ao mundo externo simplesmente por causa do seu h\u00e1bito de discrimina\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio falso.<br \/>\nO disc\u00edpulo deve adoptar o costume de ver as coisas com realidade .<br \/>\nEle deve reconhecer o facto de que o mundo n\u00e3o tem nenhuma natureza pr\u00f3pria, que \u00e9 n\u00e3o nascido, que ele se parece com uma nuvem que passa, como uma roda imagin\u00e1ria, feita por um ti\u00e7\u00e3o girat\u00f3rio, como o castelo de Gandharvas, como a lua reflectida no oceano, como uma vis\u00e3o, uma miragem, um sonho.<br \/>\nEle deve envolver-se no entendimento de que a mente na sua natureza essencial n\u00e3o tem nada que ver com a discrimina\u00e7\u00e3o nem com a causa efeito; ele n\u00e3o deve escutar discursos baseados em termos e qualifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias; ele deve entender que a Mente Universal na sua ess\u00eancia pura \u00e9 um estado sem imagens, e que, \u00e9 s\u00f3 por causa das contamina\u00e7\u00f5es acumuladas na sua superf\u00edcie, que o corpo-propriedade-resid\u00eancia parece ser as suas manifesta\u00e7\u00f5es, que na sua pr\u00f3pria natureza pura, n\u00e3o \u00e9 afectada e n\u00e3o \u00e9 estimulada por tais modifica\u00e7\u00f5es como surgimento, perman\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o; ele deve entender totalmente, que todas essas coisas v\u00eam com o despertar da no\u00e7\u00e3o de uma alma, de um ego e a da sua mente consciente.<\/p>\n<p>Por isso, Mahamati, deixe aqueles disc\u00edpulos que desejam realizar a Sabedoria Nobre seguir o Ve\u00edculo Tath\u00e1gata desistir de toda a discrimina\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio err\u00f3neo sobre tais no\u00e7\u00f5es, como os elementos que comp\u00f5em os agregados da personalidade e o seu mundo dos sentidos ou sobre tais ideias como causa e efeito, o surgimento a perman\u00eancia, a destrui\u00e7\u00e3o, e exercitarem-se na disciplina de Dhyana que leva \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nPara praticar Dhyana, o disc\u00edpulo s\u00e9rio deve retirar-se para um lugar tranquilo e solit\u00e1rio, lembrando-se que os h\u00e1bitos da longa vida do pensamento discriminativo, n\u00e3o podem ser, nem f\u00e1cil, nem rapidamente interrompidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro esp\u00e9cies de medita\u00e7\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o (Dhyana):<br \/>\na Dhyana praticada pelo ignorante;<br \/>\na Dhyana dedicada ao exame do significado;<br \/>\na Dhyana com a &#8220;Qualidade\/Essencial \u2013 as coisas como elas s\u00e3o&#8221; (Tathata) pelo seu objecto;<br \/>\ne a Dhyana dos Tath\u00e1gatas.<\/p>\n<p>A Dhyana praticada pelo ignorante, \u00e9 aquele que \u00e9 utilizado pelos que seguem o exemplo dos disc\u00edpulos e mestres, mas que n\u00e3o entendem o seu objectivo e, por isso, ficam &#8220;estaticamente sentados&#8221; com as mentes vazias.<br \/>\nEste Dhyana \u00e9 praticada, tamb\u00e9m, por aqueles que, desprezando o corpo, o v\u00eaem como uma sombra e um esqueleto, cheio de sofrimentos e impurezas, que aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um ego e que procuram alcan\u00e7ar a emancipa\u00e7\u00e3o pela mera cessa\u00e7\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>A Dhyana dedicada ao exame do significado, \u00e9 o praticado por aqueles que, percebendo a n\u00e3o sustentabilidade de ideias tais como, eu, outro e ambos, que s\u00e3o mantidos pelos fil\u00f3sofos, e que passaram al\u00e9m do n\u00e3o eu dualista, dedicam a Dhyana ao exame do significado do n\u00e3o eu e \u00e0s diferencia\u00e7\u00f5es das etapas dos Bodhisattvas.<\/p>\n<p>A Dhyana com Tathata, ou &#8220;Qualidade\/Essencial&#8221;, ou Unidade, ou Nome Divino, pelo seu objecto, \u00e9 praticado por aqueles disc\u00edpulos s\u00e9rios e mestres que, reconhecendo completamente o n\u00e3o ego dualista e a sem imagem do Tathata, ainda aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um Tathata \u00faltimo.<\/p>\n<p>A Dhyana dos Tath\u00e1gatas \u00e9 a Dhyana daqueles que est\u00e3o entrando na etapa do Tath\u00e1gata Perfeito e que, permanecendo na felicidade tripla, que caracteriza a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, est\u00e3o-se dedicando, por causa de todos os seres, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos incompreens\u00edveis \u00e0 sua emancipa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsto \u00e9 a Dhyana pura dos Tath\u00e1gatas. Quando todas as coisas menores e as ideias s\u00e3o transcendidas e esquecidas, e l\u00e1 permanece somente um estado perfeito, sem imagens onde o Tath\u00e1gata e o Tathata s\u00e3o fundidos na Unidade perfeita, ent\u00e3o os Buddhas vir\u00e3o em conjunto de todas as suas terras Buda e com m\u00e3os brilhantes que pousar\u00e3o na sua testa dar\u00e3o as boas vindas ao novo Tath\u00e1gata. &#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_VIII\"><\/a>Cap\u00edtulo VIII<\/p>\n<p>A Obten\u00e7\u00e3o da Auto Realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado: \u201cPedimos-te que nos fales mais, acerca do que constitui o estado da auto realiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cNa vida de um disc\u00edpulo s\u00e9rio h\u00e1 dois aspectos que devem ser distinguidos, a saber: o estado do apego \u00e0 auto compreens\u00e3o que resulta da sua discrimina\u00e7\u00e3o e o seu campo da consci\u00eancia com o qual ele est\u00e1 relacionado, e segundo; o estado excelente e exaltado da auto compreens\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nO estado de apego \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es da auto compreens\u00e3o das coisas, ideias, e ego\u00edsmo, \u00e9 acompanhado por emo\u00e7\u00f5es de prazer ou avers\u00e3o segundo a experi\u00eancia ou como estabelecido nos livros da l\u00f3gica. Conformando-se ele mesmo com o n\u00e3o ego das coisas e retendo pontos de vista incorrectos quanto ao seu pr\u00f3prio n\u00e3o eu, ele deve abandonar esses pensamentos e manter-se firme na continua ascens\u00e3o das etapas.<\/p>\n<p>O estado exaltado da auto compreens\u00e3o tal como ele se relaciona com um verdadeiro disc\u00edpulo, \u00e9 um estado de concentra\u00e7\u00e3o mental na qual ele procura identificar-se com a Sabedoria Nobre. Nesse estado de concentra\u00e7\u00e3o ele deve procurar aniquilar todos os pensamentos vagabundos e no\u00e7\u00f5es pertencentes \u00e0 exterioridade das coisas, e todas as ideias de individualidade e generalidade, de sofrimento e imperman\u00eancia, e cultivar as ideias nobres de n\u00e3o ego, vacuidade e n\u00e3o imagens; assim ele alcan\u00e7ar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o da verdade que \u00e9 livre de paix\u00e3o e est\u00e1 sempre serena. Quando este esfor\u00e7o activo na concentra\u00e7\u00e3o mental \u00e9 pr\u00f3spero, segue-se um estado mais passivo, receptivo de Sam\u00e1dhi, no qual o verdadeiro disc\u00edpulo entrar\u00e1 no domicilio feliz da Sabedoria Nobre e experimentar\u00e1 a culmina\u00e7\u00e3o nas transforma\u00e7\u00f5es do Samapatti. Isto \u00e9 a primeira experi\u00eancia de um disc\u00edpulo verdadeiro no estado exaltado da realiza\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 aqui, ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhum abandono da energia do h\u00e1bito nem fuga da transforma\u00e7\u00e3o da morte.<\/p>\n<p>Tendo alcan\u00e7ado este estado exaltado e feliz da realiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 onde pode ser alcan\u00e7ado por disc\u00edpulos, o Bodhisattva n\u00e3o deve dar-se a si mesmo, ao prazer<br \/>\nda felicidade, j\u00e1 que isto significaria a cessa\u00e7\u00e3o, mas deve pensar compassivamente nos outros seres e manter a vitalidade e energia dos seus votos originais; ele nunca deve permitir-se descansar nem empenhar-se em manter a felicidade do Sam\u00e1dhi.<\/p>\n<p>Mas, Mahamati, como os disc\u00edpulos verdadeiros continuam tentando avan\u00e7ar no caminho que leva \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o total, h\u00e1 um perigo contra o qual eles devem estar de guarda. Os disc\u00edpulos podem n\u00e3o reconhecer que o sistema mental, por causa da sua energia do h\u00e1bito acumulada, continua a funcionar, mais ou menos inconscientemente, enquanto eles vivem.<br \/>\nEles podem \u00e0s vezes pensar, que podem apressar a obten\u00e7\u00e3o do seu objectivo de tranquilidade, suprimindo inteiramente as atividades do sistema mental. Isto \u00e9 um erro, porque mesmo que as atividades da mente sejam suprimidas, a mente ainda continuar\u00e1 a funcionar, porque as sementes da energia do h\u00e1bito continuam a permanecer nela.<br \/>\nO que eles pensam que \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da mente, \u00e9 realmente o n\u00e3o funcionamento do mundo externo da mente, ao qual eles n\u00e3o est\u00e3o mais apegados. Isto \u00e9, o objectivo da tranquiliza\u00e7\u00e3o deve ser obtido, n\u00e3o suprimindo toda a actividade da mente mas livrando-se das discrimina\u00e7\u00f5es e apegos.<\/p>\n<p>Subsequentemente h\u00e1 outros que, receosos dos sofrimento ocasionados pelas discrimina\u00e7\u00f5es da vida e da morte, imprudentemente buscam o Nirvana. Eles chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que todas as coisas sujeitas \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam nenhuma realidade e assim imaginam que o Nirvana deve consistir na aniquila\u00e7\u00e3o dos sentidos e dos seus dom\u00ednios das sensa\u00e7\u00f5es; eles n\u00e3o compreendem que o nascimento, a morte e o Nirvana n\u00e3o est\u00e3o separados uns dos outros.<br \/>\nEles n\u00e3o sabem que o Nirvana \u00e9 a Mente Universal na sua pureza. Por isso, esses est\u00fapidos que aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o, de que o Nirvana \u00e9 um mundo por si mesmo, que est\u00e1 fora do que \u00e9 visto pela mente, ignorando todos os ensinamentos dos Tath\u00e1gatas acerca do mundo externo, continuam rodando ao longo da roda do nascimento e morte.<br \/>\nMas quando eles experimentarem a &#8220;invers\u00e3o&#8221; na sua consci\u00eancia mais profunda, que trar\u00e1 com ela a perfeita auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, ent\u00e3o eles entender\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro funcionamento da mente \u00e9 muito subtil e dif\u00edcil de ser entendido pelos novos disc\u00edpulos, e at\u00e9 os mestres com todos os seus poderes do conhecimento correcto e Sam\u00e1dhis, muitas vezes encontram dificuldades de entendimento.<br \/>\nSomente os Tath\u00e1gatas e os Bodhisattvas que est\u00e3o firmemente estabilizados no s\u00e9tima est\u00e1gio, s\u00e3o os que podem entender totalmente como ela trabalha. Aqueles disc\u00edpulos verdadeiros e os mestres que desejam entender totalmente todos os aspectos das etapas diferentes do Bodhisattva Perfeito pela ajuda do seu conhecimento correcto, devem tornar-se completamente convencidos de que os objectos de discrimina\u00e7\u00e3o, s\u00f3 s\u00e3o vistos, como parecem, pela mente e, assim, manterem-se afastados de todas as discrimina\u00e7\u00f5es e falsos racioc\u00ednios, que est\u00e3o tamb\u00e9m na pr\u00f3pria mente, procurando ver sempre as coisas verdadeiramente (yathabhutam), e plantando as ra\u00edzes da bondade em terras Buda que n\u00e3o conhecem nenhum limite cometido por diferencia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para fazer tudo isso, o Bodhisattva deve manter-se longe de todos os tumultos, excita\u00e7\u00f5es sociais e sonol\u00eancia; deixemos que se mantenha fora dos tratados e das escritas dos fil\u00f3sofos mundanos, do ritual e das cerim\u00f3nias do poder sacerdotal profissional. Deixemo-lo retirar-se para um lugar isolado na floresta, e l\u00e1 dedicar-se \u00e0 pr\u00e1tica das v\u00e1rias disciplinas espirituais, porque, s\u00f3 assim fazendo ele ser\u00e1 capaz de obter neste mundo de multiplicidades, um discernimento verdadeiro no trabalho da Mente Universal, na sua Ess\u00eancia.<br \/>\nAli, rodeado dos seus bons amigos, os Buddhas, os disc\u00edpulos verdadeiros ficar\u00e3o capazes de entender o significado do sistema mental e o seu lugar como agente mediador, entre o mundo externo e a Mente Universal, e ser\u00e1 capaz de cruzar o oceano do nascimento e morte, que surge da ignor\u00e2ncia, desejo e ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tendo ganho uma compreens\u00e3o completa do sistema mental, as tr\u00eas naturezas pr\u00f3prias do n\u00e3o ego dualista, e obtido em si mesmo, na medida da sua realiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria que vai com aquela obten\u00e7\u00e3o, todos os quais podem ser ganhos pelo seu conhecimento correcto, o caminho ser\u00e1 claro para o novo avan\u00e7o do Bodhisattva ao longo das etapas do Bodhisattva Perfeito. O disc\u00edpulo deve ent\u00e3o abandonar a compreens\u00e3o da mente, que ele obteve pelo conhecimento correcto, e que em compara\u00e7\u00e3o com a Sabedoria Nobre parece-se com um burro coxo, e entrar na oitava etapa do Bodhisattva Perfeito, ele deve ent\u00e3o disciplinar-se na Sabedoria Nobre segundo os seus tr\u00eas aspectos.<\/p>\n<p>Esses aspectos s\u00e3o:<br \/>\nPrimeiro, a n\u00e3o imagem, que vem quando todas as coisas que pertencem ao discipulado, mestrado e filosofia, s\u00e3o completamente dominadas.<br \/>\nEm segundo lugar, o poder acrescentado por todos os Buddhas derivado dos seus votos originais incluindo a identifica\u00e7\u00e3o das suas vidas e a reparti\u00e7\u00e3o dos seus m\u00e9ritos com todas as vidas sens\u00edveis.<br \/>\nTerceiro, a auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita, que at\u00e9 aqui, s\u00f3 foi entendida na medida em que o Bodhisattva tem sucesso em separar-se por si mesmo de examinar todas as coisas, incluindo o seu pr\u00f3prio imaginado n\u00e3o ego, na sua fenomenalidade, e perceber os estados de Sam\u00e1dhi e Samapatti pelo qual ele inspecciona o mundo como uma vis\u00e3o e um sonho, e ser admitido por todos os Buddhas, ele ser\u00e1 capaz de passar \u00e0 completa obten\u00e7\u00e3o da etapa do Tath\u00e1gata, que \u00e9 a pr\u00f3pria Sabedoria Nobre. Isto \u00e9 a triplicidade da vida nobre e estando equipado com esta triplicidade, a auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre foi alcan\u00e7ada.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Aben\u00e7oado, dizendo: \u201cAben\u00e7oado, a purifica\u00e7\u00e3o, das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es da mente, que aderem \u00e0s no\u00e7\u00f5es de um mundo objectivo e a uma alma emp\u00edrica, \u00e9 gradual ou instant\u00e2nea?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 tr\u00eas fluxos caracter\u00edsticos da mente, a saber; a das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es que surgem do desejo, avidez e apego; a das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es que resulta das ilus\u00f5es da mente e das obsess\u00f5es do ego\u00edsmo; e a das boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es que resultam da Sabedoria Nobre.<\/p>\n<p>As m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es que reconhecem um mundo externo, que na realidade \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o da mente, e que ficam presas a elas, s\u00e3o gradualmente e n\u00e3o instantaneamente purificadas. O bom comportamento s\u00f3 pode vir pelo caminho da restri\u00e7\u00e3o e do esfor\u00e7o. \u00c9 como o oleiro que faz potes, que s\u00e3o feitos gradualmente com aten\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o. \u00c9 parecido com o dom\u00ednio da com\u00e9dia, dan\u00e7a, canto, tocador de ala\u00fade, escrita, e qualquer outra arte; deve ser adquirido gradual e laboriosamente. A sua recompensa ser\u00e1 um discernimento claro, da vacuidade e da transi\u00e7\u00e3o de todas as coisas.<\/p>\n<p>As m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es que resultam das ilus\u00f5es da mente e das obsess\u00f5es do ego\u00edsmo, dizem directamente respeito \u00e0 vida mental e s\u00e3o coisas tais como, medo, raiva, \u00f3dio e orgulho; esses s\u00e3o purificados pelo estudo e medita\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, deve ser alcan\u00e7ado gradualmente e n\u00e3o instantaneamente. \u00c9 parecido com o fruto \u2018amra\u2019 que amadurece lentamente; \u00e9 parecido com o pasto, arbustos, ervas e \u00e1rvores que crescem da terra gradualmente.<br \/>\nCada um deve seguir o caminho de estudo e medita\u00e7\u00e3o por si mesmo, gradualmente e com esfor\u00e7o, mas por causa dos votos originais dos Bodhisattvas e de todos os Tath\u00e1gatas que dedicaram os seus m\u00e9ritos, e identificaram as suas vidas com toda a vida animada, todos podem ser emancipados, eles n\u00e3o est\u00e3o sem ajuda nem encorajamento; mas at\u00e9 com a ajuda dos Tath\u00e1gatas, a purifica\u00e7\u00e3o das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es da mente, \u00e9 no melhor dos casos, lenta e gradual, necessitando tanto de zelo como de paci\u00eancia.<br \/>\nA sua recompensa \u00e9 a compreens\u00e3o gradual do n\u00e3o eu dualista, da sua aceita\u00e7\u00e3o paciente, e dos p\u00e9s bem assentes nas etapas do Bodhisattva Perfeito.<\/p>\n<p>Mas as boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es, associados \u00e0 auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, s\u00e3o uma purifica\u00e7\u00e3o que vem instantaneamente pela gra\u00e7a dos Tath\u00e1gatas. \u00c9 parecido com um espelho que reflecte todas as formas e imagens instantaneamente e sem discrimina\u00e7\u00e3o; \u00e9 parecido com o sol ou a lua que revela todas as formas instantaneamente e ilumina-os imparcialmente com a sua luz.<br \/>\nDo mesmo modo, os Tath\u00e1gatas conduzem os disc\u00edpulos verdadeiros a um estado de n\u00e3o imagens; todas as acumula\u00e7\u00f5es de energia do h\u00e1bito e carma, que se tinham estado a reunir desde os tempos sem princ\u00edpio por causa do apego e pontos de vista err\u00f3neos que foram ocupados com uma alma ego e o seu mundo externo, s\u00e3o limpas, revelando instantaneamente o reino da Intelig\u00eancia Transcendental que pertence \u00e0 Budidade.<br \/>\nAssim como a Mente Universal, contaminada pelas acumula\u00e7\u00f5es da energia do h\u00e1bito e do carma, revela as multiplicidades dos ego almas e dos seus mundos externos de falsas imagina\u00e7\u00f5es, assim tamb\u00e9m a Mente Universal limpa das suas corrup\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da gradual purifica\u00e7\u00e3o das m\u00e1s emana\u00e7\u00f5es, que vem pelo esfor\u00e7o, estudo e medita\u00e7\u00e3o, e pela gradual auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, no final, como o Dharmata Buda que brilha espontaneamente, com os raios que s\u00e3o emitidos da sua Auto natureza pura, brilha instantaneamente.<br \/>\nPor ela a mentalidade de todos os Bodhisattvas \u00e9 amadurecida instantaneamente: eles encontram-se nas resid\u00eancias palacianas dos c\u00e9us Akanishtha, irradiando de si pr\u00f3prios, espontaneamente ,v\u00e1rios tesouros da sua abund\u00e2ncia espiritual. &#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"Cap\u00edtulo_IX_\"><\/a>Cap\u00edtulo IX<\/h3>\n<p>O Fruto da Auto Realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mahamati perguntou ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cImploramos-te que nos digas, qual \u00e9 o fruto que vem com a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cPrimeiro, vir\u00e1 um discernimento de compensa\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia e significado das coisas e depois disto, vir\u00e1 um discernimento que se abre na significa\u00e7\u00e3o dos ideais espirituais (Paramitas) pelo qual os Bodhisattvas ser\u00e3o capazes de entrar mais profundamente na perman\u00eancia da n\u00e3o imagem e ser\u00e3o capazes de experimentar os mais altos Sam\u00e1dhis e gradualmente passar pelas mais altas etapas do Bodhisattva Perfeito.<br \/>\nDepois de experimentar a &#8220;invers\u00e3o&#8221; no lugar mais profundo da consci\u00eancia, eles experimentar\u00e3o outros Sam\u00e1dhis at\u00e9 ao mais alto, o Vajravimbopama, que pertence aos Tath\u00e1gatas e \u00e0s suas transforma\u00e7\u00f5es. Eles ser\u00e3o capazes de entrar no reino da consci\u00eancia que est\u00e1 al\u00e9m da consci\u00eancia do sistema mental, at\u00e9 mesmo na consci\u00eancia do Tath\u00e1gata Perfeito. Eles ficar\u00e3o dotados de todos os poderes, faculdades ps\u00edquicas, auto dom\u00ednio, compaix\u00e3o amorosa, meios h\u00e1beis, e capacidade de fazer parte de outras terras Buda. Antes de terem alcan\u00e7ado a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, tinham estado sob o efeito dos interesses pr\u00f3prios do ego\u00edsmo, mas depois de alcan\u00e7arem a auto realiza\u00e7\u00e3o eles mesmos encontrar\u00e3o reac\u00e7\u00e3o espontaneamente aos impulsos de um cora\u00e7\u00e3o grande e compassivo, dotado dos meios h\u00e1beis e ilimitados, sincera e inteiramente dedicados \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati disse: \u201cAben\u00e7oado, fala-nos do poder de sustenta\u00e7\u00e3o dado pelos Tath\u00e1gatas pelo qual os Bodhisattvas s\u00e3o ajudados, para alcan\u00e7ar a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 duas esp\u00e9cies de poder sustentador, que emanam dos Tath\u00e1gatas e est\u00e3o ao servi\u00e7o dos Bodhisattvas, sustenta\u00e7\u00e3o pelo qual os Bodhisattvas devem prostrar-se na presen\u00e7a deles e mostrar o seu apre\u00e7o fazendo perguntas.<br \/>\nA primeira esp\u00e9cie de poder sustentador \u00e9 a pr\u00f3pria adora\u00e7\u00e3o do Bodhisattva e a f\u00e9 nos Buddhas, pelo qual os Buddhas s\u00e3o capazes de se manifestar, dar a sua ajuda e orden\u00e1-los com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<br \/>\nA segunda esp\u00e9cie de poder sustentador \u00e9 o poder que irradia dos Tath\u00e1gatas que permite aos Bodhisattvas alcan\u00e7ar e passar por v\u00e1rios Sam\u00e1dhis e Samapattis sem ficarem intoxicados pela sua felicidade.<br \/>\nSendo sustentado pelo poder dos Buddhas, o Bodhisattva, at\u00e9 na primeira etapa, ser\u00e1 capaz de alcan\u00e7ar o Sam\u00e1dhi conhecido como a Luz de Mahayana.<br \/>\nNeste Sam\u00e1dhi, os Bodhisattvas tornam-se conscientes da presen\u00e7a dos Tath\u00e1gatas, vindos de todas as suas diferentes resid\u00eancias das dez regi\u00f5es para comunicar aos Bodhisattvas o seu poder sustentado nas v\u00e1rias formas.<br \/>\nComo o Bodhisattva Vajragarbha foi sustentado nos seus Sam\u00e1dhis e como muitos outros Bodhisattvas de grau e virtude semelhantes t\u00eam sido sustentados, assim todos os verdadeiros disc\u00edpulos, mestres e Bodhisattvas, podem experimentar este poder sustentado dos Buddhas nos seus Sam\u00e1dhis e Samapattis.<br \/>\nA f\u00e9 do disc\u00edpulo e o m\u00e9rito dos Tath\u00e1gatas s\u00e3o dois aspectos do mesmo poder de sustenta\u00e7\u00e3o e, por isso, sozinhos, s\u00e3o os Bodhisattvas capazes de se tornarem um tendo a companhia do Buddhas.<\/p>\n<p>Quaisquer Sam\u00e1dhis, faculdades ps\u00edquicas e ensinamentos s\u00e3o conhecidos pelos Bodhisattvas, eles s\u00e3o poss\u00edveis s\u00f3 pelo poder de sustenta\u00e7\u00e3o dos Buddhas; se fosse de outra maneira, o ignorante e o idiota poderiam alcan\u00e7ar o mesmo resultado. Onde quer que os Tath\u00e1gatas entrem com o seu poder de sustenta\u00e7\u00e3o haver\u00e1 m\u00fasica, n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica feita pelos l\u00e1bios humanos e tocada pelo ser humano atrav\u00e9s dos v\u00e1rios instrumentos, mas haver\u00e1 m\u00fasica entre a erva, os arbustos e as \u00e1rvores, nas montanhas, cidades, pal\u00e1cios e casebres; muito mais, estar\u00e1 a m\u00fasica no cora\u00e7\u00e3o dos dotados de sentidos. O surdo, o mudo e o cego ser\u00e3o curados das suas defici\u00eancias e alegrar-se-\u00e3o na sua emancipa\u00e7\u00e3o. Tal \u00e9 a virtude extraordin\u00e1ria do poder de sustenta\u00e7\u00e3o comunicado pelos Tath\u00e1gatas.<\/p>\n<p>Pela doa\u00e7\u00e3o deste poder de apoio, os Bodhisattvas s\u00e3o capazes de evitar a maldade, a paix\u00e3o, \u00f3dio e carma, da escraviza\u00e7\u00e3o; eles s\u00e3o capazes de transcender a Dhyana dos principiantes e avan\u00e7ar al\u00e9m da experi\u00eancia e verdade j\u00e1 alcan\u00e7ada; eles s\u00e3o capazes de demonstrar o Paramitas; e finalmente, alcan\u00e7ar a etapa do Tath\u00e1gata Perfeito. Mahamati, se n\u00e3o fosse este poder de sustenta\u00e7\u00e3o, eles recairiam nos caminhos e nos pensamentos dos fil\u00f3sofos, nos disc\u00edpulos de caminhos f\u00e1ceis, e de m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, e ficariam assim frustrados da mais elevada realiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor essas raz\u00f5es, os verdadeiros disc\u00edpulos e os Bodhisattvas sinceros s\u00e3o sustentados pelo poder de todos os Tath\u00e1gatas.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse: \u201cFoi dito pelo Aben\u00e7oado que cumprindo as seis Paramitas, a Budidade \u00e9 entendida. Por favor diz-nos o que s\u00e3o as Paramitas, e como elas devem ser executadas?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cAs Paramitas s\u00e3o ideais da perfei\u00e7\u00e3o espiritual que devem ser as guias dos Bodhisattvas no caminho para a auto realiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 seis delas, mas devem ser consideradas de tr\u00eas formas diferentes, segundo o progresso do Bodhisattva, nas etapas. No in\u00edcio elas devem ser consideradas como ideais da vida mundana; depois como ideais da vida mental; e, por fim, como ideais da vida espiritual e una.<br \/>\nNa vida mundana onde cada um ainda est\u00e1 tenazmente agarrado \u00e0s no\u00e7\u00f5es de uma alma ego e o que a ela concerne e se apega \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es do dualismo, somente para benef\u00edcios mundanos, se deve cultivar os ideais de caridade, bom comportamento, paci\u00eancia, zelo, medita\u00e7\u00e3o e sabedoria. Mesmo na vida mundana a pr\u00e1tica dessas virtudes trar\u00e1 recompensas de felicidade e \u00eaxito.<br \/>\nConsideravelmente, no mundo da mente dos verdadeiros disc\u00edpulos e mestres, a sua pr\u00e1tica, far\u00e1 trazer alegrias de emancipa\u00e7\u00e3o, ilumina\u00e7\u00e3o e paz da mente, porque as Paramitas s\u00e3o baseadas no conhecimento correcto e conduzem a pensamentos do Nirvana, mesmo se o Nirvana dos seus pensamentos forem para eles.<br \/>\nNo mundo da mente, as Paramitas tornam-se mais ideais e mais compreensivas; a caridade n\u00e3o pode ser mais expressa na oferta de presentes impessoais, mas pedir\u00e1 os presentes mais caros de compaix\u00e3o e da compreens\u00e3o; o bom comportamento pedir\u00e1 algo mais do que a conformidade externa dos cinco preceitos, porque \u00e0 luz das Paramitas eles devem praticar a humildade, a simplicidade, a restri\u00e7\u00e3o e o desinteresse. A paci\u00eancia pedir\u00e1 algo mais do que a paci\u00eancia para com as circunst\u00e2ncias externas e os temperamentos de outras pessoas: ela pedir\u00e1 agora, a paci\u00eancia com algu\u00e9m mesmo. O entusiasmo pedir\u00e1 algo mais do que a dedica\u00e7\u00e3o e a demonstra\u00e7\u00e3o externa da seriedade: ela pedir\u00e1 mais auto controle na tarefa de seguir o Caminho Nobre e na manifesta\u00e7\u00e3o do Dharma na pr\u00f3pria vida de algu\u00e9m. A medita\u00e7\u00e3o dar\u00e1 lugar a uma aten\u00e7\u00e3o mais cuidadosa, em que os significados discriminados, as dedu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e as racionaliza\u00e7\u00f5es, dar\u00e3o lugar \u00e0s intui\u00e7\u00f5es de significado e esp\u00edrito.<br \/>\nA Paramita da Sabedoria (Prajna) n\u00e3o ser\u00e1 mais considerada sabedoria pragm\u00e1tica e erudi\u00e7\u00e3o, mas ir\u00e1 revelar-se na sua verdadeira perfei\u00e7\u00e3o de Toda Verdade, que \u00e9 o Amor.<br \/>\nO terceiro aspecto das Paramitas, vistas como a perfei\u00e7\u00e3o ideal dos Tath\u00e1gatas, s\u00f3 podem ser totalmente entendidas pelos Bodhisattva Mahasattvas que s\u00e3o dedicados \u00e0 disciplina espiritual superior e compreenderam completamente que n\u00e3o h\u00e1 nada para ser visto no mundo, excepto o que emana da pr\u00f3pria mente; naquelas mentes a discrimina\u00e7\u00e3o das dualidades deixou de funcionar; e o apego e a ades\u00e3o tornam-se n\u00e3o existentes.<br \/>\nAssim, livre de todos os apegos a objectos individuais e a ideias, as suas mentes s\u00e3o livres de considerar formas de beneficiar e dar a felicidade aos outros, e at\u00e9 a todos os seres sencientes.<br \/>\nAos Bodhisattva Mahasattvas o ideal da caridade \u00e9 demonstrado na concess\u00e3o da esperan\u00e7a do Nirvana dos Tath\u00e1gata&#8217;s, para que todos possam usufrui-lo em conjunto.<br \/>\nTendo rela\u00e7\u00f5es com um mundo objectivo n\u00e3o h\u00e1 o surgir nas mentes dos Tath\u00e1gatas, discrimina\u00e7\u00f5es entre os interesses do pr\u00f3prio e os interesses dos outros, entre bom e mau, h\u00e1 somente a espontaneidade e a realidade sem esfor\u00e7o do comportamento perfeito.<br \/>\nPraticar a paci\u00eancia com o total conhecimento destas coisas, o apego e o desejo de aquisi\u00e7\u00e3o, mas sem pensamentos de discrimina\u00e7\u00e3o nem de apego, esta \u00e9 a Paramita da Paci\u00eancia dos Tath\u00e1gatas.<br \/>\nEsfor\u00e7ar-se com a energia da primeira parte da noite at\u00e9 ao fim, conforme as medidas disciplinares, sem o surgimento da discrimina\u00e7\u00e3o quanto a conforto ou desconforto, \u00e9 a Paramita do Fervor dos Tath\u00e1gatas.<br \/>\nN\u00e3o discriminar entre si e os outros em pensamentos do Nirvana, mas manter a mente concentrada no Nirvana, \u00e9 a Paramita da Aten\u00e7\u00e3o Plena.<br \/>\nQuanto ao Prajna Paramita, que \u00e9 a Sabedoria Nobre, quem pode declar\u00e1-lo?<br \/>\nQuando em Sam\u00e1dhi a mente deixa de discriminar e h\u00e1 somente a n\u00e3o imagem perfeita cheia de amor, ent\u00e3o uma inescrut\u00e1vel &#8220;invers\u00e3o&#8221; ter\u00e1 lugar na consci\u00eancia \u00edntima e cada um ter\u00e1 alcan\u00e7ado a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre que \u00e9 o supremo Prajna Paramita.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Aben\u00e7oado: \u201cTu falas-te de um corpo astral, &#8220;corpo vis\u00e3o mente&#8221; (manomayakaya) que os Bodhisattvas s\u00e3o capazes de assumir, como sendo um dos frutos da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre: imploramos-te que nos digas, Aben\u00e7oado, qual \u00e9 o significado de tal corpo transcendental?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 tr\u00eas esp\u00e9cies de tais corpos transcendentais:<br \/>\nPrimeiro, h\u00e1 aquele no qual o Bodhisattva alcan\u00e7a o gozo dos Sam\u00e1dhis e Samapattis.<br \/>\nEm segundo lugar, h\u00e1 aquele, que \u00e9 assumido pelos Tath\u00e1gatas, segundo a classe de seres a ser sustentados, e que alcan\u00e7a e aperfei\u00e7oa espontaneamente com o n\u00e3o apego e o n\u00e3o esfor\u00e7o.<br \/>\nTerceiro, h\u00e1 aquele no qual os Tath\u00e1gatas recebem a sua intui\u00e7\u00e3o de Dharmakaya.<\/p>\n<p>A personalidade transcendental que faz parte do prazer dos Sam\u00e1dhis vem com as terceiras, quartas e quintas etapas, quando as atividades mentais do sistema mental ficam calmas e as ondas da consci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o mais agitadas na superf\u00edcie da Mente Universal. Neste estado, a mente consciente \u00e9 ainda consciente, em parte, da felicidade que \u00e9 experimentada por esta cessa\u00e7\u00e3o das atividades da mente.<\/p>\n<p>A segunda esp\u00e9cie da personalidade transcendental \u00e9 a esp\u00e9cie assumida pelos Bodhisattvas e Tath\u00e1gatas como corpos da transforma\u00e7\u00e3o pela qual eles demonstram os seus votos originais no trabalho de realiza\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento; vem com a oitava etapa do Bodhisattva Perfeito.<br \/>\nQuando o Bodhisattva tem um entendimento eficaz da natureza das coisas, semelhante a Maia e entende o dharma da n\u00e3o imagem, ele experimentar\u00e1 a &#8220;invers\u00e3o&#8221; na sua consci\u00eancia mais profunda e tornar-se-\u00e1 capaz de experimentar o Sam\u00e1dhis superior ou at\u00e9 o supremo.<br \/>\nAo entrar nestes magn\u00edficos Sam\u00e1dhis ele alcan\u00e7a uma personalidade que transcende a mente consciente, pelo qual ele obt\u00e9m poderes sobrenaturais de auto dom\u00ednio e actividades, pelas quais ele \u00e9 capaz de se mover como deseja, t\u00e3o rapidamente como num sonho, e modifica-se t\u00e3o rapidamente, como uma imagem se modifica num espelho.<br \/>\nEste corpo transcendental n\u00e3o \u00e9 um produto dos elementos e no entanto, h\u00e1 algo nele que \u00e9 an\u00e1logo ao que \u00e9 assim produzido; est\u00e1 apetrechado de todas as diferen\u00e7as que pertencem ao mundo da forma, mas sem as suas limita\u00e7\u00f5es; possu\u00eddo desse &#8220;corpo vis\u00e3o mente&#8221; ele \u00e9 capaz de estar presente em todas as assembleias, de todas as terras Buda. Tal como o seu movimento de pensamentos, imediata e livremente, por cima de paredes, rios, \u00e1rvores, e montanhas, e tal como na mem\u00f3ria, ele evoca e visita as cenas das suas experi\u00eancias passadas, assim, enquanto a sua mente continua funcionando no corpo, os seus pensamentos podem estar cem mil yojanas afastados.<br \/>\nDa mesma forma, a personalidade transcendental que experimenta o Sam\u00e1dhi Vajravimbopama estar\u00e1 dotada de poderes sobrenaturais, faculdades ps\u00edquicas e auto dom\u00ednio, pelo qual ser\u00e1 capaz de seguir os caminhos nobres que levam \u00e0s assembleias dos Buddhas, deslocando t\u00e3o livremente como deseja.<br \/>\nMas os seus desejos n\u00e3o ser\u00e3o mais egoc\u00eantricos nem manchados por discrimina\u00e7\u00e3o e apegos, j\u00e1 que esta personalidade transcendental n\u00e3o \u00e9 o seu velho corpo, mas \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o transcendental dos seus votos originais de d\u00e1diva de si mesmo para trazer todos os seres \u00e0 maturidade.<br \/>\nA terceira esp\u00e9cie da personalidade transcendental \u00e9 t\u00e3o inef\u00e1vel que \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar a intui\u00e7\u00e3o do Dharmakaya, isto \u00e9, ele alcan\u00e7a a intui\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o ilimitada e inescrut\u00e1vel da Mente Universal.<br \/>\nComo Bodhisattvas Mahasattvas, alcan\u00e7am as mais altas das etapas e ficam familiarizados com todos os tesouros a serem concretizados na Sabedoria Nobre, eles alcan\u00e7ar\u00e3o este corpo de transforma\u00e7\u00e3o incompreens\u00edvel, que \u00e9 a natureza verdadeira de todos os Tath\u00e1gatas do passado, presente e futuro, e participar\u00e3o na paz feliz que penetra o Dharma de todos os Buddhas.&#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_X_\"><\/a>Cap\u00edtulo X<\/p>\n<p>O Discipulado (Aprendizagem): A Linhagem dos Arhats<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati perguntou ao Aben\u00e7oado: \u201cPor favor diz-nos, quantas esp\u00e9cies de disc\u00edpulos h\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cH\u00e1 tantas esp\u00e9cies de disc\u00edpulos como h\u00e1 de indiv\u00edduos, mas por conveni\u00eancia, eles podem ser divididos em dois grupos: disc\u00edpulos da linhagem dos Arhats, e disc\u00edpulos conhecidos como Bodhisattvas.<br \/>\nOs disc\u00edpulos da linhagem dos Arhats podem ser considerados sob dois aspectos:<br \/>\nPrimeiro; Segundo o n\u00famero de vezes, que eles voltar\u00e3o a esta vida de nascimento e morte:<br \/>\nE segundo; segundo o seu progresso espiritual.<br \/>\nDebaixo do primeiro aspecto, eles podem ser subdivididos em tr\u00eas grupos:<br \/>\n&#8220;Os que Entraram na Corrente&#8221;, &#8220;Os que Retornam Uma Vez&#8221;, e &#8220;Os que Nunca Retornam&#8221;.<br \/>\n\u201cOs que Entraram na Corrente\u201d s\u00e3o aqueles disc\u00edpulos, que tendo-se libertado dos apegos \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es inferiores e que tendo removido os empecilhos duplos e que claramente entendem a significa\u00e7\u00e3o do n\u00e3o eu dualista, mas que ainda aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de individualidade e generalidade e ao seu pr\u00f3prio ego. Eles avan\u00e7ar\u00e3o ao longo das etapas, at\u00e9 \u00e0 sexta, s\u00f3 para sucumbir \u00e0 felicidade fascinante dos Sam\u00e1dhis. Eles renascer\u00e3o sete vezes, ou cinco vezes, ou tr\u00eas vezes, antes de que sejam capazes de passar da sexta etapa.<br \/>\n\u201cOs que Retornar\u00e3o Uma Vez\u201d s\u00e3o os Arhats, e \u201cOs que Nunca Retornar\u00e3o\u201d s\u00e3o os Bodhisattvas que conseguiram a s\u00e9tima etapa.<br \/>\nAs raz\u00f5es dessas gradua\u00e7\u00f5es, s\u00e3o por causa do seu apego aos tr\u00eas graus da imagina\u00e7\u00e3o falsa, a saber:<br \/>\nF\u00e9 nas pr\u00e1ticas morais, d\u00favida, e pontos de vista da sua personalidade individual.<br \/>\nQuando esses tr\u00eas obst\u00e1culos forem superados, eles ser\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar as etapas seguintes.<br \/>\nQuanto \u00e0s pr\u00e1ticas morais:<br \/>\nOs disc\u00edpulos ignorantes e ing\u00e9nuos que obedecem \u00e0s regras da moralidade, piedade e penit\u00eancia, desejam assim, ganhar o avan\u00e7o mundano e felicidade, com a esperan\u00e7a acrescida de renascerem em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis.<br \/>\n\u201cOs que Entraram na Corrente\u201d n\u00e3o aderem \u00e0s pr\u00e1ticas morais, com qualquer esperan\u00e7a de recompensa, por as suas mentes, estarem fixas no estado exaltado da auto realiza\u00e7\u00e3o; o motivo porque se dedicam aos detalhes da moralidade \u00e9 que eles desejam dominar tais verdades, em conformidade com o imaculado dos bons fluxos.<br \/>\nQuanto ao entrave da d\u00favida nos ensinamentos do Buda, continuar\u00e1, at\u00e9 que algumas das no\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o sejam apreciadas e desapare\u00e7am quando elas desaparecem.<br \/>\nO apego aos pontos de vista da personalidade individual ser\u00e1 libertado, conforme o disc\u00edpulo ganha uma compreens\u00e3o mais completa das no\u00e7\u00f5es de ser e n\u00e3o ser, natureza pr\u00f3pria e n\u00e3o eu dualista, por meio do qual livrar-se-\u00e1 dos apegos ao seu pr\u00f3prio eu que v\u00e3o com aquelas discrimina\u00e7\u00f5es. Rompendo e limpando o caminho destes tr\u00eas obst\u00e1culos, \u201d Os que Entraram na Corrente\u201d ser\u00e3o capazes de libertar-se de toda a gan\u00e2ncia, raiva e loucura.<br \/>\nQuanto aos Arhats, \u201cOs que Retornar\u00e3o Uma Vez\u201d; houve uma vez neles a discrimina\u00e7\u00e3o da forma, sinais, e apar\u00eancia, mas como eles gradualmente aprenderam pelo conhecimento correcto para n\u00e3o examinarem individualmente objectos sob o aspecto da qualidade e qualifica\u00e7\u00e3o, e como eles se tornaram familiares com o objectivo do alcance das pr\u00e1ticas de Dhyana, eles conseguiram a etapa da ilumina\u00e7\u00e3o, onde em mais um renascimento eles ser\u00e3o capazes de p\u00f4r fim ao apego do seu pr\u00f3prio ego\u00edsmo. Livre desta carga do erro e dos seus apegos, as paix\u00f5es n\u00e3o mais se afirmar\u00e3o e os obst\u00e1culos ser\u00e3o removidos para sempre.<br \/>\nSob o segundo aspecto os disc\u00edpulos podem ser agrupados segundo o progresso espiritual que eles alcan\u00e7aram, nas quatro classes, a saber; disc\u00edpulos (Sravaka), mestres (Pratyekabuddha), Arhats, e Bodhisattvas.<br \/>\nA primeira classe de disc\u00edpulos s\u00e3o os que tem boas inten\u00e7\u00f5es, mas encontram dificuldades em entender ideias pouco conhecidas. As suas mentes s\u00e3o alegres quando estudam e praticam as coisas que pertencem ao aspecto vis\u00edvel que pode ser discriminado, mas que ficam confundidos pela no\u00e7\u00e3o de uma cadeia ininterrupta da causa e efeito, e ficam temerosos quando consideram os agregados que comp\u00f5em a personalidade e o mundo dos objectos serem como Maya, vazios e sem eu.<br \/>\nEles foram capazes de avan\u00e7ar at\u00e9 \u00e0 quinta ou sexta etapa, onde s\u00e3o capazes de matar a insurrei\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es, mas n\u00e3o das no\u00e7\u00f5es que d\u00e3o origem \u00e0s paix\u00f5es e, por isso, eles s\u00e3o incapazes de livrar-se do apego a uma alma ego e aos seus sentimentos de afecta\u00e7\u00e3o, h\u00e1bitos e energia do h\u00e1bito.<br \/>\nNesta mesma classe de disc\u00edpulos est\u00e3o os disc\u00edpulos s\u00e9rios de outras f\u00e9s, que aderindo \u00e0s no\u00e7\u00f5es de tais coisas como, a alma como uma entidade externa, Atman Supremo, Deus Pessoal, buscam um Nirvana que est\u00e1 de harmonia com eles.<br \/>\nH\u00e1 outros, mais materialistas nas suas ideias, que pensam que todas as coisas existem na depend\u00eancia da causa e efeito e, por isso, o Nirvana deve estar numa depend\u00eancia parecida.<br \/>\nMas nenhum desses, embora s\u00e9rios, v\u00eam a compreender a verdade do n\u00e3o ego dualista e s\u00e3o por isso, de discernimentos espirituais limitados quanto \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o liberta\u00e7\u00e3o; para eles n\u00e3o h\u00e1 nenhuma emancipa\u00e7\u00e3o. Eles t\u00eam uma grande auto confian\u00e7a, mas nunca podem obter um conhecimento verdadeiro do Nirvana, at\u00e9 que tenham aprendido, eles mesmos, a aceita\u00e7\u00e3o paciente do n\u00e3o eu dualista.<br \/>\nA segunda classe de mestres s\u00e3o aqueles que ganharam um alto grau de compreens\u00e3o intelectual das verdades, acerca dos agregados que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo externo, mas que ficam cheios de medo quando enfrentam o significado e as consequ\u00eancias dessas verdades, e as exig\u00eancias que a sua aprendizagem faz sobre eles, isto \u00e9, n\u00e3o se tornarem apegados ao mundo externo e \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o de formas m\u00faltiplas de conforto e poder, e conservarem longe de si os empecilhos das suas rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nEles s\u00e3o atra\u00eddos pelas possibilidades que se podem atingir, a saber; a posse de poderes miraculosos, como a divis\u00e3o da personalidade e o aparecimento em lugares diferentes ao mesmo tempo, ou da manifesta\u00e7\u00e3o dos corpos de transforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara ganhar esses poderes eles at\u00e9 aderem \u00e0 vida solit\u00e1ria, mas esta classe de mestres nunca vai al\u00e9m da sedu\u00e7\u00e3o da sua aprendizagem e ego\u00edsmo, e os seus discursos s\u00e3o sempre conforme aquela caracter\u00edstica e limita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEntre eles est\u00e3o muitos disc\u00edpulos s\u00e9rios que mostram um grau de discernimento espiritual que \u00e9 caracterizado pela sinceridade, vontade e resolu\u00e7\u00e3o de satisfazer todas as exig\u00eancias que as etapas exercem sobre eles. Quando eles v\u00eaem que tudo o que comp\u00f5e o mundo objectivo \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o da mente, que \u00e9 sem natureza pr\u00f3pria, n\u00e3o nascida e sem ego eles aceitam-no sem medo, e quando v\u00eaem que a sua pr\u00f3pria alma ego \u00e9 tamb\u00e9m vazia, n\u00e3o nascida e sem ego, ficam tranquilos e corajosos, com um objectivo sincero, procuram ajustar as suas vidas ao m\u00e1ximo das exig\u00eancias destas verdades, mas n\u00e3o podem esquecer as no\u00e7\u00f5es que residem nestes factos, especialmente a no\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio ego consciente e a sua rela\u00e7\u00e3o com o Nirvana. Eles s\u00e3o da classe dos que \u201cEntraram na Corrente\u201d.<br \/>\nA classe conhecida como Arhats s\u00e3o aqueles mestres verdadeiros que pertencem \u00e0 classe dos que retornam. Mas no seu discernimento espiritual eles conseguiram as sextas e s\u00e9timas etapas. Eles entenderam completamente a verdade do n\u00e3o eu dualista e a n\u00e3o imagem da Realidade; com eles, n\u00e3o h\u00e1 mais discrimina\u00e7\u00e3o, nem paix\u00f5es, nem orgulho de ego\u00edsmo; eles ganharam um discernimento exaltado e viram a imensid\u00e3o das terras Buda.<br \/>\nAlcan\u00e7ando uma percep\u00e7\u00e3o interior da natureza verdadeira da Mente Universal eles est\u00e3o purificando com firmeza a sua energia do h\u00e1bito.<br \/>\nO Arhats alcan\u00e7ou a emancipa\u00e7\u00e3o, a ilumina\u00e7\u00e3o, as Dhyanas, o Sam\u00e1dhis, e a sua aten\u00e7\u00e3o inteira \u00e9 dada \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do Nirvana, mas a ideia do Nirvana causa perturba\u00e7\u00f5es mentais porque ele tem uma ideia incorrecta do Nirvana.<br \/>\nAs no\u00e7\u00f5es de Nirvana na sua mente est\u00e3o divididas: ele discrimina o Nirvana do eu, e o eu dos outros. Alcan\u00e7ou alguns frutos da auto realiza\u00e7\u00e3o, mas ainda pensa e discursa nas Dhyanas, nos assuntos da medita\u00e7\u00e3o, nos Sam\u00e1dhis, e nos frutos. Com soberba diz: &#8220;h\u00e1 grilh\u00f5es, mas estou desembara\u00e7ado deles.&#8221; \u00c9 uma dupla falta: ele tanto denuncia os v\u00edcios do ego, como ainda adere aos seus grilh\u00f5es. Enquanto continua a discriminar as no\u00e7\u00f5es de Dhyana, pr\u00e1tica de Dhyana, assuntos de Dhyana, conhecimento correcto e verdade, h\u00e1 um estado confuso da mente; ele n\u00e3o alcan\u00e7ou a emancipa\u00e7\u00e3o perfeita. A emancipa\u00e7\u00e3o vem com a aceita\u00e7\u00e3o da n\u00e3o imagem.<br \/>\nEle \u00e9 o mestre das Dhyanas e entra nos Sam\u00e1dhis, mas para conseguir as mais altas etapas, ele deve passar al\u00e9m das Dhyanas, dos imensur\u00e1veis, do mundo da n\u00e3o forma, e da felicidade dos Sam\u00e1dhis no Samapattis que leva \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio pensamento. O praticante de Dhyana, Dhyana, o tema de Dhyana, a cessa\u00e7\u00e3o do pensamento, retornar uma vez, nunca retornar, todos est\u00e3o divididos e confusos nos estados da mente.<br \/>\nA emancipa\u00e7\u00e3o perfeita n\u00e3o estar\u00e1 l\u00e1, at\u00e9 que toda a discrimina\u00e7\u00e3o seja abandonada.<br \/>\nAssim o Arhats, o mestre das Dhyanas, que participa nos Sam\u00e1dhis, e sem o apoio dos Buddhas cede \u00e0 felicidade fascinante dos Sam\u00e1dhis e passa ao seu Nirvana.<br \/>\nOs disc\u00edpulos os mestres e os Arhats podem ascender at\u00e9 \u00e0 sexta etapa. Eles percebem que o mundo triplo n\u00e3o \u00e9 mais do que a pr\u00f3pria mente; eles percebem que n\u00e3o h\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 multiplicidade dos objectos externos, excepto pelas discrimina\u00e7\u00f5es e atividades da pr\u00f3pria mente; eles percebem que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma alma ego; e, portanto, alcan\u00e7am a medida da tranquilidade. Mas a sua tranquilidade n\u00e3o \u00e9 perfeita a cada minuto das suas vidas, j\u00e1 que com eles h\u00e1 alguma coisa produzindo impress\u00e3o, alguma compreens\u00e3o e incompreens\u00e3o, alguns tra\u00e7os residuais de dualismo e ego\u00edsmo.<br \/>\nEmbora desembara\u00e7ados do funcionamento activo das paix\u00f5es eles ainda est\u00e3o unidos \u00e0 energia do h\u00e1bito da paix\u00e3o e, intoxicados com o vinho dos Sam\u00e1dhis, ter\u00e3o a sua resid\u00eancia no reino das boas n\u00e3o emana\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA perfeita tranquilidade \u00e9 somente poss\u00edvel na s\u00e9tima etapa. Enquanto as suas mentes estiverem na confus\u00e3o, eles n\u00e3o podem alcan\u00e7ar uma clara convic\u00e7\u00e3o da cessa\u00e7\u00e3o de toda a multiplicidade e da actualiza\u00e7\u00e3o perfeita de todas as coisas.<br \/>\nNas suas mentes a natureza pr\u00f3pria das coisas, ainda \u00e9 discriminada como boa e m\u00e1, por isso, as suas mentes est\u00e3o em confus\u00e3o e eles n\u00e3o podem passar al\u00e9m da sexta etapa. Mas na sexta etapa, toda a discrimina\u00e7\u00e3o cessa assim que se absorvem completamente na felicidade dos Sam\u00e1dhis, no qual eles tratam com carinho o pensamento do Nirvana e, como o Nirvana \u00e9 poss\u00edvel na sexta etapa, eles entram no seu Nirvana, mas n\u00e3o no Nirvana dos Buddhas. &#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_XI_\"><\/a>Cap\u00edtulo XI<\/p>\n<p>O Estado Bodhisattva e As suas Etapas<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cPoder\u00e1s falar-nos agora dos disc\u00edpulos que s\u00e3o Bodhisattvas?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cOs Bodhisattvas s\u00e3o aqueles disc\u00edpulos verdadeiros, que s\u00e3o esclarecidos devido aos seus esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre e que assumiram a tarefa de esclarecer os outros.<br \/>\nEles ganharam uma compreens\u00e3o clara da verdade, de que todas as coisas s\u00e3o vazias, n\u00e3o nascidas, e de natureza igual a Maia; eles cessaram de examinar as coisas discriminativamente e de consider\u00e1-las nas suas rela\u00e7\u00f5es; entenderam completamente a verdade do n\u00e3o ego dualista e ajustaram-se a uma aceita\u00e7\u00e3o paciente; alcan\u00e7aram uma realiza\u00e7\u00e3o clara e distinta da n\u00e3o imagem; e permanecem no conhecimento perfeito que eles ganharam pela auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nBem selados com o selo caracter\u00edstico da &#8220;Qualidade Essencial&#8221; eles entraram na primeiras etapas do Bodhisattva. A primeira etapa \u00e9 chamada a etapa da Alegria (Pranudita).<br \/>\nEntrar nesta etapa \u00e9 como perder espontaneamente a consci\u00eancia do brilho das sombras no reino das n\u00e3o sombras; \u00e9 como perder a no\u00e7\u00e3o do barulho e tumulto da compress\u00e3o da cidade, na quietude da solid\u00e3o.<br \/>\nO Bodhisattva sente dentro dele o despertar de um grande cora\u00e7\u00e3o de compaix\u00e3o e profere os seus dez votos originais:<\/p>\n<p>Honrar e servir todos os Buddhas;<br \/>\nEspalhar o conhecimento e a pr\u00e1tica do Dharma;<br \/>\nDar as boas-vindas a todos os Buddhas vindouros;<br \/>\nPraticar as seis Paramitas;<br \/>\nPersuadir todos os seres a abra\u00e7ar o Dharma;<br \/>\nAlcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o perfeita do universo;<br \/>\nAlcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o perfeita da reciprocidade de sentimentos de todos os seres;<br \/>\nAlcan\u00e7ar a auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da unidade de todos os Buddhas e Tath\u00e1gatas, da auto natureza, objectivos e recursos;<br \/>\nFamiliarizar-se com todos os meios e conhecimentos, para implementar e executar esses votos, pela emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres;<br \/>\nConcretizar a ilumina\u00e7\u00e3o suprema atrav\u00e9s da auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre, ascendendo \u00e0s etapas e entrando no Estado Tathagata.<\/p>\n<p>No esp\u00edrito desses votos o Bodhisattva sobe gradualmente at\u00e9 \u00e0 sexta etapa.<br \/>\nTodos os disc\u00edpulos verdadeiros, mestres e Arhats ascenderam at\u00e9 aqui, mas ficando encantados pela felicidade dos Sam\u00e1dhis e n\u00e3o sendo apoiados pelos poderes dos Buddhas, eles passam ao seu Nirvana. O mesmo destino teriam os Bodhisattvas a menos que pelo poder do apoio dos Buddhas, seja-lhes permitido recusarem-se a entrar no Nirvana, at\u00e9 que todos os seres possam entrar com eles no Nirvana. Os Tath\u00e1gatas indicam-lhes as virtudes da Budidade, que est\u00e3o al\u00e9m do conceito da mente intelectual, estimulam e fortalecem os Bodhisattvas para n\u00e3o ceder ao encantamento da felicidade dos Sam\u00e1dhis, mas, continuar no novo avan\u00e7o ao longo das etapas.<br \/>\nSe os Bodhisattvas tivessem entrado no Nirvana nesta etapa, e se o tivessem feito sem o poder do apoio dos Buddhas, teria havido cessa\u00e7\u00e3o de todas as coisas e a fam\u00edlia dos Tath\u00e1gatas extinguir-se-ia.<br \/>\nFortalecidos pela nova for\u00e7a que lhes vem dos Buddhas e com o discernimento mais perfeito, motivado pelo seu avan\u00e7o na auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, eles reexaminam a natureza do sistema mental, o n\u00e3o eu da personalidade, e a parte da avareza e apego e da energia do h\u00e1bito que jogam o drama evolutivo da vida; eles reexaminam as ilus\u00f5es da an\u00e1lise l\u00f3gica qu\u00e1drupla, e os v\u00e1rios elementos que tomam parte na ilumina\u00e7\u00e3o, na auto realiza\u00e7\u00e3o, e na emo\u00e7\u00e3o dos seus novos poderes de auto dom\u00ednio, os Bodhisattvas entram para a s\u00e9tima etapa da Longa caminhada (Durangama).<br \/>\nApoiados pelo poder de sustenta\u00e7\u00e3o dos Buddhas, os Bodhisattvas nesta etapa, entram na felicidade do Sam\u00e1dhi da tranquilidade perfeita.<br \/>\nDevido aos seus votos originais que s\u00e3o movidos por emo\u00e7\u00f5es de amor e compaix\u00e3o, eles tornam-se c\u00f4nscios da parte que est\u00e3o executando, na realiza\u00e7\u00e3o dos seus votos, para emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres. Assim, n\u00e3o entram no Nirvana, mas na realidade, eles tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o no Nirvana porque nas suas emo\u00e7\u00f5es de amor e compaix\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o surgir de discrimina\u00e7\u00f5es; daqui em diante, para eles, a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais ter\u00e1 lugar.<br \/>\nPor causa da Intelig\u00eancia Transcendental s\u00f3 um conceito est\u00e1 presente &#8211; a promo\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre. Isto \u00e9 chamado o Nirvana do Bodhisattva &#8211; perder-se na perfeita felicidade do auto compromisso. Isto \u00e9 a s\u00e9tima etapa, a etapa da caminhada Longa.<br \/>\nA oitava etapa \u00e9 a etapa do n\u00e3o retorno (Acala). At\u00e9 esta etapa, por causa das contamina\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie da Mente Universal, causada pela acumula\u00e7\u00e3o da energia do h\u00e1bito desde o tempo sem princ\u00edpio, o sistema mental e tudo o que lhe pertence, foi desenvolvido e mantido. O sistema mental funcionou pelas discrimina\u00e7\u00f5es de um mundo externo e objectivo, ao qual ficou ligado e pelo qual foi perpetuado.<br \/>\nMas quando o Bodhisattva alcan\u00e7a a oitava etapa, d\u00e1-se uma \u201cinvers\u00e3o\u201d no interior da sua consci\u00eancia profunda, do egocentrismo para a compaix\u00e3o universal de todos os seres, pelo qual, ele alcan\u00e7a a auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre.<br \/>\nH\u00e1 um instante de cessa\u00e7\u00e3o das atividades ilus\u00f3rias de todo o sistema mental; a dan\u00e7a das ondas da energia do h\u00e1bito na superf\u00edcie da Mente Universal tornam-se para sempre inactivas, revelando a sua pr\u00f3pria solid\u00e3o e tranquilidade inerentes; a Unidade inconceb\u00edvel da Matriz do estado Tath\u00e1gata.<br \/>\nDaqui em diante n\u00e3o haver\u00e1 mais nenhum olhar sobre a realidade f\u00edsica do mundo externo, pelos sentidos e pelas mentes sensoriais, nem discrimina\u00e7\u00e3o de conceitos particularizados, ideias e proposi\u00e7\u00f5es por uma mente intelectual, n\u00e3o mais avidez, nem apego, nem orgulho de ego\u00edsmo, nem energia do h\u00e1bito.<br \/>\nDaqui em diante h\u00e1 s\u00f3 a experi\u00eancia interior da Sabedoria Nobre, que foi alcan\u00e7ada entrando na sua Unidade perfeita.<br \/>\nAssim, estabelecendo-se na oitava etapa dos \u201cSem retorno\u201d, o Bodhisattva entra na felicidade dos dez Sam\u00e1dhis, mas evitando o caminho dos disc\u00edpulos e mestres que se renderam \u00e0 felicidade fascinante e que passaram aos seus Nirvanas, e apoiado pelos seus votos e a Intelig\u00eancia Transcendental, que \u00e9 agora sua, apoiado pelo poder dos Buddhas, ele entra nos mais elevados caminhos, que levam ao Estado Tath\u00e1gata.<br \/>\nEle passa pela felicidade dos Sam\u00e1dhis para assumir o corpo de transforma\u00e7\u00e3o de um Tathagata, que por ele todos os seres podem ser emancipados.<br \/>\nMahamati, Se n\u00e3o tivesse havido nenhuma matriz Tathagata nem nenhuma Mente Divina ent\u00e3o n\u00e3o teria havido o aparecimento e o desaparecimento dos agregados que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo externo, nenhum aparecimento e desaparecimento de gente ignorante nem de gente sagrada, nem nenhuma tarefa para os Bodhisattvas; por isso, andando no caminho da auto realiza\u00e7\u00e3o e entrando nos prazeres dos Sam\u00e1dhis, tu nunca deves abandonar o trabalho \u00e1rduo pela emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres, pelo que o teu amor de auto resigna\u00e7\u00e3o nunca ser\u00e1 em v\u00e3o.<br \/>\nPara os fil\u00f3sofos, o conceito de matriz Tath\u00e1gata parece destitu\u00eddo de pureza e sujo por essas manifesta\u00e7\u00f5es externas, mas n\u00e3o \u00e9 entendido assim pelos Tath\u00e1gatas. Para eles n\u00e3o \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, mas uma experi\u00eancia intuitiva t\u00e3o real como se ela fosse um fruto amalaka mantido na palma da m\u00e3o.<br \/>\nCom a cessa\u00e7\u00e3o do sistema mental e de todas as suas envolventes discrimina\u00e7\u00f5es, h\u00e1 a cessa\u00e7\u00e3o de toda a tens\u00e3o nervosa e esfor\u00e7o. \u00c9 parecido com um homem que num sonho imagina que est\u00e1 cruzando um rio e que se esfor\u00e7a ao m\u00e1ximo para o cruzar, mas que repentinamente acorda. Ent\u00e3o pensa: &#8220;isto \u00e9 verdadeiro ou \u00e9 irreal?&#8221; Estando agora esclarecido, ele sabe que n\u00e3o \u00e9 nem verdadeiro nem irreal.<br \/>\nAssim quando o Bodhisattva chega \u00e0 oitava etapa, ele \u00e9 capaz, de facto, de ver todas as coisas verdadeiramente e, mais do que isso, \u00e9 capaz de entender completamente o significado de tudo, como coisas sonhadas da sua vida, tanto no que respeita a como elas acontecem, como no que respeita a como elas desaparecem.<br \/>\nDesde o tempo sem principio, o sistema mental percebeu multiplicidades de formas, condi\u00e7\u00f5es, e ideias, que a mente do pensamento discriminou, e a mente emp\u00edrica experimentou, agarrou, e aderiu. Disto, resultou o aumento da energia do h\u00e1bito, que pela sua acumula\u00e7\u00e3o, condicionou as ilus\u00f5es de exist\u00eancia e inexist\u00eancia, individualidade e generalidade, e perpetuou assim, o estado de sonho da imagina\u00e7\u00e3o falsa.<br \/>\nMas agora, para os Bodhisattvas da oitava etapa, a vida est\u00e1 passada e \u00e9 lembrada, como realmente foi &#8211; um sonho passado.<br \/>\nEmbora o Bodhisattva n\u00e3o tenha passado a s\u00e9tima etapa, e embora tenha alcan\u00e7ado uma compreens\u00e3o intuitiva do significado verdadeiro da vida e da sua natureza como Maia, e como a mente ainda segue as suas discrimina\u00e7\u00f5es e apegos, n\u00e3o obstante tenha continuado a estar ligado \u00e0s no\u00e7\u00f5es destas coisas, e embora ele n\u00e3o mais experimentasse dentro de si qualquer desejo ardente dessas coisas, nem qualquer impulso de ainda as possuir, mesmo assim, as no\u00e7\u00f5es acerca delas persistiram e suavizaram os seus esfor\u00e7os para praticar os ensinamentos dos Buddhas e trabalhar para a emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres.<\/p>\n<p>Agora, na oitava etapa, at\u00e9 as no\u00e7\u00f5es desaparecerem, todo o esfor\u00e7o e empenho s\u00e3o vistos como sendo desnecess\u00e1rios.<br \/>\nO Nirvana do Bodhisattva \u00e9 a tranquilidade perfeita, mas n\u00e3o \u00e9, nem a extin\u00e7\u00e3o nem a in\u00e9rcia; enquanto h\u00e1 uma completa aus\u00eancia de discrimina\u00e7\u00e3o e objectivos, h\u00e1 liberdade e espontaneidade da potencialidade que veio com a obten\u00e7\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o paciente das verdades do n\u00e3o eu e n\u00e3o imagem.<br \/>\nAqui, est\u00e1 a solid\u00e3o perfeita, imperturb\u00e1vel por qualquer ordem ou sucess\u00e3o cont\u00ednua, mas radiante com a pot\u00eancia e a liberdade da sua natureza pr\u00f3pria, que \u00e9 a natureza pr\u00f3pria da Sabedoria Nobre, com felicidade pac\u00edfica e com a serenidade do Amor Perfeito.<\/p>\n<p>Entrando na oitava etapa, na &#8220;invers\u00e3o&#8221; dada no lugar mais profundo da consci\u00eancia, o Bodhisattva vai tornar-se consciente de que recebeu a segunda caracter\u00edstica do corpo Transcendental (Manomayakaya). A transi\u00e7\u00e3o do corpo mortal ao Corpo transcendental n\u00e3o tem nada a ver com a morte mortal, j\u00e1 que o velho corpo continua a funcionar e a velha mente serve as necessidades do velho corpo, mas agora \u00e9 livre do controle da mente mortal.<br \/>\nHouve uma morte na transforma\u00e7\u00e3o inconceb\u00edvel (accintya-parinama-cyuti), pelo qual a imagina\u00e7\u00e3o falsa da sua personalidade individual particularizada foi transcendida por uma realiza\u00e7\u00e3o da sua unidade com a mente universalizada do estado Tath\u00e1gata, realiza\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o haver\u00e1 retorno.<br \/>\nCom esta realiza\u00e7\u00e3o ele encontra-se amplamente dotado de todos os poderes dos Tath\u00e1gata&#8217;s, faculdades ps\u00edquicas, e auto dom\u00ednio, e assim como a boa terra \u00e9 o suporte de todos os seres no mundo do desejo (karmadathu), assim os Tath\u00e1gatas tornam-se o suporte de todos os seres do Mundo Transcendental da n\u00e3o forma.<\/p>\n<p>As primeiras sete, das etapas do Bodhisattva aconteceram no reino da mente, e a oitava, enquanto a mente transcendia, estava em contacto com ele; mas na nona etapa da Intelig\u00eancia Transcendental (Sadhumati), por causa da sua intelig\u00eancia perfeita e discernimento, na n\u00e3o imagem da Mente Divina, que ele tinha alcan\u00e7ado pela auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, ele est\u00e1 no reino do estado Tath\u00e1gata. Gradualmente o Bodhisattva entender\u00e1 a sua natureza Tathagata, a posse de todos os seus poderes e faculdades ps\u00edquicas, auto dom\u00ednio, compaix\u00e3o amorosa, e os meios h\u00e1beis, pelos quais estabelecer\u00e3o todas as terras de Buda.<br \/>\nFazendo uso desses novos poderes, o Bodhisattva assumir\u00e1 v\u00e1rios corpos de transforma\u00e7\u00e3o e personalidades, do qual outros beneficiar\u00e3o.<br \/>\nTal como na vida mental anterior, a imagina\u00e7\u00e3o tinha surgido do conhecimento relativo, assim agora os meios h\u00e1beis surgem espontaneamente da Intelig\u00eancia Transcendental. Ele parece-se com a j\u00f3ia m\u00e1gica, que reflecte as respostas instantaneamente, apropriadas aos desejos de algu\u00e9m.<br \/>\nO Bodhisattva passa por todas as assembleias dos Buddhas e escuta como elas falam, como um sonho, da natureza de todas as coisas e acerca das verdades que transcendem todas as no\u00e7\u00f5es do ser e n\u00e3o ser, que n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o nascimento e morte, nem com a eternidade nem a extin\u00e7\u00e3o. Assim enfrentando os Tath\u00e1gatas, como eles discursam na Sabedoria Nobre que est\u00e1 distante e al\u00e9m da capacidade mental dos disc\u00edpulos e mestres, ele alcan\u00e7ar\u00e1 cem mil Sam\u00e1dhis, de facto, cem mil Nayutas de kotis de Sam\u00e1dhis, e no esp\u00edrito desses Sam\u00e1dhis, ele passar\u00e1 imediatamente de uma terra de Buda a outra, prestando homenagem a todos os Buddhas, nascendo em todas as mans\u00f5es celestiais, manifestando corpos de Buda, e discursar\u00e1 no Tesouro Triplo, aos Bodhisattvas menores, que tamb\u00e9m podem participar dos frutos da auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.<br \/>\nAssim, passando al\u00e9m da \u00faltima etapa do caminho do Bodhisattva, ele torna-se, um Tath\u00e1gata por si mesmo, dotado de toda a liberdade do Dharmakaya.<br \/>\nA d\u00e9cima etapa pertence aos Tath\u00e1gatas. Aqui o Bodhisattva vai-se encontrar sentado sobre um trono parecido com um l\u00f3tus, num pal\u00e1cio adornado de espl\u00eandidas j\u00f3ias e rodeado de Bodhisattvas de igual categoria. Os Buddhas de todas as terras Buda v\u00e3o-se reunir sobre ele, e com as suas m\u00e3os puras e fragrantes que descansam na sua testa, lhe dar\u00e1 a ordena\u00e7\u00e3o e o reconhecimento, como um deles. Ent\u00e3o eles destinar-lhe-\u00e3o uma terra Buda que ele poder\u00e1 possuir e aperfei\u00e7oar como sua propriedade.<br \/>\nA d\u00e9cima etapa \u00e9 chamada a Grande Nuvem da Verdade (Dharmamegha), incompreens\u00edvel, e inescrut\u00e1vel.<br \/>\nS\u00f3 os Tath\u00e1gatas podem conhecer a perfeita n\u00e3o Imagem, a Unidade e a Solid\u00e3o. Ele \u00e9 a Mahesvara, a Terra Radiante, a Terra Pura, a Terra das Dist\u00e2ncias distantes; rodeando e superando os mundos inferiores da forma e do desejo (karmadathu), no qual o Bodhisattva se encontrar\u00e1 \u201ccompensado\u201d.<br \/>\nOs seus raios de Sabedoria Nobre que s\u00e3o da natureza pr\u00f3pria dos Tath\u00e1gatas, multicores, fascinantes, auspiciosos, est\u00e3o transformando o mundo triplo como outros mundos foram transformados no passado, e como em outros casos, outros mundos ser\u00e3o transformados no futuro.<br \/>\nMas na Unidade Perfeita da Sabedoria Nobre n\u00e3o h\u00e1 nenhuma classifica\u00e7\u00e3o, nem sucess\u00e3o, nem esfor\u00e7o.<br \/>\nA d\u00e9cima etapa \u00e9 a primeira, a primeira \u00e9 oitava, e a oitava \u00e9 a quinta, a quinta a s\u00e9tima: que classifica\u00e7\u00e3o pode haver onde a perfeita n\u00e3o imagem e a Unidade prevalecem?<br \/>\nE qual \u00e9 a realidade da Sabedoria Nobre?<br \/>\nEla \u00e9 a pot\u00eancia inef\u00e1vel do Dharmakaya; ela n\u00e3o tem nenhum limite nem limites; ela sobrep\u00f5e-se a todas as terras Buda, e penetra o Akanistha e as mans\u00f5es celestes do Tushita (C\u00e9us).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_XII\"><\/a>Cap\u00edtulo XII<\/p>\n<p>O Estado Tath\u00e1gata, que \u00e9 a Sabedoria Nobre<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado: \u201cFoi ensinado nos livros can\u00f3nicos que os Buddhas n\u00e3o est\u00e3o sujeitos nem ao nascimento nem \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, e o Aben\u00e7oado disse que &#8220;n\u00e3o nascido&#8221; \u00e9 um dos nomes dos Tath\u00e1gatas; isto significa que o Tath\u00e1gata \u00e9 uma n\u00e3o exist\u00eancia?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201c O Tath\u00e1gata n\u00e3o \u00e9 uma n\u00e3o entidade, nem deve ser concebido como outras coisas o s\u00e3o, como, nem nascidas nem extintas, nem est\u00e1 sujeito \u00e0 causa e efeito, nem \u00e9 sem significado; mesmo assim refiro-me a ele como o \u201cN\u00e3o Nascido\u201d. Contudo h\u00e1 outro nome para o Tath\u00e1gata. &#8220;O corpo feito pela Mente&#8221; (Manomayakaya) em que o seu corpo Ess\u00eancia, assume de acordo com a sua vontade, os acontecimentos nas transforma\u00e7\u00f5es do seu trabalho de emancipa\u00e7\u00e3o. Isto est\u00e1 al\u00e9m da compreens\u00e3o dos disc\u00edpulos comuns e mestres, e at\u00e9, al\u00e9m da total compreens\u00e3o, daqueles Bodhisattvas que permanecem na s\u00e9tima etapa.<br \/>\nSim, Mahamati, &#8220;O N\u00e3o Nascido&#8221; \u00e9 sin\u00f3nimo de Tath\u00e1gata.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse:<br \/>\n\u201cSe os Tath\u00e1gatas s\u00e3o n\u00e3o nascidos, parece n\u00e3o haver alguma coisa &#8211; nenhuma entidade \u2013 para agarrar, ou tomar o control dessa coisa, ou h\u00e1 alguma coisa que tenha outro nome sem ser entidade? E o que \u00e9 que pode ser &#8220;alguma coisa&#8221; ?\u201d<br \/>\nO Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cOs objectos s\u00e3o frequentemente conhecidos por nomes diferentes segundo os aspectos diferentes que eles apresentam, o deus Indra \u00e9 \u00e0s vezes conhecido como Shakra, e \u00e0s vezes como Purandara.<br \/>\nEsses nomes diferentes s\u00e3o \u00e0s vezes usados de forma alternada e \u00e0s vezes s\u00e3o discriminados, mas os objectos diferentes n\u00e3o s\u00e3o para ser imaginados, por causa dos diferentes nomes, nem eles s\u00e3o sem individualidade.<br \/>\nO mesmo pode ser dito de mim como apare\u00e7o neste mundo de paci\u00eancia perante as pessoas ignorantes e onde sou conhecido por incont\u00e1veis trili\u00f5es de nomes. Eles dirigem-se a mim por diferentes nomes n\u00e3o percebendo que eles s\u00e3o todos os nomes do Tath\u00e1gata.<br \/>\nUns reconhecem-me como Tath\u00e1gata, outros como o auto existente, outros como Gautama o Asceta, alguns outros como Buda.<br \/>\nOutros ainda h\u00e1, que me reconhecem como Brahma, como Vishnu, como Ishvara; alguns v\u00eaem me como o Sol, como a Lua; outros como uma reencarna\u00e7\u00e3o dos s\u00e1bios antigos; outros como um &#8220;dos dez poderes&#8221;; outros como Rama, outros como Indra, e alguns outros como Varuna.<br \/>\nH\u00e1 ainda outros que falam de mim como O N\u00e3o nascido, como o Vazio, como &#8220;as coisas como elas s\u00e3o&#8221;, como a Verdade, como a Realidade, como o Princ\u00edpio \u00daltimo; h\u00e1 ainda outros que me v\u00eaem como Dharmakaya, como Nirvana, como o Eterno; alguns falam de mim como uniformidade, como n\u00e3o dualidade, como imortal, como informe; alguns pensam em mim como a doutrina de causa e efeito do Buda, ou da Emancipa\u00e7\u00e3o, ou do Caminho Nobre; e alguns pensam em mim como Mente Divina e Sabedoria Nobre.<br \/>\nAssim neste mundo e em outros mundos eu sou conhecido por esses incont\u00e1veis nomes, mas todos eles me v\u00eaem como a lua \u00e9 vista na \u00e1gua.<br \/>\nEmbora todos eles me honrem, louvem e estimem, eles n\u00e3o entendem totalmente a import\u00e2ncia e o significado das palavras que usam; n\u00e3o tendo a sua pr\u00f3pria auto realiza\u00e7\u00e3o da Verdade, eles aderem \u00e0s palavras dos seus livros can\u00f3nicos, ou ao que lhes foi dito, ou ao que eles imaginaram, e n\u00e3o conseguem ver que o nome que eles est\u00e3o usando \u00e9 s\u00f3 um, de muitos nomes do Tath\u00e1gata.<br \/>\nNos seus estudos eles seguem as meras palavras do texto, que vaidosamente tentam obter a verdadeira import\u00e2ncia, em vez de terem confian\u00e7a num &#8220;texto&#8221; onde a auto confirma\u00e7\u00e3o da Verdade \u00e9 revelada, isto \u00e9, tendo confian\u00e7a na auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse:<br \/>\n\u201cImploramos-te Aben\u00e7oado, que nos fales sobre a natureza pr\u00f3pria dos Tath\u00e1gatas.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cSe o Tath\u00e1gata \u00e9 para ser descrito por tais express\u00f5es como feito ou n\u00e3o feito, causa ou efeito, dever\u00edamos descrev\u00ea-lo como, nem feito, nem n\u00e3o feito, nem causa, nem efeito; mas se assim o descrev\u00eassemos ser\u00edamos culpados de discrimina\u00e7\u00e3o dual\u00edstica.<br \/>\nSe o Tath\u00e1gata \u00e9 alguma coisa feita, ele seria impermanente; se ele \u00e9 impermanente, qualquer coisa feita seria um Tath\u00e1gata.<br \/>\nSe ele \u00e9 qualquer coisa n\u00e3o feita, ent\u00e3o todo o esfor\u00e7o para entender o estado Tath\u00e1gata ser\u00e1 in\u00fatil. Pelo que n\u00e3o \u00e9, nem um efeito nem uma causa, e nem \u00e9 ser nem n\u00e3o ser, e aquele que n\u00e3o \u00e9 nem ser nem n\u00e3o ser, est\u00e1 fora das quatro proposi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAs quatro proposi\u00e7\u00f5es pertencem ao uso mundano; o que est\u00e1 no exterior n\u00e3o \u00e9 mais do que uma palavra, como a crian\u00e7a de uma mulher est\u00e9ril; assim s\u00e3o todos os termos respeitantes ao Tath\u00e1gata para serem entendidos.<br \/>\nQuando se diz que todas as coisas s\u00e3o sem eu, isso significa que todas as coisas s\u00e3o destitu\u00eddas de individualidade.<br \/>\nCada coisa pode ter a sua pr\u00f3pria individualidade, o ser de um cavalo n\u00e3o \u00e9 da mesma natureza que de uma vaca, \u00e9 como ele \u00e9, com a sua natureza pr\u00f3pria, e \u00e9 assim discriminada pelo ignorante, mas, no entanto, a sua pr\u00f3pria natureza \u00e9 da natureza de um sonho ou vis\u00e3o. Por isso o ignorante e o ing\u00e9nuo, que est\u00e3o habituados a discriminar as apar\u00eancias, n\u00e3o conseguem entender o significado do n\u00e3o eu. At\u00e9 que nos libertemos da discrimina\u00e7\u00e3o, o facto de que todas as coisas s\u00e3o vazias, n\u00e3o nascidas e sem natureza pr\u00f3pria, n\u00e3o podem ser apreciadas.<br \/>\nMahamati, todas essas express\u00f5es aplicadas aos Tath\u00e1gatas n\u00e3o tem significado, o que n\u00e3o tem significado \u00e9 retirado de toda a compara\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 retirado de toda a compara\u00e7\u00e3o, converte-se em palavras sem sentido; o que \u00e9 uma mera palavra \u00e9 algo n\u00e3o nascido; o que \u00e9 n\u00e3o nascido, n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o; o que n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o parece-se com o espa\u00e7o e o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 nem efeito nem causa; o que n\u00e3o \u00e9, nem efeito nem causa, \u00e9 algo incondicionado; o que \u00e9 incondicionado est\u00e1 al\u00e9m de todo o racioc\u00ednio; o que est\u00e1 al\u00e9m de todo o racioc\u00ednio, \u00e9 o Tath\u00e1gata. A natureza pr\u00f3pria do estado Tathagata, est\u00e1 removida e afastada de todos os predicados e compara\u00e7\u00f5es; a natureza pr\u00f3pria do estado Tath\u00e1gata \u00e9 a Sabedoria Nobre.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cOs Tath\u00e1gatas s\u00e3o permanentes ou impermanentes?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cOs Tath\u00e1gatas n\u00e3o s\u00e3o nem permanentes nem impermanentes; se qualquer uma destas declara\u00e7\u00f5es for afirmada, h\u00e1 um erro conectado com os agentes produtores, porque segundo os fil\u00f3sofos, os agentes produtores s\u00e3o algo n\u00e3o criados e permanente. Mas os Tath\u00e1gatas, n\u00e3o est\u00e3o conectados, com os assim chamadas agentes produtores e nesse sentido eles s\u00e3o impermanentes. Se se disser que eles s\u00e3o impermanentes, ent\u00e3o, eles est\u00e3o conectados com coisas que s\u00e3o criadas, j\u00e1 que, elas tamb\u00e9m s\u00e3o impermanentes. Por essas raz\u00f5es, os Tath\u00e1gatas n\u00e3o s\u00e3o, nem permanentes nem impermanentes.<br \/>\nNem se pode dizer que os Tath\u00e1gatas s\u00e3o permanentes, no sentido em que se diz que o espa\u00e7o \u00e9 permanente, ou que se possa dizer que os chifres de uma lebre sejam permanentes, sendo irreais, eles excluem todas as ideia de perman\u00eancia ou imperman\u00eancia.<br \/>\nIsto n\u00e3o se aplica aos Tath\u00e1gatas porque eles abandonaram a energia do h\u00e1bito da ignor\u00e2ncia, que est\u00e1 unida com o sistema mental e os elementos que comp\u00f5em a personalidade. O mundo triplo origina-se da discrimina\u00e7\u00e3o das n\u00e3o realidades e onde a discrimina\u00e7\u00e3o tem lugar, h\u00e1 dualidade e a no\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia e imperman\u00eancia, mas os Tath\u00e1gatas n\u00e3o surgem da discrimina\u00e7\u00e3o das n\u00e3o realidades. Assim, enquanto h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o haver\u00e1 no\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia e imperman\u00eancia; quando a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada, a Sabedoria Nobre, que \u00e9 baseada no significado da solid\u00e3o, \u00e9 estabelecida.<br \/>\nContudo, h\u00e1 outro sentido, no qual, se pode dizer que os Tath\u00e1gatas s\u00e3o permanentes. A Intelig\u00eancia Transcendental que surge com a obten\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma natureza permanente. Esta Ess\u00eancia da verdade, que \u00e9 encontrada na ilumina\u00e7\u00e3o de todos os que s\u00e3o esclarecidos, \u00e9 realiz\u00e1vel, como o princ\u00edpio regulador e sustentador da Realidade, no qual vive sempre. A Intelig\u00eancia Transcendental alcan\u00e7ada intuitivamente pelos Tath\u00e1gatas pela sua auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre, \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria auto natureza, neste sentido os Tath\u00e1gatas s\u00e3o permanentes.<\/p>\n<p>O inimagin\u00e1vel eterno dos Tath\u00e1gatas \u00e9 &#8220;as coisas como elas s\u00e3o&#8221; da Sabedoria nobre realizada dentro deles.<br \/>\n\u00c9 tanto eterno, como al\u00e9m do pensamento.<br \/>\n\u00c9 conforme a ideia de uma causa e ainda est\u00e1 al\u00e9m de exist\u00eancia e inexist\u00eancia.<br \/>\nComo ele \u00e9 o estado exaltado da Sabedoria nobre, ele tem o seu car\u00e1cter pr\u00f3prio.<br \/>\nComo ele \u00e9 a causa da Realidade Suprema, ele \u00e9 a sua pr\u00f3pria causa e efeito.<br \/>\nA sua eternidade n\u00e3o \u00e9 derivada do racioc\u00ednio baseado em no\u00e7\u00f5es externas de ser e n\u00e3o ser, nem de eternidade, nem n\u00e3o eternidade.<br \/>\nSendo classificado sob a mesma cogni\u00e7\u00e3o que o espa\u00e7o, a cessa\u00e7\u00e3o, e o Nirvana, s\u00e3o eternos.<br \/>\nComo ele n\u00e3o tem nada a ver com a exist\u00eancia e a n\u00e3o exist\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 nenhum criador; porque ele n\u00e3o tem nada a ver com a cria\u00e7\u00e3o, nem com ser e n\u00e3o ser, mas s\u00f3 \u00e9 revelado no estado exaltado da Sabedoria nobre, \u00e9 realmente eterno.<\/p>\n<p>Quando as paix\u00f5es duplas s\u00e3o destru\u00eddas, os empecilhos duplos limpos, e o n\u00e3o ego dualista \u00e9 totalmente entendido, a incompreens\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o da morte do Bodhisattva \u00e9 alcan\u00e7ada &#8211; o que permanece \u00e9 a auto natureza dos Tath\u00e1gatas.<br \/>\nQuando os ensinamentos do Dharma s\u00e3o totalmente entendidos e perfeitamente realizados pelos disc\u00edpulos e mestres, aquilo que \u00e9 realizado na sua consci\u00eancia mais profunda, \u00e9 a sua pr\u00f3pria natureza Buda, revelada como Tath\u00e1gata.<\/p>\n<p>Num sentido verdadeiro, h\u00e1 quatro esp\u00e9cies de semelhan\u00e7as, que se relaciona com a natureza Buda: h\u00e1 a semelhan\u00e7a das letras, a semelhan\u00e7a das palavras, a semelhan\u00e7a do significado, e a semelhan\u00e7a da Ess\u00eancia.<br \/>\nO nome de Buda \u00e9 soletrado: B-U-D-D-H-A; as letras s\u00e3o as mesmas, quando usadas para qualquer um dos dois, Buda ou Tath\u00e1gata.<br \/>\nQuando os Brahmans ensinam que eles usam v\u00e1rias palavras, e quando os Tath\u00e1gatas ensinam que eles usam as mesmas palavras; a respeito das palavras h\u00e1 uma semelhan\u00e7a entre n\u00f3s.<br \/>\nNos ensinamentos de todos os Tath\u00e1gatas, h\u00e1 uma semelhan\u00e7a de significado.<br \/>\nEntre todos os Buddhas h\u00e1 uma semelhan\u00e7a de natureza B\u00fadica.<br \/>\nTodos eles t\u00eam as trinta e duas marcas da excel\u00eancia e os oitenta sinais menores da perfei\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea; n\u00e3o h\u00e1 nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre eles, excepto na forma, de como eles manifestam as v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es, segundo as diferentes disposi\u00e7\u00f5es dos seres que devem ser disciplinados e emancipados por v\u00e1rios meios.<br \/>\nNa Ess\u00eancia \u00daltima, que \u00e9 o Dharmakaya, todos os Buddhas do passado, presente e futuro, s\u00e3o da mesma semelhan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cFoi dito pelo Aben\u00e7oado, que da noite da Ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 noite do Parinirvana, o Tath\u00e1gata n\u00e3o proferiu nenhuma palavra, nem alguma vez proferir\u00e1 uma palavra. Em que significado profundo isto \u00e9 verdadeiro?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cPor duas raz\u00f5es de significado profundo isso \u00e9 verdadeiro: Pela luz da Verdade auto realizada pela Sabedoria Nobre, e na Verdade de uma Realidade eternamente duradoura.<br \/>\nA auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre por todos os Tath\u00e1gatas, \u00e9 a mesma, que a minha pr\u00f3pria auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre; n\u00e3o \u00e9 mais nem menos, nenhuma diferen\u00e7a h\u00e1, e todos os Tath\u00e1gatas testemunham que o estado da auto realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 livre de palavras e discrimina\u00e7\u00f5es e n\u00e3o tem nada a ver, com o modo dual\u00edstico de falar, isto \u00e9, todos os seres recebem os ensinamentos dos Tath\u00e1gatas pela auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre e n\u00e3o atrav\u00e9s das palavras discriminat\u00f3rias.<br \/>\nNa verdade Mahamati, sempre houve uma realidade eternamente duradoura. &#8220;A subst\u00e2ncia&#8221; da Verdade (Dharmadhatu) permanece para sempre, pese embora, um Tath\u00e1gata aparece no mundo ou n\u00e3o.<br \/>\nPortanto esta \u00e9 a Raz\u00e3o de todas as coisas (dharmata) durarem eternamente; assim a Realidade (paramartha) permanece e mant\u00e9m a sua ordem.<br \/>\nO que foi realizado por mim mesmo e todos os outros Tath\u00e1gatas, \u00e9 esta Realidade (Dharmakaya), a eternamente duradoura auto disciplina da Realidade;<br \/>\no &#8220;as coisas s\u00e3o como elas s\u00e3o&#8221; (tathata) de todas as coisas;<br \/>\nas veracidades das coisas (bhutata);<br \/>\na Sabedoria Nobre, que \u00e9 a pr\u00f3pria Verdade.<br \/>\nO sol irradia o seu esplendor espontaneamente em todos igualmente e sem palavras de explica\u00e7\u00e3o; de maneira parecida fazem os Tath\u00e1gatas, irradiam a Verdade da Sabedoria Nobre sem recurso a palavras e a todos por igual.<br \/>\nPor essas raz\u00f5es, eu afirmei, que da noite da ilumina\u00e7\u00e3o, \u00e0 noite do Parinirvana doTath\u00e1gata, ele n\u00e3o proferiu, nem proferir\u00e1, uma palavra. E o mesmo \u00e9 verdadeiro acerca de todos os Buddhas.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Mahamati disse:<br \/>\n\u201cAben\u00e7oado, tu falas da semelhan\u00e7a de todos os Buddhas, mas em outros lugares tu falas-te do Dharmata Buda, Nishyanda Buda e Nirmana Buda como se eles fossem diferentes uns dos outros; como podem eles, ser o mesmo e diferente?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cEu falo de Buddhas diferentes, em oposi\u00e7\u00e3o aos pontos de vista dos fil\u00f3sofos, que baseiam os seus ensinamentos na realidade de um mundo externo do qual apreciam a discrimina\u00e7\u00e3o e os apegos que de l\u00e1 surgem; contra os ensinamentos desses fil\u00f3sofos, revelo, Nirmana Buda, o Buda das Transforma\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm muitas transforma\u00e7\u00f5es da etapa Tath\u00e1gata Nirmana Buda, s\u00e3o encontradas tais mat\u00e9rias como, caridade, moralidade, paci\u00eancia, medita\u00e7\u00e3o, e tranquilidade: pelo conhecimento correcto ele ensina a verdadeira compreens\u00e3o da natureza de Maya, dos elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo externo; ele ensina a verdadeira natureza do sistema mental no conjunto e nas distin\u00e7\u00f5es das suas formas, fun\u00e7\u00f5es e caminhos da realiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNum sentido mais profundo, Nirmana Buda simboliza os princ\u00edpios de diferencia\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o pela qual todas as coisas constitu\u00eddas s\u00e3o distribu\u00eddas, todas as complexidades simplificadas, todos os pensamentos analisados; ao mesmo tempo ele simboliza a harmoniza\u00e7\u00e3o, unificando o poder da simpatia e da compaix\u00e3o; ele retira todos os obst\u00e1culos, ele harmoniza todas as diferen\u00e7as, ele traz na Unidade perfeita os muitos discordante.<br \/>\nPara a emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres, os Bodhisattvas e Tath\u00e1gatas assumem corpos de transforma\u00e7\u00e3o e empregam muitos dispositivos h\u00e1beis, isto \u00e9 o trabalho de Nirmana Buda.<br \/>\nPara a ilumina\u00e7\u00e3o dos Bodhisattvas e no apoio a dar-lhes ao longo das etapas, o Incompreens\u00edvel \u00e9 feito realiz\u00e1vel. Nishyanda Buda, &#8220;Buda Emana\u00e7\u00e3o&#8221;, atrav\u00e9s da Intelig\u00eancia Transcendental, revela a import\u00e2ncia e o verdadeiro significado da emana\u00e7\u00e3o das coisas, discrimina\u00e7\u00e3o e apego; do poder da energia do h\u00e1bito que \u00e9 acumulada por eles e em que condi\u00e7\u00f5es; do n\u00e3o nascido, do vazio, e do n\u00e3o eu de todas as coisas.<br \/>\nPor causa da Intelig\u00eancia Transcendental e da purifica\u00e7\u00e3o do mal que emana da vida, todos os pontos de vista dual\u00edsticos da exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, s\u00e3o transcendidos, e pela auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre a n\u00e3o imagem da Realidade \u00e9 manifestada. A inconceb\u00edvel gl\u00f3ria do estado B\u00fadico \u00e9 manifestada em raios da Sabedoria Nobre; a Sabedoria Nobre \u00e9 a auto natureza dos Tath\u00e1gatas. Isto \u00e9 o trabalho de Nishyanda Buda.<br \/>\nNum sentido mais profundo, Nishyanda Buda, simboliza a emerg\u00eancia dos princ\u00edpios do processo do pensamento e compaix\u00e3o, mas at\u00e9 agora n\u00e3o diferenciado e no potencial do equil\u00edbrio perfeito, n\u00e3o manifestado.<br \/>\nVisto do lado de dentro do Bodhisattva, Nishyanda Buda \u00e9 visto nos corpos glorificados dos Tath\u00e1gatas; visto do lado da quarta regi\u00e3o do estado B\u00fadico, Nishyanda Buda \u00e9 visto nas personalidades radiantes dos Tath\u00e1gatas, prontos e ansiosos por manifestar o Amor inerente da Sabedoria do Dharmakaya.<br \/>\nDharmata Buda \u00e9 o estado B\u00fadico na sua auto natureza da unidade perfeita, em que a Tranquilidade absoluta prevalece. Como a Sabedoria nobre, Dharmata Buda transcende todo o conhecimento diferenciado, \u00e9 o objectivo da auto realiza\u00e7\u00e3o intuitiva, e \u00e9 a auto natureza dos Tath\u00e1gatas.<br \/>\nComo Sabedoria Nobre, Dharmata Buda \u00e9 o Princ\u00edpio \u00faltimo da Realidade, da qual deriva o ser e autenticidade de todas as coisas, mas que em si mesmo transcende todos os predicados.<br \/>\nDharmata Buda \u00e9 o sol central, que mant\u00e9m todos iluminados. A sua Ess\u00eancia incompreens\u00edvel, \u00e9 manifestada na &#8220;emana\u00e7\u00e3o&#8221; da gloria do Nishyanda Buda e nas transforma\u00e7\u00f5es de Nirmana Buda.\u201d<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse:<br \/>\n\u201cImploramos-te Aben\u00e7oado, que nos fales mais sobre o Dharmakaya.\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cEstivemos falando dele quanto ao estado B\u00fadico, mas inescrut\u00e1vel e al\u00e9m da l\u00f3gica, podemos falar dele, justamente como o Corpo da verdade ou o Princ\u00edpio da verdade da Realidade \u00faltima (Paramartha).<br \/>\nEste Princ\u00edpio \u00daltimo da Realidade pode ser considerado como \u00e9 manifestado, sob sete aspectos:<br \/>\nPrimeiro, como Citta gocara, que \u00e9 o mundo da experi\u00eancia espiritual e da perman\u00eancia dos Tath\u00e1gatas na sua miss\u00e3o de escape da emancipa\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 a Sabedoria Nobre manifestada como o princ\u00edpio do processo do pensamento e individualidade.<br \/>\nEm segundo lugar, como Jnana, ele \u00e9 o mundo mental e o seu princ\u00edpio do pensamento e consci\u00eancia.<br \/>\nO terceiro como Dristi, \u00e9 o reino do dualismo, que \u00e9 o mundo f\u00edsico do nascimento e morte, onde s\u00e3o manifestadas todas as diferencia\u00e7\u00f5es de pensador, pensamento, e o conte\u00fado da cogni\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s e onde s\u00e3o manifestados os princ\u00edpios da sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, desejo, apego e sofrimento.<br \/>\nQuarto, por causa da gan\u00e2ncia, raiva, obsess\u00e3o, sofrimento, e a necessidade da ocorr\u00eancia de um mundo f\u00edsico para a discrimina\u00e7\u00e3o e apego, ele revela um mundo al\u00e9m do reino do dualismo, em que aparece como um princ\u00edpio que se integra de caridade e compaix\u00e3o.<br \/>\nEm quinto lugar, num reino superior, que \u00e9 a resid\u00eancia das etapas do Bodhisattva, e \u00e9 an\u00e1logo ao mundo mental, onde os interesses do cora\u00e7\u00e3o transcendem os da mente, aparece como o princ\u00edpio da compaix\u00e3o desinteressada.<br \/>\nEm sexto lugar, no reino espiritual onde os Bodhisattvas alcan\u00e7am o estado B\u00fadico, aparece como o princ\u00edpio do Amor perfeito (Karuna). Aqui o \u00faltimo apego ao ego \u00e9 abandonado e o Bodhisattva entra na sua auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria nobre, que \u00e9 a felicidade dos Tath\u00e1gatas, o gozo perfeito da sua natureza \u00edntima.<br \/>\nS\u00e9timo, como Prajna ele \u00e9 o aspecto activo do Princ\u00edpio \u00daltimo, onde ambos, o que vai e o que vem, s\u00e3o como princ\u00edpios impl\u00edcitos e potenciais, em que tanto a Sabedoria como o Amor, est\u00e3o em equil\u00edbrio perfeito, harmonia e Unidade.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os sete aspectos do Princ\u00edpio \u00faltimo do Dharmakaya, pelo qual todas as coisas s\u00e3o feitas, manifestadas e aperfei\u00e7oadas, e ent\u00e3o reintegradas, e todo o resto dentro da sua Unidade inescrut\u00e1vel, sem sinais de individualiza\u00e7\u00e3o, nem come\u00e7o, nem sucess\u00e3o ou fim, n\u00f3s falamos dele como Dharmakaya, como Princ\u00edpio \u00daltimo, como estado B\u00fadico, como Nirvana; o que importa? S\u00e3o s\u00f3 outros nomes da Sabedoria nobre.<br \/>\nMahamati, tu e todos os Bodhisattva Mahasattvas devem evitar o racioc\u00ednio err\u00f3neo dos fil\u00f3sofos e procurar a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709\/http:\/\/www.amentemente.com\/Textos\/O%20Lankavatara%20Sutra.html#O_Lankavatara_Sutra\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20200206170709im_\/http:\/\/www.amentemente.com\/Imagens\/Top.gif\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/div>\n<p><a name=\"Cap\u00edtulo_XIII\"><\/a>Cap\u00edtulo XIII<\/p>\n<p>O Nirvana<\/p>\n<p>Mahamati disse ent\u00e3o ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cImploramos-te que nos fales acerca do Nirvana\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cO termo, Nirvana, \u00e9 usado com muitos significados diferentes, por pessoas diferentes, e essas pessoas podem ser divididas em quatro grupos:<br \/>\nH\u00e1 as pessoas que est\u00e3o sofrendo, ou que temem o sofrimento, e que pensam no Nirvana;<br \/>\nh\u00e1 os fil\u00f3sofos que tentam discriminar o Nirvana;<br \/>\nh\u00e1 a classe de disc\u00edpulos que pensam no Nirvana em rela\u00e7\u00e3o a eles mesmos;<br \/>\ne finalmente h\u00e1 o Nirvana dos Buddhas.<br \/>\nAqueles que est\u00e3o sofrendo ou que temem o sofrimento, pensam no Nirvana como uma fuga e recompensa.<br \/>\nEles imaginam que o Nirvana se comp\u00f5e da futura aniquila\u00e7\u00e3o dos sentidos e das mentes dos sentidos; eles n\u00e3o est\u00e3o conscientes, que a mente universal e o nirvana s\u00e3o um, e que este mundo de vida e morte, e o Nirvana, n\u00e3o devem ser separados. Esses ignorantes, em vez de meditarem na n\u00e3o imagem do Nirvana, falam de caminhos diferentes de emancipa\u00e7\u00e3o. Sendo ignorantes de, ou n\u00e3o compreendendo os ensinamentos dos Tath\u00e1gatas, eles aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o do Nirvana que est\u00e1 no exterior, o que \u00e9 visto pela mente e, assim, continuam caminhando ao longo da roda da vida e da morte.<br \/>\nQuanto aos Nirvanas discriminadas pelos fil\u00f3sofos:<br \/>\nNa realidade n\u00e3o h\u00e1 nenhum. Alguns fil\u00f3sofos concebem o Nirvana para ser encontrado onde o sistema mental n\u00e3o mais funciona, devido \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o dos elementos que comp\u00f5em a personalidade e o seu mundo; ou \u00e9 encontrado onde h\u00e1 total indiferen\u00e7a ao mundo objectivo e sua impertin\u00eancia.<br \/>\nAlguns concebem o Nirvana como sendo um estado onde n\u00e3o h\u00e1 nenhuma lembran\u00e7a do passado ou do presente, tal como quando uma l\u00e2mpada \u00e9 extinta, ou quando uma semente \u00e9 queimada, ou quando um fogo se extingue; porque ent\u00e3o h\u00e1 cessa\u00e7\u00e3o de todo o substrato, que \u00e9 explicado pelos fil\u00f3sofos como o n\u00e3o surgimento da discrimina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas isto n\u00e3o \u00e9 o Nirvana, porque o Nirvana n\u00e3o se comp\u00f5e de simples aniquila\u00e7\u00e3o e vacuidade.<br \/>\nAssim, alguns fil\u00f3sofos explicam a liberta\u00e7\u00e3o, como se ela fosse a mera paragem da discrimina\u00e7\u00e3o, como quando o vento deixa de soprar, ou como quando algu\u00e9m pelo seu auto esfor\u00e7o se livra dos pontos de vista dual\u00edsticos do conhecedor e conhecido, ou se livra das no\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia e impertin\u00eancia; ou se livra das no\u00e7\u00f5es de bom e mau; ou supera a paix\u00e3o por meio do conhecimento, &#8211; para eles o Nirvana \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUns, vendo &#8220;na forma&#8221; a portadora da dor, alarmados pela no\u00e7\u00e3o &#8220;da forma&#8221;, procuram a felicidade num mundo &#8221; sem forma&#8221;.<br \/>\nAlguns, concebem que nas considera\u00e7\u00f5es com a individualidade e generalidade, reconhec\u00edvel em todas as coisas internas e externas, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma destrui\u00e7\u00e3o e que todos os seres mant\u00eam o seu ser para sempre e, nesta eternidade, v\u00eaem o Nirvana.<br \/>\nOs outros v\u00eaem o eternamente das coisas, no conceito do Nirvana, como a absor\u00e7\u00e3o da alma finita no Atman supremo; ou v\u00eaem todas as coisas, como uma manifesta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a vital de algum Esp\u00edrito Supremo onde todos regressam; e alguns, que s\u00e3o especialmente bobos, declaram que h\u00e1 duas coisas prim\u00e1rias, uma subst\u00e2ncia prim\u00e1ria e uma alma prim\u00e1ria, que reagem diferentemente, um sobre o outro, e assim produzem todas as coisas das transforma\u00e7\u00f5es das qualidades; alguns pensam que o mundo nasce de ac\u00e7\u00e3o e interac\u00e7\u00e3o e que nenhuma outra causa \u00e9 necess\u00e1ria; os outros pensam que Ishvara \u00e9 o criador livre de todas as coisas; aderindo a essas no\u00e7\u00f5es loucas, n\u00e3o h\u00e1 nenhum despertar, e eles consideram o Nirvana consistindo do facto de que n\u00e3o h\u00e1 nenhum despertar.<br \/>\nAlguns imaginam que o Nirvana \u00e9 onde a auto natureza existe por seu pr\u00f3prio direito, sem interfer\u00eancia de outras auto naturezas, como as penas variegadas de um pav\u00e3o, ou os v\u00e1rios cristais preciosos, ou a ponta de um espinho.<br \/>\nAlguns concebem o ser, como sendo o Nirvana, outros como, n\u00e3o ser, enquanto outros, concebem que todas as coisas e o Nirvana n\u00e3o s\u00e3o para ser distinguidas umas das outras. Alguns, pensando que o tempo \u00e9 o criador, e que, o surgimento do mundo depende dele; eles concebem que o Nirvana consiste do reconhecimento do tempo como Nirvana. Alguns pensam que haver\u00e1 Nirvana quando &#8220;as vinte e cinco&#8221; verdades forem aceites na generalidade, ou quando o rei observar as seis virtudes, e alguns beatos pensam que o Nirvana \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do para\u00edso.<br \/>\nEsses pontos de vista, alem de outros, promovidos pelos fil\u00f3sofos, com os seus v\u00e1rios ingredientes, n\u00e3o est\u00e3o de acordo com a l\u00f3gica, nem eles s\u00e3o aceit\u00e1veis para o s\u00e1bio.<br \/>\nTodos eles concebem o Nirvana dual\u00edsticamente e com alguma conex\u00e3o causal; por essas discrimina\u00e7\u00f5es os fil\u00f3sofos imaginam o Nirvana, mas onde n\u00e3o h\u00e1 surgimento nem desaparecimento, como pode l\u00e1 estar a discrimina\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCada fil\u00f3sofo, confia no seu pr\u00f3prio manual do qual ele desenha a sua compreens\u00e3o, transgredindo contra a verdade, porque a verdade n\u00e3o est\u00e1 onde ele imagina o ser. O \u00fanico resultado, \u00e9 que ele coloca a sua mente em perambula\u00e7\u00e3o e fica mais confuso, porque o Nirvana n\u00e3o deve ser encontrado pela procura mental, quanto mais a sua mente se torna confusa, mais ele confunde as outras pessoas.<br \/>\nQuanto \u00e0 no\u00e7\u00e3o do Nirvana, mantida pelos disc\u00edpulos e mestres que ainda aderem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um ego pr\u00f3prio, e que tentam encontr\u00e1-lo, caminhando na solid\u00e3o: A sua no\u00e7\u00e3o do Nirvana \u00e9 uma eternidade de felicidade, como a felicidade dos Sam\u00e1dhis \u00e9 para eles mesmos. Eles reconhecem que o mundo \u00e9 s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o da mente e que todas as discrimina\u00e7\u00f5es s\u00e3o da mente, e portanto eles renunciam \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais e praticam v\u00e1rias disciplinas espirituais e na solid\u00e3o buscam a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre pelo auto esfor\u00e7o.<br \/>\nEles seguem as etapas, at\u00e9 \u00e0 sexta e alcan\u00e7am a felicidade dos Sam\u00e1dhis, mas como eles ainda est\u00e3o aderindo ao ego\u00edsmo, eles n\u00e3o alcan\u00e7am a &#8220;invers\u00e3o&#8221; no lugar mais profundo da sua pr\u00f3pria consci\u00eancia e, por isso, eles n\u00e3o est\u00e3o livres da mente do pensamento e da acumula\u00e7\u00e3o da sua energia do h\u00e1bito.<br \/>\nAderindo \u00e0 felicidade dos Sam\u00e1dhis, eles passam ao seu Nirvana, mas n\u00e3o \u00e9 o Nirvana dos Tath\u00e1gatas.<br \/>\nEles s\u00e3o dos que &#8220;entraram na corrente&#8221;; mas devem voltar a este mundo de vida e morte.<\/p>\n<p>Mahamati ent\u00e3o disse ao Aben\u00e7oado:<br \/>\n\u201cQuando os Bodhisattvas cedem o seu capital de m\u00e9rito, para a emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres, eles tornam-se espiritualmente, um com toda a vida animada; eles mesmos podem ser purificados, mas noutros, ainda permanece o inesgot\u00e1vel mal e o carma imaturo. Imploramos-te que nos digas Aben\u00e7oado, como os Bodhisattvas garantem o Nirvana? E qual \u00e9 o Nirvana dos Bodhisattvas?\u201d<\/p>\n<p>O Aben\u00e7oado respondeu:<br \/>\n\u201cMahamati, esta garantia n\u00e3o \u00e9 uma garantia de n\u00fameros nem de l\u00f3gica; n\u00e3o \u00e9 a mente que deve ser assegurada mas o cora\u00e7\u00e3o. A garantia do Bodhisattva vem com o processo de desenvolvimento e discernimento, que limpa o caminho seguido pelos empecilhos das paix\u00f5es, que purifica os obst\u00e1culos ao conhecimento e do n\u00e3o eu, claramente percebido e pacientemente aceite.<br \/>\nComo a mente mortal deixa de discriminar, n\u00e3o h\u00e1 mais sede de vida, n\u00e3o mais lux\u00faria sexual, n\u00e3o mais sede de aprendizagem, n\u00e3o mais sede da vida eterna; com o desaparecimento desta sede qu\u00e1drupla, n\u00e3o h\u00e1 mais acumula\u00e7\u00e3o da energia do h\u00e1bito; sem mais acumula\u00e7\u00e3o da energia do h\u00e1bito, limpam-se as polui\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie da Mente Universal, e o Bodhisattva alcan\u00e7a a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre que \u00e9 a garantia do cora\u00e7\u00e3o do Nirvana.<br \/>\nH\u00e1 Bodhisattvas, aqui e noutras terras Buda, que s\u00e3o sinceramente dedicados \u00e0 miss\u00e3o do Bodhisattva e que ainda n\u00e3o conseguem esquecer completamente a felicidade dos Sam\u00e1dhis e a paz do Nirvana \u2013 por eles mesmos.<br \/>\nO ensinamento do Nirvana, no qual n\u00e3o h\u00e1 nenhum substrato deixado para tr\u00e1s, \u00e9 revelado segundo um significado oculto, por causa dos disc\u00edpulos que ainda aderem aos pensamentos do Nirvana para eles, e que podem ser inspirados e exercitados eles mesmo, na miss\u00e3o do Bodhisattva da emancipa\u00e7\u00e3o de todos os seres.<br \/>\nOs Buddhas da Transforma\u00e7\u00e3o, ensinam uma doutrina do Nirvana, para enfrentar as condi\u00e7\u00f5es conforme eles as v\u00e3o encontrando, e d\u00e3o encorajamento ao t\u00edmido e ego\u00edsta.<br \/>\nPara mudar os seus pensamentos e afast\u00e1-los para longe deles e estimul\u00e1-los a uma compaix\u00e3o mais profunda e a um zelo mais s\u00e9rio pelos outros, d\u00e3o-lhes a garantia quanto ao futuro pelo poder do apoio dos Buddhas da Transforma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pelo Dharmata Buda.<br \/>\nO Dharma, que estabelece a Verdade da Sabedoria Nobre, pertence ao reino do Dharmata Buda.<br \/>\nAos Bodhisattvas das s\u00e9timas e oitavas etapas, a Intelig\u00eancia Transcendental \u00e9 revelada pelo Dharmata Buda e o Caminho que eles devem seguir \u00e9-lhes indicado.<br \/>\nNa auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre que segue a inconceb\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o da morte, do poder individualizado do Bodhisattva, ele n\u00e3o mais vive para ele mesmo, mas a vida que ele vive depois disso \u00e9 a vida universalizada dos Tath\u00e1gatas como manifestado nas suas transforma\u00e7\u00f5es. Nesta auto realiza\u00e7\u00e3o perfeita da Sabedoria Nobre, o Bodhisattva compreende que para os Buddhas n\u00e3o h\u00e1 nenhum Nirvana.<br \/>\nA morte do Buda, o grande Parinirvana, n\u00e3o \u00e9 nem destrui\u00e7\u00e3o nem morte, sen\u00e3o haveria o nascimento e a continua\u00e7\u00e3o. Se fosse destrui\u00e7\u00e3o, ela seria um efeito produzindo uma ac\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9. Nem \u00e9 um desaparecimento nem um abandono, nem \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o, nem \u00e9 uma n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o; nem \u00e9 de um significado nem de nenhum significado, porque n\u00e3o h\u00e1 Nirvana para os Buddhas.<\/p>\n<p>O Nirvana dos Tath\u00e1gatas \u00e9 onde \u00e9 reconhecido que h\u00e1 apenas o que \u00e9 visto pela pr\u00f3pria mente;<br \/>\n\u00e9 onde, reconhecendo a natureza da mente em si mesma, cada um n\u00e3o mais estima os dualismos da discrimina\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u00e9 onde n\u00e3o h\u00e1 mais desejo nem avidez;<br \/>\n\u00e9 onde n\u00e3o h\u00e1 mais apego a coisas externas.<\/p>\n<p>O Nirvana \u00e9 onde a mente do pensamento com todas as suas discrimina\u00e7\u00f5es, apegos, avers\u00f5es e ego\u00edsmo s\u00e3o para sempre removidas;<br \/>\n\u00e9 onde as medidas l\u00f3gicas, que vistas como inertes, n\u00e3o mais s\u00e3o assenhoreadas;<br \/>\n\u00e9 onde, at\u00e9 a no\u00e7\u00e3o da verdade \u00e9 tratada com a indiferen\u00e7a por causa da confus\u00e3o que causa;<br \/>\n\u00e9 onde, livrar-se das quatro proposi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 discernimento na resid\u00eancia da Realidade.<\/p>\n<p>O Nirvana \u00e9 onde as paix\u00f5es duplas declinam e os empecilhos duplos s\u00e3o limpos e o n\u00e3o eu \u00e9 pacientemente aceite;<br \/>\n\u00e9 onde, pela obten\u00e7\u00e3o da &#8220;invers\u00e3o&#8221; no lugar mais profundo da consci\u00eancia, a auto realiza\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre \u00e9 totalmente estabelecida, que \u00e9 o Nirvana dos Tath\u00e1gatas.<\/p>\n<p>O Nirvana \u00e9 onde as etapas do Bodhisattva passam uma ap\u00f3s outra;<br \/>\n\u00e9 onde o poder do apoio dos Buddhas sustenta os Bodhisattvas na felicidade dos Sam\u00e1dhis;<br \/>\n\u00e9 onde a compaix\u00e3o pelos outros transcende todos os pensamentos do eu;<br \/>\n\u00e9 onde a etapa Tath\u00e1gata \u00e9 finalmente realizada.<\/p>\n<p>O Nirvana \u00e9 o reino do Dharmata Buda;<br \/>\n\u00e9 onde a manifesta\u00e7\u00e3o da Sabedoria Nobre que \u00e9 o estado B\u00fadico se exprime no Amor Perfeito por todos;<br \/>\n\u00e9 onde a manifesta\u00e7\u00e3o do Amor Perfeito que \u00e9 o estado Tath\u00e1gata se exprime na Sabedoria Nobre da ilumina\u00e7\u00e3o de todos &#8211; l\u00e1, \u00e9 de fato, o Nirvana!<\/p>\n<p>H\u00e1 duas classes daqueles que n\u00e3o podem entrar no Nirvana dos Tath\u00e1gatas: h\u00e1 aqueles que abandonaram os ideais do Bodhisattva, dizendo que eles n\u00e3o s\u00e3o conforme os sutras, os c\u00f3digos de moralidade, nem com a emancipa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnt\u00e3o h\u00e1 verdadeiros Bodhisattvas que, por causa dos seus votos originais, feitos por causa de todos os seres, dizem, &#8220;Enquanto que eles n\u00e3o alcan\u00e7arem o Nirvana, eu n\u00e3o o alcan\u00e7arei para mim,&#8221; e voluntariamente mant\u00eam-se fora do Nirvana. Mas nenhum ser ser\u00e1 deixado de fora por vontade dos Tath\u00e1gatas; um dia todos e cada um estar\u00e3o sob o efeito da sabedoria e do amor dos Tath\u00e1gatas da Transforma\u00e7\u00e3o para armazenar um capital de m\u00e9rito e progredir nas etapas.<br \/>\nMas, se eles s\u00f3 entenderem isto, eles j\u00e1 est\u00e3o no Nirvana dos Tath\u00e1gatas, porque na Sabedoria Nobre, todas as coisas est\u00e3o no Nirvana desde o principio.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lankavatara Sutra (\u695e\u4f3d\u7ecf) \u00e9 uma das escrituras budistas mais importantes para a forma\u00e7\u00e3o do Chan (Zen) na China. 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